quinta-feira, 28 de maio de 2009

A força da poesia




Poucas palavras para grandes sentimentos

Pouca gente compra ou lê poesia. Esta é, para mim, a mais sublime das artes. Não é minha especialidade, mas eu a uso para extravasar sentimentos que pedem uma ação rápida. Por natureza, a poesia é extrema. Sua virtude está em colocar em poucas palavras grandes sentimentos.

Ver Doutor Jivago me deu de repente vontade de escrever poesia. Mas ando vazio. Com a morte de minha mãe, escrevi o último de meus poemas ano passado, justamente sobre ela. Divido-o aqui com vocês. E acrescento dois poeminhas anteriores, que mostram bem a relação entre a poesia e o estado de espírito de quem os escreve.


Amor que fica


O tempo é tão sem tempo
Que começa quando acaba
Assim ao menos que parece
Na parede da memória

O tempo é tão sem tempo
Que constrói quando desaba
A gente nunca esquece
Uma saudade com história

Permanente é o amor
Que é fruto da estação
Na primavera ele é flor
E tempestade de verão

Quem ama, tudo quer
Amor de mãe e protetora
Amor de filha e mulher
Amor de amiga e professora

Esse amor que enche a gente
Não tem dia nem tem hora
O que termina está presente
Faz da gente o que é agora

Tantos erros neste mundo
Ainda há por reparar
Se eu tivesse um segundo
Eu fazia o amor ficar

Se eu tivesse o poder
De criar vida, fazer luz
Se pudesse mesmo ser
O Deus que nos conduz

Fazia mais gente assim
De sonho e pé de feijão
E deixaria o amor pra mim
Pra salvar meu coração

Quero

Quero um pouco de muito amor
De uns arroubos de voar
De palavras furta-cor
De acertar de tanto errar

Um pouco de muito e tudo
De tudo e muito um pouco
De silêncios de surdo-mudo
De gritar de ficar rouco

Um pouco de prazer sem medo
De andar sem objetivos
De achar que ainda é cedo
Sem planos falsos ou esquivos

Um pouco do eu antigo
Que não olhava o futuro
Da vida mais amigo
E um pouco menos duro

Futuro

Regresso ao velho berço
O lugar onde nasci
O passado está aqui
Só não o reconheço

Um dia voltei os ombros
Ao que passei, vivi, senti
Havia alegria quando parti
Hoje existem só escombros

Onde estará o futuro
Dos homens mais funestos?
Em lugar incerto e escuro
E é feito desses restos

Um comentário:

  1. Thales

    Adorei o que voce escreveu. Nunca havia lido um blog seu. Voce é extremamente inteligente e escreve muitíssimo bem, desde os tempos da faculdade. Parabéns pela excelente carreira.


    A saudade

    A vida é como uma onda
    As pessoas vem e vão
    vem e passam por nossas vidas
    como um furacão

    As ondas trazem a saudade
    As rajadas de vento, a tempestade
    E o frio, a solidão

    No mar, ficam as lembranças
    de um tempo sem memória
    Um tempo que a areia do mar
    Insiste em apagar a história

    Na vida, nada é certo
    Nem o presente, nem o passado, nem o futuro

    Dos sonhos constrói-se o presente
    Do passado, ficam as lembranças
    E o futuro será construído
    com a somatória dos sonhos e das lembranças

    Roseli Xavier de Oliveira

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