segunda-feira, 1 de junho de 2015

Meus postcards de Nova York

Em 2006, quando morávamos em Nova York, alugamos nosso apartamento em Battery Park City para uma amiga, Luisa Mendes, que passou na cidade o Natal com o marido e o filho. Inquilinos muito especiais, que além de passear pela cidade entraram de certa forma na nossa vida, com as coisas deixadas ali.

Naquele tempo, eu havia pintado alguns quadros, para decorar o lugar: não consigo viver em uma casa sem quadros, ou com quadros comprados, que na maioria das vezes me dão a impressão de estar num hotel. Luisa, sensível e simpática, me deixou de lembrança  um jogo de canetas para colorir. Lembrei disso agora com a moda de comprar livros para colorir, tão terapêutica - e desencavei os desenhos que fiz em Nova York graças à gentileza da boa amiga e que me fizeram tão bem.

São imagens aleatórias, aquilo que dá mais prazer ao desenhar: deixar correr o rabisco solto para ver o que acontece. Saíram então: eu mesmo desenhando na cama, debaixo de um pilmone com capa de rosas vermelhas, comprado então por Graziela a peso de ouro numa loja do Soho sob um retrato em preto e branco de Marylin Monroe, que ela dizia ser o seu "luxo"; a vista da janela do quarto, no lugar onde eu trabalhava, que dava no fim da rua para o rio Hudson e a Estátua da Liberdade;uma mulher brava; o boulevard do Battery Park, perto de casa.

Uma caravela e um menino redondo que saíram ao acaso;  o porco esturricado e Lampião retratei porque na época eram personagens do romance que escrevia então, Amor e Tempestade; meu filho ainda no ultrassom, que era preto e branco, mas imaginei colorido; algumas cenas do campo, homenagem a Van Gogh, que achei que teria gostado muito daquelas canetinhas. Um pouco do universo de um escritor brasileiro exilado em Nova York não faz tanto tempo assim.



















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