segunda-feira, 1 de março de 2021

Pelé, Osmar Santos e o amor


Vejo o doc sobre Pelé no Netflix: bem editado, emocionante. O que mais chama minha atenção, porém, é Pelé de cadeira de rodas, com as pernas atrofiadas, recebendo os amigos.

Penso nas crueldades de Deus, ou do destino, como preferirem. Foi assim com o locutor Osmar Santos, que, num acidente de carro, perdeu, justamente, a fala.

Há muitos casos. Agora há Pelé. Pelé, sem suas pernas.

Penso na Bíblia, livro de Jó. O homem que é em tudo obediente e tem como pago a ingratidão de Deus. E se pergunta: por que?

Não há resposta, creio. Ou, se há, é que sentimos mais por perder o que nos é mais caro e fizemos por merecer. Como o amor. Quem mais se dedica ao amor é aquele que mais perde, porque é justamente quem se dedica. E quando perde nem cabe perguntar por que.

A vida não é merecimento, nem reconhecimento. E só perde aquele que tem algo. É esse algo que deve ser lembrado, é o que importa, ainda que seja tirado: as pernas de Pelé, a voz de Osmar, o amor.

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