O Brasil se encontra numa espécie de areia movediça. De qualquer lado que se mexa, afunda cada vez mais no buraco.
Quem vai resolver essa situação não é alguém de fora jogando uma corda, porque não há nenhum interessado em salvar a vítima, apenas quer a sua carteira.
A primeira providência é parar de espernear a entender quais são as soluções reais, baseadas num diagnóstico da crise, que faço, por sinal, no livro A era da Intolerância -- uma história do período de 30 anos que nos trouxe até aqui.
Em dez tópicos:
1. O atropelo da democracia e das leis internacionais não é meio para combater o crime, isso tira a tranquilidade tanto quanto o crime em si. Crime se combate com a lei, não com a quebra da lei.
2. Os Estados Unidos poderiam acabar com o crime internamente, começando por Trump, um presidente simpático à máfia russa desde seus tempos de dono de cassino (fracassado, por sinal) e que usa sua metralhadora giratória para não virar alvo fixo das inúmeras e graves acusações que recaem sobre ele.
3. O crime organizado cresce pelo enfraquecimento do aparelho de Estado, mas não se pode confundir a restauração da autoridade (do Estado) com autoritarismo.
4. Em todo o mundo, os sistemas democráticos precisam de reforma, para devolver ao Estado instrumentos de controle e capacidade de ação;
5. Ninguém pode achar que os EUA vão resolver qualquer problema brasileiro, eles só querem tirar proveito próprio de qualquer situação, sob a máscara de paladinos da justiça mundial; só os tolos abririam as portas de um país para isso. O crime internacional se resolve com cooperação, não com intervenção em Estados nacionais;
6. É preciso começar o debate da reforma democrática, para retirar os jabutis da Constituição, readequar o STF, acabar com a farra dos deputados e restaurar os poderes do Executivo; a devolução dos três poderes aos seus propósitos originais contribui para acabar com a corrupção e o auto favorecimento em todas as esferas da vida pública;
7. Combater o crime implica uma série de ações de curto, médio e longo prazo, para a situação de emergência e também a redução progressiva do seu avanço sistêmico.
8. Seria bom dar o primeiro passo já, ainda que tenha de ser na próxima eleição, e isso não é com os políticos hoje em cena, que são os dois lados do mesmo problema.
9. Como dizia o Bill Clinton, não temos nenhum problema que não possa ser resolvido com as nossas qualidades.
10. Quem vai resolver isto não é um governante, é a sociedade organizada, especialmente a elite que no fim das contas lidera.

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