quinta-feira, 8 de abril de 2021

A sombra e os raios de luz

Volto à casa de Pedro Paulo Sena Madureira, meu primeiro editor, oráculo do Engenho Velho, que terminou de ler os originais que lhe entreguei.


Está aceso, com aquele olhar que eu conheço, de bandeirante que sacudiu a bateia e achou umas pepitas de ouro.

- Você está craque - diz ele. - Dominando todos os gêneros. 

Adorou o livro de história contemporânea, resultado do trabalho de um ano e meio. Porém, seus olhos brilham ainda mais pelo livro em poema que lhe entreguei e devorou de uma sentada. 

- Isto é você - ele diz. - Triste, sombrio, com maravilhosos raios de sol.

Quer me mostrar as correções e observações no primeiro livro, que faz à moda antiga, rabiscando de caneta o papel. Mas quer que eu volte outro dia, para fazer o mesmo com o poema. 

- Este é maravilhoso, mas vamos olhar juntos, precisamos tirar alguns excessos, porque pode ficar perfeito. 

Não escrevo isto para me gabar. É porque é muito bom trabalhar junto com alguém - especialmente se esse alguém é quem considero ainda o melhor editor brasileiro. 

E porque é dessa cooperação entusiasmada de alguém que te conhece, dá valor e está genuinamente ao seu lado que precisamos para continuar.

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