<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659</id><updated>2011-12-10T18:13:02.533-08:00</updated><title type='text'>Thales Guaracy</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>83</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-4183371928150474403</id><published>2011-09-04T17:42:00.000-07:00</published><updated>2011-09-07T05:06:06.392-07:00</updated><title type='text'>Ao Ruy não se diz adeus</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-M7dH1G1wFF0/TmQj7JciOSI/AAAAAAAAAzs/69KhYlIS1ZA/s1600/serelepe.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 125px; height: 185px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-M7dH1G1wFF0/TmQj7JciOSI/AAAAAAAAAzs/69KhYlIS1ZA/s320/serelepe.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648679331684301090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ruy Mendes Gonçalves, um dos homens mais importantes do mundo do livro, não gostava de ler. Era formado em administração de empresas, e deu uma contribuição importante para fazer da Saraiva uma das maiores editoras do país, e a maior rede de livrarias do Brasil, com uma centena de lojas, a maior parte delas megastores, conceito que introduziu no país. Acionista da empresa, membro do conselho de administração, ex-principal executivo, sua vida era fazer esse negócio dar certo - o que muita gente que gosta de livro, mesmo gostando, e muito, não conseguiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia fazer uma parceria como poucas com o sr. Jorge Saraiva. Admirava o sócio e amigo por sua sabedoria, inteligência, equilíbrio e honradez. E acreditava que ambos se completavam, pois via em si mesmo mais ênfase em outras qualidades: humildade, persistência, capacidade de trabalho e decisão. Com isto, mais do que qualquer outra coisa, ambos ergueram ainda mais um negócio sólido, que mesmo quase centenário se revela hoje ainda o mais capaz de enfrentar as rápidas mudanças requeridas por um mercado em franca mutação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o que Ruy deixou ao morrer sábado, em decorrência de câncer, não foi só uma parceria e uma companhia bem sucedidas - ao menos para aqueles que tiveram a sorte de conviver mais perto dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruy foi um garoto enjeitado. Conheceu seu pai quando tinha 9 anos - e teve com ele uma convivência curta, porque o pai partiu cinco anos depois, vítima de leucemia, a doença que foi uma sombra para Ruy a vida inteira, e que no final também enfrentaria. Para crescer, em todos os sentidos, Ruy dependeu sempre de ajuda. Por isso, o Ruy essencial era um homem grato - a todos os que o ajudaram, e à vida, que não o abandonou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como decorrência, ao longo de sua vida inteira, sua principal característica foi a fidelidade, o reconhecimento, o senso de justiça, e a generosidade com que procurava ajudar os outros, ou devolver, na pessoa de quem encontrava pela frente, tudo o que havia recebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruy adorava o time do São Paulo. Não era apenas uma paixão futebolística. Lembrava de quando o pai, na sua tão curta convivência, o levava ainda garoto aos campos do Paulistano, que viria a ser o São Paulo de hoje. Para ele, o São Paulo era mais que futebol: era a lembrança do pai, era a ligação afetiva com as pessoas, era a família que ele nunca teve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve que construir uma família para si. E construiu uma enorme. Ao morrer, contava não só com seis filhos, genros, netos e agregados, mas os milhares de colaboradores da Saraiva e os amigos que encontrou pela vida, em quem sempre deixava uma lembrança, um sinal, uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquistou tudo o que queria - e mais do que imaginava - pela tenacidade. Como os estudos quem lhe pagava era o tio, um presente da sorte, ele sempre foi aquele que tinha de se esforçar mais do que os outros, porque nada lhe vinha de graça; tinha de corresponder, como uma forma de agradecer. Passou a vida se esforçando, correspondendo, agradecendo e construindo coisas melhores do que as que lhe entregavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criava metas importantes, e não desistia. Encontrava gente desanimada, e a levantava com seu ânimo admirável. Diante das dúvidas, ele decidia. Chamava para si a responsabilidade. Gostava de encontrar pessoas que fizessem bem o seu trabalho. E procurava nelas as qualidades que cultivava em si mesmo: perseverança, trabalho, humildade, honestidade e qualificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 70 anos, diante da doença, e da vontade de escrever um livro de memórias (O Serelepe, Editora Saraiva), conquistou a última coisa que lhe faltava: tendo passado a vida envolvido com números e pessoas, passou a encontrar prazer no hábito da leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem como Ruy sempre fará falta. Mas ele deixa como herança seu exemplo de sabedoria, a sua capacidade de decisão, a sua fortaleza moral, a sua habilidade em incentivar e liderar pessoas, o seu interesse pela vida, que o fazia sempre enxergar à frente, e tomar as decisões mais corretas - ou corrigir os erros antes dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muita gente que viveu com Ruy e partilhou da sua escola. É essa gente, que o admirou e lamenta sua falta, que herdou dele mais que uma saudade: guarda a capacidade presente de ajudar a levar adiante o seu trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-4183371928150474403?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/4183371928150474403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/09/ao-ruy-nao-se-diz-adeus.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/4183371928150474403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/4183371928150474403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/09/ao-ruy-nao-se-diz-adeus.html' title='Ao Ruy não se diz adeus'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-M7dH1G1wFF0/TmQj7JciOSI/AAAAAAAAAzs/69KhYlIS1ZA/s72-c/serelepe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8997228862265334362</id><published>2011-06-20T19:01:00.000-07:00</published><updated>2011-06-26T18:25:51.627-07:00</updated><title type='text'>O menino e o Homem Aranha</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OKyy9Tnw0Pg/TgfcGNKXyXI/AAAAAAAAAwo/7sL4xsBQDKU/s1600/aranha.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 92px; height: 69px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-OKyy9Tnw0Pg/TgfcGNKXyXI/AAAAAAAAAwo/7sL4xsBQDKU/s320/aranha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622704658965842290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como muitos meninos de quatro anos, meu filho adora super heróis - essas figuras mitológicas nas quais nos espelhamos, mesmo não podendo copiar seus poderes sobre-humanos. Ou por causa disso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado, eu e meu filho fomos a uma festa, aniversario de uma coleguinha de escola, a Isabella. Lá, para animar a tarde no bufê, estavam Cinderela, Princesa do Mar, Branca de Neve, o ratinho Bernardo, a Mulher Gato. Claro, porém, que ele ficou fascinado pelo Homem Aranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início, nem quis chegar perto - parecia morrer de medo. Estimulado por mim, Homem Aranha lhe estendeu a mão, de longe; meu filho tocou-lhe a ponta do dedo e puxou um pouquinho a luva, como que para se certificar da sua realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah... Não precisou muito mais. Ficaram amigos velhos. Meu filho levava o Homem Aranha para cima e para baixo. Fez o super herói acompanhá-lo no videogame. Fez o Homem Aranha subir no labirinto suspenso e descer de bunda no tobogã. Rodopiaram juntos na xícara maluca. Homem Aranha lhe serviu suco. Por fim, era um herói dedicado e obediente como uma criança bem comportada. Vamos para lá, dizia André, já na liderança. Homem Aranha fazia estrelas, alongamentos e dava cambalhotas e o seguia como um cachorrinho. Em pouco tempo, claro, estava acabado - uma hora com meu filho faz o Homem Aranha ter saudades do Duende Verde. Pediu permissão a meu filho para dar uma descansada. "Preciso sair para uma missão, mas eu volto, ok?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar em casa, André contou para a mãe sobre seu novo amigo. E lhe disse, em tom confidencial:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você sabe de uma coisa? Eu sei que ele não era o Homem Aranha de verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como você pode ter certeza? - perguntou ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque eu vi... O zíper dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu filho é assim, de uma profunda humanidade. Mantém seu amor pelos ídolos, por um lado puro como o amor de criança, mas de outro é um pequeno sábio, a ponto de ser condescendente com adultos, disfarçando o fato de saber que eles, de certa forma,  não passam de uma farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo, tive de comprar um boneco novo do Homem Aranha para ele. Levou-o para a escola, ainda inseparáveis. O Homem Aranha foi muito importante para ele, por lhe dar tanta atenção. O curioso, porém, é que tenho certeza de que o Peter Parker que havia embaixo da máscara também ficou feliz e agradecido por ter ali um garoto que acreditava nele, gostava dele e queria levá-lo a toda parte. Aconteceu algo especial, ali. Não esquecerá do menino tão cedo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André tem esse carisma: fazemos tudo por ele, mas descobrimos que aquela felicidade volta para nós de tal forma, que nós é que o agradecemos no final, por tê-lo junto de nós. Com seu carinho, sua energia e sua alegria radiante, ele nos faz sentir importantes. Mesmo, ou principalmente, os adultos de araque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza de que isso é da sua personalidade e o acompanhará pela vida inteira. Certamente muita gente se esforçará por fazê-lo feliz, porque não há nada melhor no mundo que ter seu sorriso luminoso como companhia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8997228862265334362?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8997228862265334362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/06/o-menino-e-o-homem-aranha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8997228862265334362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8997228862265334362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/06/o-menino-e-o-homem-aranha.html' title='O menino e o Homem Aranha'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OKyy9Tnw0Pg/TgfcGNKXyXI/AAAAAAAAAwo/7sL4xsBQDKU/s72-c/aranha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6308089170594796790</id><published>2011-05-15T18:55:00.000-07:00</published><updated>2011-05-15T19:08:43.417-07:00</updated><title type='text'>Perguntas na China</title><content type='html'>Uma tarde com o pequeno André e João na Liberdade. A rua dos Estudantes, onde eu nasci, as lanternas na rua, a feira, comer no tatami com o hashi de elástico para crianças, André adorou tudo. Rolou pelo tatami, comeu yakisoba como se fosse macarronada italiana. No final, apertado de tanta laranjada, perguntou à mãe.&lt;br /&gt;- Tem banheiro aqui na China?&lt;br /&gt;Andamos pela rua, entramos para comprar coisinhas gostosas e exóticas no supermercado japonês. Curioso, André sai fuçando pela loja e acha uma portinha que dá para uma despensa meio escura. Vai abrindo primeiro, pergunta depois:&lt;br /&gt;- Mãe, aqui é que ficam os bandidos?&lt;br /&gt;Fomos de metrô, para André andar de trem (segunda vez na vida) e matar saudade de Nova York, quando o menino hoje com quatro anos ainda estava na barriga da mãe e caminhávamos pela cidade aos domingos. Para ir embora, pegamos um táxi.&lt;br /&gt;- Moço - disse ele ao motorista. - Vamos voltar agora para o Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@&lt;br /&gt;Saudades de escrever. Vou voltando, aos poucos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6308089170594796790?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6308089170594796790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/05/travessuras-na-china.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6308089170594796790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6308089170594796790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/05/travessuras-na-china.html' title='Perguntas na China'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-7267367515945413261</id><published>2011-04-03T08:09:00.000-07:00</published><updated>2011-04-03T08:10:12.473-07:00</updated><title type='text'>Quixote</title><content type='html'>O escritor é muitas vezes um Quixote, pois não é fácil ser contra tudo e contra todos o tempo todo. Porém, assim é seu espírito, pois se há algo de comum entre todos os que escrevem é a sensação de que mais vale passar a vida de lança em riste contra moinhos imaginários que levar a vida ruminante dos conformados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-7267367515945413261?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/7267367515945413261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/04/quixote.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7267367515945413261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7267367515945413261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/04/quixote.html' title='Quixote'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-5792307883074973397</id><published>2011-03-12T16:49:00.000-08:00</published><updated>2011-03-13T07:48:08.317-07:00</updated><title type='text'>A presença do passado</title><content type='html'>O México é um sítio arqueológico: por toda parte, se sente a presença do passado. As pirâmides, próximas da cidade do México, uma cidade grande como São Paulo, com menos prédios, por temor dos tremores - estruturas reforçadas, com colunas cruzadas, para suportar abalos símicos como os que já resultaram em tragédias coletivas. O vasto parque, cercado por montanhas vulcânicas, cortado por canais, onde no passado havia um grande lago, e no lago uma grande ilha, na qual vivia o grande povo azteca - os mexicas, de onde os mexicanos tomaram seu nome. Os espanhóis varreram a cidade azteca do mapa, demoliram seus templos de pedra, passaram a fio de espada seu orgulhoso imperador, que vestia um cocar de penachos azuis e liderava um povo guerreiro que subordinara seus vizinhos ferozmente: mas de alguma forma pode-se sentir seus fantasmas ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-YEyW-TLY37g/TXwdvaxeWxI/AAAAAAAAAvQ/y521xIuOElE/s1600/tenoch.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 274px; height: 184px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-YEyW-TLY37g/TXwdvaxeWxI/AAAAAAAAAvQ/y521xIuOElE/s320/tenoch.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583370338510461714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto do hotel Nikko, pela parede envidraçada de onde eu avistava esse cenário em minha passagem relâmpago pela cidade, não sabia que encontraria ali meus próprios fantasmas. Numa manhã livre, apenas algumas horas, decidi visitar o museu antropológico, a quinze minutos de caminhada; queria ver as esculturas toltecas, maias e de todos aqueles povos bárbaros que habitaram a América Central; e a grande sala mexica, com suas paredes de pedra negra, onde atrás de um vidro está o cocar de Moctezuma, que teria sido dado de presente a Cortez, seu algoz, antes da traição dos visitantes conquistadores e cobiçosos; e, no fundo do salão, sob o jato de luz que jorrava de um spot no teto de pé direito altíssimo, a Pedra do Sol, peça mais importante da coleção, pela concentração de significado, materialização da teoria circular da vida para os aztecas, com os ideogramas das estações, que giram ao redor do deus guerreiro, segurando na mão dois corações sangrando - seu almoço ou seu jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora, impressionado; passei pela ala central do museu, a céu aberto, com um lago povoado da vegetação nativa que ao tempo mexica abundava no lago de Tenochtitlán; passei pela grande coluna azteca com um chapéu metálico, ao redor da qual jorra uma cascata permanente, como um véu d'água circular, descendo sobre o chão; saí em direção às barracas dos camelôs, que ficam diante do museu à espera dos turistas, vendendo máscaras coloridas de luta livre, flautas andinas, canecas pintadas. De repente, parei: ali estava, miniatura esculpida em pedra verde, imitação da obsidiana, produto mais precioso do lendário passado mexica, uma réplica da Pedra do Sol. E me lembrei de que minha mãe me dera uma peça como aquela - ou melhor, aquela peça, provavelmente comprada naquele mesmo lugar, tantos anos antes, quando voltara de uma viagem ao México; sempre vinha com alguma lembrança, ela que colecionava colheres turísticas e outras quinquilharias, uma maneira não somente de mostrar apreço aos outros, mas de contar de si mesma; logo ela, que falava muito, mas pouco dizia realmente de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caí em mim: eu andava pelos lugares de minha mãe, os mesmos lugares, o mesmo museu, a mesma calçada, a mesma barraca. Olhava para aquilo como ela tinha feito; saí dali a sentir aquela presença, como a sentiria novamente mais tarde ao ver, no aeroporto, às três da manhã, na vitrine da madrugada, o sombrero negro, como o que ela também me trouxera, com certeza comprado ali mesmo - quem compraria um sombrero, aquele trambolho para o transporte, exceto no próprio aeroporto, já perto de embarcar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei o avião pesado de sono e de alma; ali minha mãe tinha feito descobertas, as mesmas que eu; encarara os despojos místicos mexicas, talvez com o mesmo assombro; as salas onde abundavam os sinais da religiosidade mexicana, pobre, colorida, e ao mesmo tempo sombria, com seus esqueletos e espantalhos e xamãs; um povo que mistura vida e morte, e que nisso talvez tenha sabedoria, eu que hoje percebo, com a memória de minha mãe, como a morte está mesclada à vida, nos acompanha, não sai de nós; a morte dos outros, com quem temos de aprender a viver, e a nossa morte, antes que nossos filhos passem sobre as mesmas calçadas, talvez fazendo as mesmas perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe faleceu há dois anos, mas de certa forma nada passou; ela continua dentro de mim, eu a vejo nas sombras, nos lugares que passo, no prato que como, em palavras que ouço; na reza do meu filho, que ensinei a rezar como ela me ensinou ("proteja papai, mamãe, eu e tooodas as criancinhas do mundo", e tinha que ter aquele "tooodas as criancinhas do mundo"). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho vontades de chorar, tenho ganas de revolta, tenho crises de impotência, por não poder voltar atrás; tenho ódio da crueldade divina, que nos coloca no mundo para conhecer a felicidade máxima e nos tirá-la; artífice de um mundo efêmero, onde toda a esperança é sempre provisória. Me pergunto todos os dias, olhando o riso do meu filho, como é possível ser feliz depois de se descobrir o sofrimento da perda sem retorno; a alegria das crianças nos ilumina, nos conforta, é o que nos salva, é um pouco de saúde no meio da loucura, mas lá dentro fica uma sombra, como se fossemos agora somente um resto do que fomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida com minha mãe não foi perfeita, brigávamos como inimigos, ela tinha um amor destrutivo, egoísta, insensível e feroz; era no entanto o maior amor que eu conheci, violento e voraz; era, de todo modo, o único amor de mãe que eu tinha. Eu fui tudo o que ela não queria para mim, por isso conspirava contra minha felicidade, a ponto de me confundir entre o amor e o ódio que eu lhe devotava, talvez em igual medida; descobri, porém, que nem com a morte de minha mãe me separei dela; continuo a conviver com os mesmos conflitos, a dialogar com ela, porque ela não está apenas na minha carne, no verde dos olhos, nos cabelos claros, nuns jeitos e manhas que se apanha às vezes em fotografia; ela está dentro de mim, companhia permanente, que salta diante dos meus olhos a qualquer instante, como no México, no México de seus fantasmas vivos - mais vivos, talvez, do que nós mesmos, porque os fantasmas, esses sim, são para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-696LP74lr7Y/TXwd4rKvQpI/AAAAAAAAAvY/WvHEHBXWGpc/s1600/pedra.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 231px; height: 219px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-696LP74lr7Y/TXwd4rKvQpI/AAAAAAAAAvY/WvHEHBXWGpc/s320/pedra.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583370497530217106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-5792307883074973397?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/5792307883074973397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/03/presenca-do-passado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/5792307883074973397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/5792307883074973397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2011/03/presenca-do-passado.html' title='A presença do passado'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-YEyW-TLY37g/TXwdvaxeWxI/AAAAAAAAAvQ/y521xIuOElE/s72-c/tenoch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-5455639668332666535</id><published>2010-12-26T06:57:00.000-08:00</published><updated>2010-12-26T07:02:19.606-08:00</updated><title type='text'>Mensagem do nosso patrocinador</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-6a90d68e7152c7d8" 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/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8922792803864625200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/12/feliz-natal-ferrari.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8922792803864625200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8922792803864625200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/12/feliz-natal-ferrari.html' title='Feliz Natal, Ferrari'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-3325526772336676204?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/3325526772336676204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/12/realidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3325526772336676204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3325526772336676204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/12/realidade.html' title='realidade'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image 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/&gt;&lt;em&gt;A história de um romance que levou dois séculos para poder existir e sete anos para ser escrito&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem ao certo quando comecei a escrever meu primeiro romance, Filhos da Terra. Talvez tivesse começado ainda criança, quando ouvia as histórias de meu avô José.O mais certo, no entanto, é que tenha começado naquelas férias de verão, em 1983.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Eu tinha 19 anos de idade. Ainda estava fazendo duas faculdades, jornalismo e ciências sociais, e pude aproveitar uma semana inteira de férias para visitar vovô, a bordo de um Fiat 147 preto, com rodas de liga leve e volante de couro costurado, com a lataria meio carcomida pela ferrugem. Era o meu primeiro carro, comprado com o dinheiro apurado de maneira esparsa, trabalhando como modelo em comerciais de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovô se mudara para uma pequena chácara em Suzano, junto com minha tia Malfisa, com quem passara a viver sozinho desde a morte de minha avó, seis anos antes. Ficava a pouco mais de meia hora de carro de São Paulo, pela rodovia dos Bandeirantes. Mais dez minutos por uma estradinha vicinal, que se infiltrava sinuosamente pelo que se tornara com o tempo um vasto campo verdejante. Ali, desenhava-se o mosaico de propriedades dos pequenos agricultores, que formava o cinturão verde da metrópole, abastecedor do mercado central de frutas e verduras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela chácara era historicamente um refúgio. No final da década de 1960, minha tia a cedera a amigos que eram militantes de esquerda, para esconder-se da polícia política, durante o regime militar. Meio aposentada, foi dar aulas na escola de Suzano e mudou-se para lá, numa espécie de exílio involuntário para vovô. Como titia não se casara, ou melhor, se casara tardiamente e se separara do marido de forma meteórica, encarregara-se ela, entre os cinco filhos de vovô, de cuidar dele - já passado dos noventa anos de idade. Tia Malfisa desbastou o matagal ao redor da asa, a estrada de terra que ligava a chácara à estradinha de asfalto foi alargada e clareada, e o lugar se tornou mais aberto, embora ainda bastante retirado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terreno já limpo era um aclive onde tia Malfisa e vovô lutavam com suas parcas forças para que brotasse um pouco de grama e um rarefeito pomar. A casa, com o chão de cimento queimado vermelho, típico das casas de interior, uma cozinha pequena, uma sala ampla e um puxado de alvenaria recém-construído, onde ficava o novo banheiro e os dois quartos, era mobiliada com os móveis de madeira negra que outrora ocupavam a casa de vovô quando minha avó Dileta ainda vivia: a cristaleira da sala, a pesada mesa de pernas em X, as cadeiras de espaldar trabalhado e uma estante de livros, alguns dos quais eu mesmo havia dado a minha tia de presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar preferido de encontro, contudo, era a cozinha. Fresca, refrigerada pelo vento que entrava calmamente pela janela, com o filtro de barro de onde vinha uma água cristalina, aquele era o lugar para fugir ao calor tropical, sentar, ouvir meu avô cantar, o que ele mais gostava fazer. E ouvir as histórias com que ele entremeava suas cantorias, atividade em que podia passar horas intermináveis, indiferente ao possível aborrecimento da audiência e ao desgaste do corpo e da garganta, que ele combatia a partir de certa altura com pequenas doses de pinga com limão. Escarradas desobstruidoras se seguiam, para permitir que prosseguisse no seu impávido monólogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo monólogo porque a essa altura vovô José já era quase completamente surdo, o que dificultava de saída qualquer comunicação de mão dupla. Tentara utilizar diversos aparelhos para surdez, mas nunca se ajustara a nenhum. Tia Malfisa dizia que, diferente de surdo, ele na realidade não queria escutar mais ninguém. Apenas sabia que gostávamos de ouvir suas histórias, eu, minha irmã Lara e meus primos, e começava a falar de enfiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possuía memória extraordinária. Podia cantar dezenas de canções sertanejas, ou “modas”, como dizem os caipiras, sem repetir uma sequer. Além disso, dispunha de um vasto repertório de canções italianas, algumas das quais raridades que ouvira cantar ainda em criança e das quais se lembrava quase à perfeição. Era um verso engatado no outro, em porfias que podiam durar até uma hora sem parar dentro de um mesmo poema. Assim foi que aprendi histórias como as dos briganti Passanante e Il Passatore, galantes e sanguinários bandidos da antiguidade, e canções dramáticas como a de Salvador Misdea, que possui talvez o melhor começo de poema que conheço, depois do célebre “As armas e os barões assinalados” dos Lusíadas: “Canto um drama terribile e funesto, da caserna de Pisa Falcone”...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei a gravar tudo o que meu avô dissesse. Passei a visitá-lo regularmente, não só com o intuito de encontrá-lo, mas de deixar um registro vivo de tudo o que dizia, agora certo de que naquele sertão onde vivera podiam ocorrer coisas realmente extraordinárias. Tomava do meu Fiat 147 e lá ia para Suzano, com meu gravadorzinho, cuja chegada ele recebia com festejos, pois a presença da máquina era sinal de audiência garantida por algumas horas. De vez em quando, eu pedia alguma coisa, ou o dirigia para outro assunto, canção ou história, munido de um caderninho onde anotava minhas observações; esse era nosso meio de comunicação, embora não surtisse muito efeito. Na verdade, ele cantava o que lhe dava na telha, e ignorava meus esforços de pedir alguma coisa em especial. Antes de começar, apenas olhava animado para a maquineta de gravação e proferia a pergunta preparatória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá ligado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu dia preferido para essas visitas era o sábado. Vovô começava a dissertar por volta das duas horas da tarde, quando terminava o almoço, e podíamos ir naquelas tertúlias sem interrupção até dez ou onze horas da noite, quando, vencidos pelo cansaço e os apelos de minha torturada tia, íamos enfim para a cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquela maneira, fui juntando um farto material. Mais do que a música, o que aumentara meu entusiasmo era a visão do mundo que se revelava pelo meu avô; suas opiniões simples mas particularíssimas sobre as pessoas e o mundo; e, sobretudo, as histórias e os personagens que ganhavam vida nas suas memórias. Aí começara a nascer o romance do velho José, embora ele mesmo nunca tivesse se interessado pelo assunto. Numa daquelas tardes, por meio do uso do caderninho rabiscado a lápis preto, comuniquei a ele que estava pensando em escrever um romance, inspirado nas histórias que me contava. E pedia seu auxílio. Ao ler o meu bilhete, contudo, vovô apenas riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está pensando em escrever um romance? – disse. – Isto está em você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo terminaram as férias de verão e voltei à minha rotina de estudante. As fitas com as histórias de vovô ficaram guardadas, mudando de gaveta para gaveta, sem destino certo. Muitas vezes pensei em iniciar o tal romance que havia imaginado. Seria o relato de um homem desconhecido, mas que tinha grandes coisas a contar; um homem simples, elevado à condição de herói pelas suas atitudes e pelo ambiente épico que conseguia enxergar à sua volta durante toda a vida. Eu queria tornar aquele reles José num personagem à altura do homem que meu avô via nele mesmo, e que de certa forma todo ser humano vê em si próprio. Aos poucos, comecei a transcrever as fitas, pensando simplesmente em arrumar as histórias como ele as havia contado. Seria um relato em primeira pessoa, com as expressões e maneirismos da fala de meu avô. No entanto, aquilo não tomava corpo, e eu não sabia por quê. Era jovem demais, destreinado, e teimava que aquela tinha de ser a história de José Fiorini, contada por ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos que se seguiram, fiz algumas tentativas de arranjar aquele texto, pouco burilado em relação ao original. Mostrei-o a algumas pessoas, que jamais demonstraram grande entusiasmo. Por cerca de dez anos, aquilo permaneceu nas minhas gavetas, como um sonho de juventude, praticamente abandonado. Ainda mais quando meu avô veio a falecer, alguns anos depois, deitado em sua cama, numa noite em que se encontrava sozinho em casa, sem que alguém estivesse por perto para socorrê-lo. Muitas vezes pensei em como teria sido essa noite, o homem sozinho, diante da morte. E mais, diante da perspectiva do esquecimento eterno. Aquilo me deixou profundamente abalado e certo de que precisaria fazer alguma coisa para trazer aquele homem de volta à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mais tarde comecei a refletir que o romance só começaria realmente a se transformar em livro quando as histórias reais, contadas por meu avô, começassem a entrar no terreno da imaginação. Seria um passo difícil, porque não seria mais ele a narrar a história, mas eu a conduzi-la por meio dos seus olhos. Poderia aproveitar alguns trechos, idéias, personagens herdados do relato de meu avô, mas teria que inventar a maior parte de tudo, a partir de uma teia complicada, tecida por muitos personagens. A essa altura, eu já trabalhava há dez anos como jornalista; decidi abandonar um bom emprego como editor da revista Veja para que pudesse ter mais tempo de dedicação a escrever. Antes de voltar aos meus alfarrábios e às fitas de meu avô, procurei escrever algumas histórias curtas, como um treino para o trabalho que viria a seguir. Dois anos mais se passaram, até que eu me senti enfim à altura da história que considerava realmente grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então aconteceu um pequeno milagre. Tantas vezes eu já ouvira as histórias de meu avô, que sequer voltei a consultar minhas anotações. Elas haviam se incorporado a mim de tal forma que por vezes eu já nem distinguia mais o que ele havia me contado de minha própria imaginação. A narrativa corria fácil, surgiam personagens, novas tramas começava a tomar forma. Eu sabia aonde queria chegar, mas não imaginava quantos caminhos surgiriam até que todos os personagens pudessem encontrar o desfecho pretendido. O livro foi ganhando corpo. Saído do zero, em seis meses tinha mais de 100 páginas. Depois de um ano, estava quase pronto, com mais de trezentas páginas. Cansado, contudo, encerrei-o abruptamente e deixei-o dormir novamente. Tinha preguiça de encontrar aquela tarefa hercúlea outra vez pela frente; adiava-a, relutava. Retomei o trabalho somente um ano mais tarde, sem rever o início, puxando o fio onde a meada acabara, de maneira a enfrentar com fôlego o trecho final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminei, as histórias de meu avô já eram parte diminuta do conjunto do texto. Elas ganharam cores, outras histórias e novos sentimentos nasceram. Foi só então que percebi o que meu avô queria dizer, quando afirmava que aquele livro estava dentro de mim. Filhos da Terra, que então eu chamava apenas de Iusfen, o apelido doméstico de meu avô, não era um livro do desconhecido José Fiorini. Era o meu livro, sobre um homem chamado José Fiorini - um outro contador de histórias. E era um livro sobre todas as personagens que ambos vimos de forma material ou imaginária passando pela vida, como nós próprios. Com o desejo, muito íntimo, de que nossas histórias pudessem se cristalizar, registradas no papel, e ficar na memória de todos para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8101467982261024463?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8101467982261024463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/12/um-livro-curtido-no-tempo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8101467982261024463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8101467982261024463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/12/um-livro-curtido-no-tempo.html' title='Um livro curtido no tempo'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TQImDRnfBkI/AAAAAAAAAuw/stEpbE32esQ/s72-c/vovo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-4714758256368035404</id><published>2010-10-02T13:14:00.000-07:00</published><updated>2010-12-03T13:39:52.967-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Vinte anos atrás, os russos nem existiam. Isto é, existiam no seu mundo circunscrito, indecifrável. Ninguém fora da cortina de ferro - sim, eles eram tão fechados que se definia assim a situação - podia dizer que sabia ao certo como os russos eram.&lt;br /&gt;Para mim, a Rússia era a dos livros. De Miguel Strogoff, no Julio Verne, com ursos nas tempestades sobre os urais, estradas cortadas pelas rodas da quibitca, barqueiros com suas varas a deslizar pelo Volga, os tártaros a escalavrar a terra com a pata dos cavalos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi a Rússia romântica, do doutor Jivago e a loura Julie Christie como Lara, rosto perfeito emoldurado pelo chapéu de pele, os olhos azuis cálidos diante da neve, a simplicidade rústica da dacha onde tiveram seu refúgio de fugaz felicidade: a música de um lirismo arrebatador da balalaica. A Rússia dos girassóis e da Sophis Loren, que era italiana, mas estrelou um dos mais belos épicos do cinema. País de romances, de Karênina, de Dostoievski na sua casa de mortos, dos revolucionários bolcheviques, das tropas a descer militarmente as escadas, atropelando o povo no Potenkin. Dos palanques improvisados em os Dez dias que abalaram o Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha infância foi do homem na Lua pela primeira vez, e os russos não eram mais russos, eram soviéticos, a confederação comunista, e tinham chegado primeiro ao espaço: podiam inventar aqueles foguetes, eram uma potência política, econômica e social. Descobri quāo frágil pode ser uma potência, mesmo antes dela desmanchar ou cair como castelo de cartas. Mas ainda havia lá dentro a velha Rússia, aquela força dos cossacos a dançar agachados e de braços cruzados, a beleza poética das bailarinas do Beriozka a deslizar pelo palco sem mover as barras da saia, o mistério siberiano daquela vastidão que eu imaginava terminar em Vladivostok, aquele lugar que se supunha o fim do undo e que eu adorava dominar no jogo de dados e estratégia do War, um sucesso da minha infância (e de muita gente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rússia quem diria hoje é capitalista e vemos russos por toda parte, estive agora em Londres e havia deles por toda parte. Em Nova York são porteiros, encanadores; se vê de longe o russo, tem cara de mafioso, bêbado, ou ambos; as mulheres são de uma beleza rústica; ou não será nada disso, sou apenas eu a fantasiar aquilo que a gente não entende muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rússiandos sovietes e do ideal comunista da igualdade absoluta ruiu, e clom ela todas as cortinas, e onquense vou foi um êxodo de gente ignorante. E ávida de conhecer o mundo. Passaram vinte anos desde que o comunismonfaliune deunlugar a uma Rússia nao apenas visível como muito mais real, porém para mim encontrar um russo é ainda comonpresenciar uma espécie de milagre, da mesma forma que eu veria um alien ou outro ser improvável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rusos não existem, são fruto de imaginação, mas como dizem os italianos, sem serem verdadeiros, s&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-4714758256368035404?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/4714758256368035404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/10/vinte-anos-atras-os-russos-nem-existiam.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/4714758256368035404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/4714758256368035404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/10/vinte-anos-atras-os-russos-nem-existiam.html' title=''/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1910910905634968169</id><published>2010-09-18T06:48:00.000-07:00</published><updated>2010-10-27T19:49:42.071-07:00</updated><title type='text'>As virtudes superiores</title><content type='html'>Existem as grandes virtudes e as virtudes superiores. Um estágio mais avançado de sabedoria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As virtudes superiores não combinam com a juventude, demoram a ser alcançadas. Demandam tempo e experiência para se formar, por isso só vicejam na maturidade. E representam um novo tipo de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de descobrir o poder da palavra, aprende-se o poder do silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de querer ser alguma coisa, queremos ser nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de aprender a lutar, aprendemos a resignação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da volúpia, vem a moderação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de desenvolver nossos potenciais ao limite, temos de aprender a parcimônia e a modéstia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de desafiar, aprendemos a aceitar e conviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar da persistência, vem a temperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar das paixões e do amor, aprende-se amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não é envelhecer, é aprender. Quando jovens, somos menos humanos. Pensamos menos nos outros e mais em nós mesmos. Somos egoístas e acreditamos poder muita coisa. Descobriumos que antes de nós muitos já tentaram as mesmas coisas e mesmo as coisas mais impossíveis; que o sucesso em algo é apenas um recomeço para uma nova busca; que viver apenas para nós mesmos não faz sentido e todas as conquistas que servem apenas a nós se tornam vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envelhecer é se conformar, é desistir? Não. Podemos conseguir mais e melhores objetivos de outra maneira. Inclusive o de viver melhor e sermos mais felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa nova forma, podemos também ajudar mais os outros. A idade mostra que tudo o que fazemos não é para nós, ou pelo menos não deveria ser. Porque vamos embora um dia, e os outros ficam. Então, só há sentido real naquilo que fazemos para os outros. Não para sermos lembrados, mas como um benefício, um bem real, que mostra que a nossa presença fez alguma diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o homem se aproxima do limite da existência humana, vai mudando de valores, pois já não faz sentido disputar, guerrear, acumular riqueza; descobre que antes se debatia contra tudo, e agora quer seguir o leito do rio e entrar em harmonia com a existência para melhor aproveitá-la. Busca bens mais efêmeros, tanto quanto os duradouros, no seu dia a dia; como no sorriso, no abraço, na beleza do gesto. Quando já não temos muito tempo, aprendemos a paciência. Quando já não temos tanto vigor, admiramos e buscamos mais a força da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A virtude superior evita que se perca tempo ou nos distraiamos com embates e buscas inúteis. E nos preocupamos menos em educar do que em estar ao lado dos jovens. Dar o exemplo ou pregar é inútil. Os tempos mudam e cada geração tem sua própria sabedoria. Os utopistas do passado, aqueles que tentam algum tipo de conservação de valores, que buscam raízes num mundo existente somente nos livros de história, a pretexto de ensinar, são os verdadeiros velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sabedoria está em não deixar de ser quem você é e mesmo assim ser alguém capaz de mudar com o tempo, adaptar-se, sem queixas nem melancolia. Continuar como uma força transformadora, porque se os tempos mudam, é por conta daqueles que um dia já foram jovens e vão envelhecendo. Os homens reclamam muito que os tempos mudaram, sem dar-se conta de que foram eles mesmos que os mudaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são os melhores anos, sempre, aqueles que virão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1910910905634968169?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1910910905634968169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/09/as-virtudes-superiores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1910910905634968169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1910910905634968169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/09/as-virtudes-superiores.html' title='As virtudes superiores'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-7913716176183269439</id><published>2010-09-07T07:12:00.000-07:00</published><updated>2010-09-07T07:26:09.020-07:00</updated><title type='text'>O que significam os desenhos?</title><content type='html'>O que passa na cabeça ao desenhar e explica os desenhos.&lt;br /&gt;Virgulino: na época eu escrevia o romance Amor e Tempestade, no qual o célebre capitão surge como personagem, senti vontade de criar uma imagem dele por alguma razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porquinho: escrever sobre o sertão me lembrou vias secas, como Graciliano já tem a cachorra Baleia me ocorreu o porquinho sofredor sob o sol inclemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cama com lençol de rosas: na verdade é um auto-retrato escrevendo no frio de 13 graus negativos de Manhattan sob um edredon que minha mulher comprou no Soho; estava na vitrine sob um retrato da Mirilyn Monroe e lembro muito bem não somente por causa da Marilyn como pelo fato de ter custado 500 dólares.&lt;br /&gt; caravela: adoro caravelas, velas enfunadas me dão ideia de liberdade, exploração, conquista do mundo. Vivo desenhando isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeio ao lado do Hudson: onde caminhávamos quase todos os dias, ficava ao lado de casa, no Battery Park City.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loirinha brava: ninguém em especial, apenas a fúria feminina em estado puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feto com o coração: minha mulher estava grávida, acho que eu até sonhava com isso, é o primeiro retrato do Guinho (baseado num ultrassom).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua que termina no rio: vista da janela do nosso quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto gordinho: começou com apenas um círculo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-7913716176183269439?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/7913716176183269439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/09/o-que-significam-os-desenhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7913716176183269439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7913716176183269439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/09/o-que-significam-os-desenhos.html' title='O que significam os desenhos?'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-2131672037888580027</id><published>2010-09-07T06:13:00.000-07:00</published><updated>2010-09-07T07:10:23.866-07:00</updated><title type='text'>A mente livre</title><content type='html'>Quando eu estava no segundo primário, no extinto Colégio Aclimação, uma agradável casarão na Rua Loureiro da Cruz em cujo vasto terreno há hoje um imenso condomínio vertical, adorava a aula de desenho e especialmente um momento da aula de desenho: explorar o livro Criatividade. Tinha páginas coloridas, cada uma com uma função. Havia as amarelas, laranjas e assim por diante; foi ali que li pela primeira vez os microcontos de Cortázar com seus cronópios, bichinhos imaginários, e outras histórias que povoavam a imaginação. Na página azul, era descansar. As páginas brancas, se não me engano, eram para fazer o que queríamos: um estímulo a correr os lápis livremente sobre o papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje gosto desse exercício. Deixar a mente correndo livre sobre o papel. Saem garatujas, desenhos, linhas, palavras: é quase uma necessidade de descarregar o que há dentro da cabeça, e isso me faz um bem enorme. Tenho muitos caderninhos que levo comigo cheio de anotações, ideias para livros, projetos impossíveis, plantas de casas que jamais construirei, frases lembradas ou inventadas, rabiscos sem sentido e muitos desenhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Nova York, em 2006, ganhei de presente de uma amiga uns pincéis coloridos adoráveis e comecei a fazer cenários da cidade com cor. Ficaram como pequenos retratos daquele período da vida e da família, que reproduzo abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espaço livre para criação não é só escrever: assim é que a gente funciona, movidos pela necessidade obsessiva de expressão, sem a qual entupimos ao ponto de explodir, a forma mais certa de loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZHqPxsdjI/AAAAAAAAAuQ/TJi0KEAbPBk/s1600/campo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZHqPxsdjI/AAAAAAAAAuQ/TJi0KEAbPBk/s320/campo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514173584876795442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZE8iMnlOI/AAAAAAAAAuA/HNNFNmUYD0A/s1600/porquinho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZE8iMnlOI/AAAAAAAAAuA/HNNFNmUYD0A/s320/porquinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514170600524322018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZEe05SjyI/AAAAAAAAAt4/sJxV3dmEWMc/s1600/30abril2006+019.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZEe05SjyI/AAAAAAAAAt4/sJxV3dmEWMc/s320/30abril2006+019.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514170090147450658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZArq6x__I/AAAAAAAAAtw/kAP1yNVxPg4/s1600/boul.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZArq6x__I/AAAAAAAAAtw/kAP1yNVxPg4/s320/boul.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514165912761139186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZAL81eXuI/AAAAAAAAAto/jelEYUHobuE/s1600/30abril2006+020.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZAL81eXuI/AAAAAAAAAto/jelEYUHobuE/s320/30abril2006+020.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514165367814905570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY_NwJDr0I/AAAAAAAAAtY/ctVS02KfbyY/s1600/30abril2006+018.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY_NwJDr0I/AAAAAAAAAtY/ctVS02KfbyY/s320/30abril2006+018.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514164299255492418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY-003Tl1I/AAAAAAAAAtQ/JZypKx_KIh8/s1600/30abril2006+017.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY-003Tl1I/AAAAAAAAAtQ/JZypKx_KIh8/s320/30abril2006+017.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514163871026485074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY-ktsacOI/AAAAAAAAAtI/5tkcKNI6Xww/s1600/30abril2006+014.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY-ktsacOI/AAAAAAAAAtI/5tkcKNI6Xww/s320/30abril2006+014.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514163594223841506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY-adXog7I/AAAAAAAAAtA/CfaVlCne-Vo/s1600/30abril2006+013.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY-adXog7I/AAAAAAAAAtA/CfaVlCne-Vo/s320/30abril2006+013.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514163418043024306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY-QDUQ5JI/AAAAAAAAAs4/c5dQldbbHOI/s1600/30abril2006+011.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY-QDUQ5JI/AAAAAAAAAs4/c5dQldbbHOI/s320/30abril2006+011.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514163239250879634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY9O8hhknI/AAAAAAAAAsw/yzH_GR-y1Hw/s1600/30abril2006+008.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY9O8hhknI/AAAAAAAAAsw/yzH_GR-y1Hw/s320/30abril2006+008.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514162120735953522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY9ClPPkKI/AAAAAAAAAso/efJajMFuKBM/s1600/30abril2006+007.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY9ClPPkKI/AAAAAAAAAso/efJajMFuKBM/s320/30abril2006+007.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514161908326830242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY82XxHOXI/AAAAAAAAAsg/fBAdIoWalFk/s1600/30abril2006+005.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY82XxHOXI/AAAAAAAAAsg/fBAdIoWalFk/s320/30abril2006+005.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514161698552363378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY8o9czATI/AAAAAAAAAsY/8nMJCOTKGeQ/s1600/30abril2006+003.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIY8o9czATI/AAAAAAAAAsY/8nMJCOTKGeQ/s320/30abril2006+003.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514161468149530930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-2131672037888580027?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/2131672037888580027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/09/mente-livre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2131672037888580027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2131672037888580027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/09/mente-livre.html' title='A mente livre'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TIZHqPxsdjI/AAAAAAAAAuQ/TJi0KEAbPBk/s72-c/campo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-757234415757594854</id><published>2010-08-23T16:29:00.000-07:00</published><updated>2010-08-24T02:56:52.858-07:00</updated><title type='text'>Meu romance preferido</title><content type='html'>&lt;A href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/THMMjqa8r_I/AAAAAAAAAsQ/rOTe1Y-PHz8/s1600/camo.jpg"&gt;&lt;IMG id=BLOGGER_PHOTO_ID_5508760576026521586 style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/THMMjqa8r_I/AAAAAAAAAsQ/rOTe1Y-PHz8/s320/camo.jpg" border=0&gt;&lt;/A&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem os livros preferidos dos leitores. E os preferidos de um autor, entre seus próprios livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem pergunta qual de meus livros é meu preferido, uma só resposta: Campo de Estrelas. Talvez não seja meu melhor livro, em técnica, resolução ou mesmo ambição. Certamente é o que foi pior lançado. Todos os romances de um autor falam ao seu coração. Ele é meu preferido por uma só razão: as pessoas que envolve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira delas: meu pai. Claro que o pai do livro, inspirado nele, é quase ele. Claro que a viagem do livro, entre pai e filho que juntos rumam por terra a Macchu Picchu, foi também uma viagem de verdade. Coisas da literatura, a fantasia que acrescentei ao romance às vezes me parece muito real, tanto quanto a realidade pode parecer às vezes fantástica ou fantasiosa. O mendigo misterioso, travestido de rei em farrapos, foi um personagem que vimos de fato em La Paz. Que eu e ele não esquecemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai diz que não se lembra de detalhes que eu conto no livro. Fatos que eu tenho como reais podem ser mesmo fruto da imaginação. E ele lembra de coisas que já me escapam. Nunca saberemos ao certo. Já lá vão mnuitos anos, há a traição da memória e a diferença de pontos de vista. Mas foi estranho esse encontro de memórias por meio do livro. Foi estranho o simples fato de meu pai ter lido o livro. Ele, que me fazia ler todas as noites, antes de dormir, quando eu era um projeto de gente (ainda sou).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, meu pai lendo um livro que escrevi. E, depois de ler, me deixou uma mensagem. Esta: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Querido filho, prezado autor Achei lindo e comovente este final. É claro que sou suspeitíssimo não apenas por ser personagem, companheiro de personagem e pai do autor. Mas sobretudo admirador do estilo e sobretudo da coragem de se revelar publicamente. Fica sendo um livro de aventuras, diário de viagem, literatura juvenil, novela romântica, tudo dependendo da página em que o leitor estiver." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro personagem caro do livro é o do médico, identificado como Roger. Houve um Roger de verdade - Eric Roger Wroclavski, que tratou do pólipo na bexiga de que fui vítima, me salvando a vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eric morreu há cerca de um ano, vítima de câncer na próstata, que descobriu quando já era tarde demais - ironia cruel, caiu pela doença que tratava. Eric era um herói, que lutava diariamente acima de forças humanas para salvar a quantos pacientes podia. Não sabiamos que ele mesmo sofria do mal que combatia diariamente, pois a ninguém contou da doença. Nem à família. Nem aos médicos que com ele trabalhavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao hospital visitá-lo. Li para ele os trechos do livro em que aparece. Achou que eu devia ter posto o nome dele de verdade. Se eu soubesse o que ele sabia, pensei, teria escrito um romance muito melhor. Nem o mais imaginativo ficcionista poderia imaginar que o médico estava mais doente que o pacioente, e as perguntas que me fazia sobre a vida, literatura e como encarar a vida tinham para ele interesse capital. Comungávamos do mesmo medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de saber que ele era um homem marcado para morrer desde o início (ficamos doentes na mesma época), todas as nossas conversas ganharam para mim um novo sentido. "Você devia ter me contado", disse eu. Eric riu. Mal se movia na cama, e riu. Eric salvava vidas, mas só temporariamente. Só os livros podem eternizar realmente as pessoas. Essa é a pretensão da literatura - perenizar estrelas tão fugazes com um brilho capaz de ficar no tempo. O sentido desse meu Campo de Estrelas, onde está reservado lugar para todos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-757234415757594854?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/757234415757594854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/meu-romance-preferido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/757234415757594854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/757234415757594854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/meu-romance-preferido.html' title='Meu romance preferido'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/THMMjqa8r_I/AAAAAAAAAsQ/rOTe1Y-PHz8/s72-c/camo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-237312814894500788</id><published>2010-08-16T16:51:00.001-07:00</published><updated>2010-08-17T03:14:12.586-07:00</updated><title type='text'>A Flip do povo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TGnUYMlGRDI/AAAAAAAAAsI/KKu8T9Drx0g/s1600/povona+rua.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506165531595916338" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 275px; CURSOR: hand; HEIGHT: 191px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TGnUYMlGRDI/AAAAAAAAAsI/KKu8T9Drx0g/s320/povona+rua.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Durante cinco dias Paraty foi capital, tomada de assalto pela Flip, que invade suas calçadas centenárias, suas casas ancestrais e sua geografia congelada no tempo para um espantoso evento cultural. Saem de seus tugúrios em todo o mundo os autores convidados, desembarcam na cidade com sua bagagem desajeitada, en vans que se aproximam do alvo pulando nas pedras feitas para incomodar estrangeiros e invasores, mais do que favorecer a visitação; e o povo acorre em massa para ver aquela gente estranha, com ideias velhas e novas, importantes e inúteis, agudas ou enfadonhas; uns para aprender, neste país cuja sede de saber é proporcional à nossa imensa ignorância, outros apenas para aparecer, ou estar perto de algum centro de acontecimentos; uma cidade é transformada em vitrine, com todos os cantos vigiados pela imprensa, grande circo armado ao redor das tendas armadas com precisão de primeiro mundo. Filas para comprar livros, gente de mão no queixo, embasbacada diante de tanta inteligencia: é o Brasil andando, o Brasil ao qual só falta educação para decolar rumo ao verdadeiro progresso, o Brasil lindo e trigueiro da música proverbial. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Como a Fórmula 1 do saber, o circo se instala; flanam pela cidade aqueles estrangeiros de todos os matizes, autores desembarcados de outro planeta, jornalistas, editores, assessores para tudo; vagueiam com suas dúvidas, suas ânsias, sua pressa, suas questões metafísicas, sua insônia permanente, suas psicoses, sua vontade de mudar, sua esperança cetica de que num encontro de cabeças brilhantes alguma faísca de progresso se possa produzir como que por milagre; são uns crentes, os intelectuais. Desfilam suas certezas inócuas, sua vaidade anacrônica num anfiteatro onde esquecidos da cultura ganham de novo súbita importância, devolvidos à notoriedade; e quando chega o domingo, tomam suas malas e embarcam de volta para a sombra das vans, para suas noites de insônia solitária, enquanto as centenas de pessoas invisíveis, aquelas que até então estavam no segundo plano, aquelas que chamamos de povo, que nesses dias paracem ocupar anonimamente a praça, invisíveis para a mídia, para aqueles alienigenas céleres e efêmeros, as pessoas que fazem número, a massa informe à qual ninguém até então havia prestado atenção, retoma o controle de seus território, e a cidade é tomada pelo batuque de escola de samba; a alegria se espalha, como se sentisse novamente livre para ficar à vontade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O povo volta a ser ele mesmo, distante das ideias, distante do que leva aquela gente ensimesmada a tantas perguntas, e portanto a tantas angústias; a alegria pura e simples retoma seu espaço, enquanto os varredores de rua jogam em sacos de plástico preto os restos de festas desesperadas, esforços inúteis, das utopias elitistas, das mais ilustradas ilusões.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-237312814894500788?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/237312814894500788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/os-protagonistas-invisiveis_16.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/237312814894500788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/237312814894500788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/os-protagonistas-invisiveis_16.html' title='A Flip do povo'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TGnUYMlGRDI/AAAAAAAAAsI/KKu8T9Drx0g/s72-c/povona+rua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-2806023647193441293</id><published>2010-08-03T10:17:00.000-07:00</published><updated>2010-08-03T10:20:26.029-07:00</updated><title type='text'>Faz tempo</title><content type='html'>Faz tempo que não escrevo, então deu vontade de rabiscar alguma coisas boba, machucar a página em branco com riscas de giz colorido, aquelas que  dão aquele arrepio de aflição e deixam as mãos sujas e um rastro de pó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-2806023647193441293?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/2806023647193441293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/faz-tempo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2806023647193441293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2806023647193441293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/faz-tempo.html' title='Faz tempo'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-276392083988807552</id><published>2010-08-03T10:15:00.000-07:00</published><updated>2010-08-03T10:17:03.078-07:00</updated><title type='text'>Os três fatores</title><content type='html'>O sucesso literário depende de talento, esforço e sorte. Tenho a esperança de que ainda venha o talento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-276392083988807552?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/276392083988807552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/os-tres-fatores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/276392083988807552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/276392083988807552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/os-tres-fatores.html' title='Os três fatores'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1948568788346015615</id><published>2010-08-03T10:13:00.000-07:00</published><updated>2010-08-03T10:15:44.475-07:00</updated><title type='text'>Vivendo e aprendendo</title><content type='html'>Primeiro se aprende a viver; depois, a não matar; então é preciso aprender a viver com a morte; por último, é preciso aprender a morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabedorias chinesas que se aprende vendo o seriado Kung Fu em vídeos da minha geração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1948568788346015615?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1948568788346015615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/vivendo-e-aprendendo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1948568788346015615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1948568788346015615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/08/vivendo-e-aprendendo.html' title='Vivendo e aprendendo'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-537277484209074819</id><published>2010-07-03T16:20:00.000-07:00</published><updated>2010-07-03T16:54:43.095-07:00</updated><title type='text'>O país da alegria</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC_J5RN5rvI/AAAAAAAAAsA/XWEx9wrpnyk/s1600/2010.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489828456499359474" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 116px; CURSOR: hand; HEIGHT: 57px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC_J5RN5rvI/AAAAAAAAAsA/XWEx9wrpnyk/s320/2010.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Perdemos outra Copa em 2010; o Brasil tinha um técnico arrogante, um time confiante, que se dizia "um grupo fechado", e que de fato não deixou entrar mais ninguém; que não falava com a imprensa, movido por uma solidariedade interna que, em caso de vitória, teria sido força, mas na derrota fiocu só isolamento, só teimosia, só presunção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Penso que o Brasil precisa continuar Brasil, humilde, mesmo no futebol. As crianças aqui já não aprendem a jogar em campo de terra, com bola de meia, ou de capotão; jogador de futebol é profissão séria, embora se comece nisso tão cedo; profissional não pode ser jovem, não pode fazer bagunça, nem tem muita liberdade; é uma máquina de ganhar dinheiro, produto de exportação, e sofre muita cobrança, há muita pressão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porém, não perdemos nossa alma: temos ainda aquela mistura, aquela reunião de talento, de garra, de força, de criatividade, de flexibilidade, de capacidade de mudança, de espírito de luta. Sabemos que não ganhamos sempre, mas que sempre seremos os que podem ganhar mais vezes. Sabemos que, mesmo após a derrota, a vida vai continuar. E que voltaremos a ganhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não há ninguém no mundo melhor que o brasileiro para fazer a tristeza ir embora, não só em letra de samba, mas na vida real; já perdemos outras vezes e sabemos nos levantar; esse é um povo onde a alegria é inerente, fazemos piada e seguimos adiante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há quatro anos, meu filho estava dentro da barriga da minha mulher. Minha mãe estava com câncer e eu voltava para o Brasil por ela e por mim, em busca dos amigos, dos parentes, de amor e de raiz. Quatro anos depois, meu filho nasceu, cresceu, já grita "basil!", chuta forte com o pé direito, corre com a bola nos pés, faz ela parar, ajeita-a para bater, agita a bandeira nacional. Minha mãe faleceu há dois anos, mas teve a oportunidade de ver o primeiro neto nascer, e depois o segundo, meu sobrinho Theo. Pudemos eu e minha irmã lhe dar essa alegria, em meio ao tormento da luta contra a doença. Hoje, ao ver meu filho com uma camisa amarela da seleção que serviria num urso de pelúcia, choro ao pensar em como ela ficaria emocionada ao vê-lo assim; ela que também chorou quando leu o primeiro boletim escolar do neto; ela que tanto amava o Brasil; ela que, mãe e professora primária, me ensinou a escrever. Ela que acreditava que a educação mudaria este país, um desafio que ainda está diante de nós. Ela que torcia apaixonadamente pela seleção, porque para minha mãe, mais que qualquer coisa, fosse torcendo pelas meninas e meninos do volêi, do basquete, de qualquer esporte, a seleção era o Brasil, o Brasil a seleção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha mãe não pode ver esta Copa; essa foi a primeira que vi sem sua força, sua alegria, sua ama brasileira; minha mãe cantava, dançava, era Brasil e carnaval; tinha luz na alma e olhos verde-amarelos como os meus e como a bandeira nacional. Seus netos correram e pularam por ela, mesmo sem ainda entender perfeitamente a fuzarca que vira esse país nos momentos de Copa. Sim, minha mãe teria chorado com a derrota da seleção, como agora eu choro, por ela e por mim; mas a Copa também nos faz olhar para a frente, para as crianças que estão no nosso regaço, que pelo menos por algum tempo ainda jogam bola como antigamente, sem pensar em mais nada, apenas na alegria lúdica do esporte, com seu sorriso de que não conhece tristeza - aquela inocência fundamental que não devíamos perder jamais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;*&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Penso que tudo o que fiz foi bem feito; fico feliz por ter dado a minha mãe algumas de suas últimas alegrias; de fazer este país ter futuro, não só por ações, mas com esta criança que não conhece as regras do jogo, mas já intui os mistérios da bola; e penso que todo egoísmo é inútil, vivemos não para nós, mas somente para os outros; a vida se acaba e só viver para os outros hoje para mim faz sentido, porque são sempre os outros que ficam, sucessivamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vivo hoje para os outros e acho que o Brasil devia ser assim também; porque nós ficaremos, mas o Brasil seguirá adiante; que a nossa próxima seleção esteja mais ao lado do povo, porque é para o povo, para o país, que essa alegria devia servir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-537277484209074819?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/537277484209074819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/07/o-pais-da-alegria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/537277484209074819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/537277484209074819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/07/o-pais-da-alegria.html' title='O país da alegria'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC_J5RN5rvI/AAAAAAAAAsA/XWEx9wrpnyk/s72-c/2010.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-3195010826480895087</id><published>2010-07-03T16:00:00.001-07:00</published><updated>2010-07-03T16:19:25.101-07:00</updated><title type='text'>O futuro pela frente</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC_DzdToQsI/AAAAAAAAAr4/0jlevArHMac/s1600/2006.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489821759595627202" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT: 81px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC_DzdToQsI/AAAAAAAAAr4/0jlevArHMac/s320/2006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estávamos em Cancun; cada momento era especial; estávamos voltando de Nova York, onde moráramos por um ano; minha muher tinha aquela barrigona gostosa das grávidas, esperava nosso filho, gestação de oito meses; uma parada em cancun de férias, estágio para voltar ao Brasil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E havia tanto em jogo para nós. Sair de um país que na época tratava muito mal as pessoas, mergulhado numa era de tensão, herança ainda da paranoia deixada pela destruição kamikase das torres gêmeas; a vontade de ver meu filho nascer no Brasil, depoisde um período que só me dera a certeza final de que este é o melhor país do mundo; viver de novo perto dos amigos e da família; dar a minha mãe, doente de câncer, a alegria de ver o neto nascer e conviver com ele pelo tempo que pudesse; olhar para o futuro, voltar ao trabalho, que eu não pudera exercer direito em território americano, onde tive muitos momentos felizes, mas também me sentia como um exilado espiritual.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E o Brasil perdeu da França, como se perde em mundiais: num lance só, aquele que nos deixa atônitos, que reverte expectativas. sair da Copa é como uma batida de carro: acontece de repente, sem que entendamos bem por quê, está tudo normal e bumba! - nos vemos apenas diante de destroços. E foi assim daquela vez, não há como explicar a derrota, não jogamos mal, nem pior que o adversário, apenas perdemos; uma bola cruzada na área, o pé do atacante francês, a bola na rede. E de nada adiantou a volúpia posterior, a lutar desesperada e inglória que como o canto do cisne se sucede aos golpes mortais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Brasil perdeu, mas ainda tive a alegria de torcer pela Itália, minha segunda pátria, e a vi sagrar-se campeã, mesmo com seu velho futebol retranqueiro; há na Itália sempre algo de glória naquela capacidade de resistência, de superação, que a enobrece; não há beleza no futebol italiano, mas ele se torna uma ópera pela dramatização; vencer com parcos recursos, a nobreza na sua cabeça erguida, sua maneira de desafiar os gigantes, como fizera com o Brasil em 1982, esse é o orgulho italiano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E lá estava eu, diante do mar azul cerúleo, levando para casa o meu amor, feito em dois, com sua barriga lustrosa e já com aquela cara redonda e bonachona de mãe; andávamos pelas areias brancas, entrávamos no mar; vimos à noite uma tartaruga que saía do mar para por ovos, outra mamãe a aportar; andávamos de mãos dadas, numa lua de mel gestacional, rindo das malas pesadas que enchiam o quarto; malas que eram não de turistas, mas de mudança, que aterravam os carregadores. Aqueles mexicaninhos simpáticos ficavam vermelhos até estourar, quando punham as valises na van: "que hay dentro, arena?" - disse um.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Brasil perdeu a Copa, mas eu ria, estava feliz como nunca, estourava de felicidade, podia perder todas as Copas do Mundo, sem me importar: ia ver o Brasil, desfrutar o Brasil, rever os entes queridos; o Brasil livre era o melhor país do mundo, eu ia salvar minha mãe com amor, eu ia salvar a mim mesmo com amor, e havia de novo todo o futuro pela frente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-3195010826480895087?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/3195010826480895087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/07/o-futuro-pela-frente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3195010826480895087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3195010826480895087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/07/o-futuro-pela-frente.html' title='O futuro pela frente'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC_DzdToQsI/AAAAAAAAAr4/0jlevArHMac/s72-c/2006.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-137042760553607606</id><published>2010-07-03T14:56:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T08:27:31.394-07:00</updated><title type='text'>Campeões no coração</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC--VrTYyiI/AAAAAAAAArw/RPkRat2ZfBA/s1600/82.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489815750398495266" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 123px; CURSOR: hand; HEIGHT: 81px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC--VrTYyiI/AAAAAAAAArw/RPkRat2ZfBA/s320/82.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Copa de 1982 será para sempre a lembrança de como éramos jovens, de como éramos fortes, e de como lutar contra o destino, as impossibilidades, os golpes da vida fazem da era romântica também a mais sublime.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em 1982 eu estava na faculdade, fazia Ciências Sociais à tarde, Comunicação pela manhã, ambas na USP. Passava meu dia na universidade, com suas alamedas, sua calma de fazenda, apenas aparente; naquele tempo a escola fervilhava, eram assembléias de estudantes mobilizados contra o final da ditadura, ainda havia greves, manifestações, a vida tinha um sentido político de mobilização em nome de algo melhor: a democracia purificadora de 30 anos de ditadura militar, de porões sangrentos, de censura à imprensa, sem voto nem liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Diferente da geração de nossos pais, que tinham visto o golpe militar nascer e o enfrentaram como podiam, éramos uma geração que não queria as armas, o confronto, mais sofrimento; queríamos apenas a paz e a liberdade com a certeza das coisas irrecorríveis e inevitáveis, a certeza de que nenhum mal, nenhuma arbitrariedade, nenhuma violência faz sentido, por isso não pode triunfar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro de deixar as aulas convocado de repente para ocupar o restaurante, uma forma de criar caso muito em uso na época; lembro de ocupar a reitoria, centenas de estudantes sentados no amplo salão de entrada; lembro de estar sentado no chão no extremo daquela massa de gente, separado de um batalhão da Polícia Militar, armado como um exército, apenas por uma porta de vidro; podia olhar nos olhos dos policiais a centímetros de distância, quase sentir seu hálito do outro lado daquela tênue separação dos dois lados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Infernizámos a reitoria e os dirigentes de toda espécie porque suas medidas atrabiliárias se confundiam com o clima de repressão geral; o Brasil começara desde 1974 a era da distensão dita gradual, mas vivia ainda sob um governo militar, eleito fajutamente num Congresso manipulado. Éramos jovens, queríamos a paz em paz, repito, mas queríamos mudar. E não aceitávamos nada imposto, tínhamos de participar, aquela era a verdadeira abertura, não só política, mas abertura de nós mesmos; descobríamos nossas ideias, nossas vontades, nossos desejos, nossas paixões, nossos ideais, descobríamos o sexo, o corpo e as sensações que davam um sentido literal, ao mesmo tempo amplo e profundo, do que se chama de universidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era o começo do movimento que daria nas multidões que correriam as ruas clamando por eleições diretas, o histórico movimento das Diretas-Já, marco da democracia no Brasil e da história futura do país, fincada na liberdade e numa espírito pacífico, porém determinado, que recolocou o Brasil no seu caminho como Nação e lhe deu um lugar de tolerância, respeito à diversidade, defesa da liberdade e exercício pleno da vida perante todo o planeta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje pode parecer exagerado dizer isso, mas a grandiloquência fazia parte daqueles dias; éramos jovens, repito, e sonhávamos com dias melhores; víamos os nossos pais sofridos, o país massacrado por uma guerra silenciosa e cotidiana, e queríamos mudanças ao lado deles, com eles e por eles; não esperaríamos outra geração para ver realizados nossos projetos de liberdade, progresso e paz; não queríamos um Brasil melhor para nossos filhos, mas para nós.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo isso estava em jogo naquele congresso de estudantes de comunicação em Florianópolis, uma semana de retiro, numa espécie de república estudatil instalada na universidade federal, cujo campus virou uma cidade-Estado, com leis e vida próprias. Dormíamos no chão, amontodos em salas de aula; namorava-se no meio dos outros, livremente, entre os corpos deitados na penumbra, nos corredores, no gramado; nos debates havia os que se empenhavam em parecer sérios e aqueles que, desdenhando da política, não deixavam de fazê-la; era um tempo de rebeldia, não apenas contra as instituições fraudadas, mas contra tudo, rebeldes contra a própria rebelião.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ali discutíamos como se tivéssemos o poder de mudar tudo (e hoje vemos que mudamos: no Brasil democrático, que desfruta e crescimento continuado, de uma paz duradoura, de constituição sólida. Mesmo que ainda com graves problemas sociais que somente com muitos anos e educação poderemos ir sanando eu vejo que mudamos.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não havia ainda em vista a eleição direta para presidente, nem a Constituição-Cidadão de 1988, que restabeleceu a democracia no Brasil; mas a semente estava lá, no clima acalorado dos debates, mas na maneira da juventude mudar as coisas, com sorrisos no rosto, bandeiras de liberdade, abraços inesquecíveis de amizade e amor, momentos que não se perderam no tempo, porque estão hoje em dia em cada brasileiro que pode ser livre e ter uma vida melhor, ainda que não saiba direito a quem deve tudo isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como um símnbolo de tudo isso, havia a seleção; era uma seleção nova, forte, vibrante, jovem. Era uma reunião de talentos, uma expressão de vitalidade e de arte como não se via desde 1970; era uma seleção de craques, que jogavam um futebol vistoso e que, como nós, tinham por dentro a certeza da invencibilidade. Talvez fosse melhor até que a de 1970; não tinha Pelé, porém tinha mais craques; no meio de campo, reunia-se uma constelação de jogadores que parecia uma seleção de todos os tempos, com Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era um time de sonhos que fazia a bola rolar preciosamente, uma equipe de zéfiros, que não conhecia outro resultado senão a goleada, que fazia a torcida vibrar de orgulho e paixão. Era um Brasil novo que surgia, resgatava o que este país tinha de melhor, devolvia o orgulho de ser brasileiro, depois de anos de derrota, que nos havia mantidos distante do sonho então mnuito possível de sermos campeões, de sermos plenos, da mesma forma que o Brasil demorava a se tornar o gigante que surgiria assim que pudesse ser livre outra vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E lá fomos nós, a república da juventude, para o salão da universidade, não lembro em que lugar, só do grande salão com um aparelho de TV improvisado em cima de uma mesa, diante dele a multidão de faces cheias de certeza; gente de pé, sentada, de joelhos, abraçada; começou o jogo como todos os outros, aquele time só dava exibições de gala, aquele time goleava, aquele time jogava bonito, aquele time era vencedor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a festa prosseguiu, até que, como um raio que cai num dia de azul esplendoroso, a Itália fez dois gols; o jogo terminou e a platéia, assim como o Brasil inteiro, ficou muda; aquilo não podia estar acontecendo, era mentira; como era ilusão o próprio estádio Sarriá, era ilusão toda a Espanha. O destino não podia ceifar a alegria daquela forma, aquela certeza; éramos os melhores, merecíamos a vitória; jogamos melhor, fomos belos, fomos bravos, fomos fortes, e mesmo assim perdemos, em dois lances casuais, numa prova cabal da arbiotrariedade da vida, uma arbitrariedade cruel e acachapante que nos deixou massacrados, como se repente tivesse caído uma laje de concreto sobre nossas cabeças.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saímos dali atordoados; centenas de estudantes,subitamente abalados em todas as nossas certezas; se naquele momento o entusiasmo da seleção e de todo um país estavam tão juntos, um baque daqueles punha abaixo nosso amor próprio, nosso futuro, a esperança nacional; era um golpe terrível, e não sei o que me fez caminhar para aquele lugar, como caminhamos; aos poucos foram chegando todos, nos reencontramos no lugar menos provável daquele dia: uma campo de futebol.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O campo da universidade de Florianópolis nunca viu um jogo como o daquele dia: vinte e dois jogadores, que corriam chorando, a descarregar a raiva, a tristeza, a angústia; como se pudessem mostrar como se fazia, tornar certo o que dera errado; repor algo, não no campo da batalha perdida de Sarriá para os algozes italianos, mas na nossa própria alma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro que atirei longe o tênis, queria sentir a terra, queria os pés feridos de bater na bola de couro com todas as forças, queria correr à exaustão, exorcizar aquela tristeza, desabafo convertido em esforço; gastar-me até não ter forças para nada, nem para sentir; vencer a dor da alma pela exaustão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E me lembro de nunca jogar futebol tão bem na vida, tão bem que poderia ter estado perfeitamente no Sarriá; pegava a bola na defesa para dar início às jogadas, distribuía o jogo no meio de campo, lançava, surgia na área, fiz vários gols. Corria como um guerreiro etíope, flutuando sobre o chão, sem esforço, sem suor, sem cansaço; com cinco graus de miopia, e sem os óculos, via tudo, mesmo sem enxergar nada; despachava lançamentos de longa distância, fazia passes em profundidade, como se dotado de um radar de morcego; fomos assim sem ver o tempo, até que caiu a noite, até que, extenuados, olhamos uns para os outros, não totalmente vingados, não totalmente satisfeitos, não totalmente consolados, herdeiros daquela fúria que ainda posso sentir hoje, moídos, doídos como se tivéssemos também participado daquela batalha, dividindo aquele momentos irmanados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, o Brasil tinha perdido um jogo, mas não saíra derrotado; a beleza daquele dia seria lembrada para sempre, a derrota só aumentava aquela chama, porque sabíamos que não podíamos jogar fora aquela força plena, ela ainda triunfaria, ainda nos levaria um dia à realização dos grandes sonhos, só não podíamos desistir, sim, só tínhamos de continuar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-137042760553607606?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/137042760553607606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/07/campeoes-no-coracao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/137042760553607606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/137042760553607606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/07/campeoes-no-coracao.html' title='Campeões no coração'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TC--VrTYyiI/AAAAAAAAArw/RPkRat2ZfBA/s72-c/82.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-946828689648356462</id><published>2010-06-28T00:08:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T07:51:25.960-07:00</updated><title type='text'>Nunca como antes</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TChQb5I9_HI/AAAAAAAAAro/SIGv78y7UY4/s1600/1970.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487724586076077170" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 86px; CURSOR: hand; HEIGHT: 129px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TChQb5I9_HI/AAAAAAAAAro/SIGv78y7UY4/s320/1970.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Copa o Mundo é também um marco da vida da gente e de uma época. Lembramos das Copas pelas quais passamos e vemos como o tempo muda, como mudamos nós. É como um passeio afetivo pelo baú da memória das épocas e das nossas épocas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A primeira Copa de que me lembro é a 1970. Eu tinha seis anos de idade, morava no apartamento térreo de um prédio na Liberdade, onde nasci. No final da Rua dos Estudantes, na vizinhança dos inferninhos, já na Baixada do Glicério, como chamava minha mãe, com rancor, que enchia d' água no verão, pelo transbordamento do Tamanduateí. Foi o último ano em que moramos lá, num tempo em que os coreanos começavam a invadir o bairro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca haverá outra Copa como a de 1970. Uma das razões era o time do Brasil, de futebol bonito, com Pelé no seu auge - nunca haverá outro Pelé. Mas houve mais, foi a primeira Copa que todos (ou muita gente, porque não havia tantos aparelhos como hoje em dia) podiam assistir pela televisão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A transmissão ao vivo com imagem foi para a época uma revolução. Uma Nação eletrizada como se estivesse no México. Motivada pela maior campanha de propaganda da história. "90 milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração!" dizia a música que ficou na cabeça e quem viveu esse tempo não esquece (meu Deus, hoje já somos quase 200 milhões).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro do Brasil já estar ganhando, a TV preto e branco de encontro a uma parede nua, minha tia Malfisa entrar em casa com um bando de amigos com cornetas, bandeiras e copos de cerveja dançando nas mãos. O jogo nem havia terminado, mas o Brasil ganhava com facilidade, caminhava para fazer os 4 a 1 na Itália em contrataques rápidos e fatais, o jogo parecia já garantido, tanto que eles já comemoravam. Foram embora no mesmo repente com que chegaram, cantando e dançando, como um bloco de carnaval.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fim do jogo, saímos para a rua, como todo mundo - eu, papai e mamãe. São Paulo estava em festa. Os carros buzinavam num engarrafamento monumental. Lembro de apanharmos meus primos Rogério e Regina de carro; ele tinha seis anos mais que eu e ela era adolescente. Regina queria subir no capô do veículo, quase parado no tráfego que avançava lentamente - e ninguém reclamava. Papai a princípio negou, Regina ficou amuada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca haverá outra Copa no Brasil como a de 1970. O que a história não registra é aquela alegria delirante, que extravasava tanta coisa. Um momento de liberdade num país de repressão; um amor nacionalista que tinha algo de redenção; um sopro de confiança, esperança e transgressão, ainda que movidas pela ilusão do esporte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seguimos com a massa de veículos pela 23 de Maio, em direção ao Ibirapuera; lá foi Regina, vencedora com apoio de mamãe, para o capô do fusquinha cor de café com leite; eu via os brasileiros com o corpo para fora das janelas dos carros, agitando as bandeiras verde-amarelas, e a longa avenida rumo ao parque era como um rio de felicidade fluindo onde antes havia só sofrimento e medo; por um instante o Brasil tinha licença para tudo, o país estava em festa e éramos todos irmãos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, nunca haverá outra Copa como a de 1970.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Da Copa de 1974, lembro de um dia de jogo Brasil e Alemanha Oriental, em que jogamos de azul marinho; eu morava então na casa Verde, num sobrado de vila, perto da escola pública que frequentava, o claudicante Benito Tolosa. Embora a escola fosse ruim, naquele dia de jogo, talvez apenas para mostrar um rigor que não tinha, a aula estava confirmada, bem na hora do jogo, para nosso desencanto. E lá fui eu, forçado e emburrado, para a aula.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Porém, aquilo que poderia ter sido mais um dia de Copa do Mundo do jogo que não vimos (e naquele tempo não havia videotape assim fácil, era só domingo à noite, e jogo ao vivo, passava num canal só) acabou se tornando memorável. Porque choveu; o dia já começara cinzento, ranzinza, choroso; choveu e choveu forte. Quando cheguei à escola, uma caminhada que eu fazia à pé, apenas duas quadras, as goteiras nas salas de aula fluíam como duchas. E a antes irredutível diretora não teve remédio senão mandar todo mundo de volta para casa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro da minha felicidade, com os livros pendurados às costas, amarrados por elástico largo, dessas faixas que se prendem à cintura; pensava no acaso, no destino benfazejo, na leniência divina, e me perguntava se dali em diante seria sempre assim: os momentos de liberdade e alegria seriam apenas nas férias, ou na ruína dos compromissos; talvez aquilo fosse crescer, fosse a própria a vida, ou o resto da vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas isso foi só um segundo, porque logo cheguei em casa, para espanto de minha mãe, e pude assistir à vitória magra do Brasil, extraída a ferro e fogo e suor e sangue, 1 a zero com gol de falta de Rivelino, furando a barreira com ajuda de Jairzinho, que cavara um buraco entre os jogadores adversários para a bola passar, atirando-se ao chão na hora H.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais do que o jogo, porém, a memória dessa Copa é aquela, da volta para casa, o momento de liberdade inesperada, de encher o pulmão com o ar da vitória rebelde. E de pensar que não sabia como seria o futuro, mas que aquele seria um dos momentos mais felizes da minha vida, para sempre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(segue...)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-946828689648356462?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/946828689648356462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/06/copa-o-mundo-e-tambem-um-marco-da-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/946828689648356462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/946828689648356462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/06/copa-o-mundo-e-tambem-um-marco-da-vida.html' title='Nunca como antes'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TChQb5I9_HI/AAAAAAAAAro/SIGv78y7UY4/s72-c/1970.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1723380696077825594</id><published>2010-06-25T15:09:00.001-07:00</published><updated>2010-06-25T16:06:36.173-07:00</updated><title type='text'>Um vergonhoso festival</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TCUxDnX0rgI/AAAAAAAAArI/aCzlATSx6pA/s1600/bola.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486845659199090178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 125px; CURSOR: hand; HEIGHT: 89px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TCUxDnX0rgI/AAAAAAAAArI/aCzlATSx6pA/s320/bola.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O centroavante César Maluco conta que quando entrou no Palmeiras, lá pelos já longínquos anos da década de 1960, o time era tão elegante e aristocrático que, quando marcavam um gol, os jogadores se cumprimentavam com um aperto de mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O tempo elegante e aristocrático do futebol ficou longe. O maior evento do esporte no qual as crianças antigamente se espelhavam, onde estavam os nossos heróis de infância, não apenas ganhou expressão mais livre como evolui para um festival de mau comportamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns exemplos lamentáveis desta Copa vieram, como era de se esperar, do nosso comandante. Dunga xingou todo mundo ao final da partida Brasil e Costa do Marfim. Que o Brasil tinha ganho - imaginem se perdesse. Xingou depois um jornalista como um cão raivoso na sala de imprensa. O time do Brasil tem muito pouca graça com um líder resmunga tanto e se comporta como um buldogue maleducado, sob a justificativa de que as críticas o impedem de trabalhar à vontade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O espírito guerreiro de Dunga se traduz mal em campo. Vide o zagueiro brasileiro Lúcio, um ardoroso defensor da Pátria, desferindo um soco no cotovelo sabidamente machucado do atacante marfinense Drogba.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O consolo dos brasileiros é que ninguém se saiu pior nessa Copa que os franceses. Xingaram uns aos outros, fizeram motim, trocaram acusações de tibieza e, para completar, perderam em campo vergonhosamente. Foram eliminados por times tecnicamente mais fracos, porém de melhor têmpera. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os bleus cobriram de lama todo um país que se orgulha de sua cultura e da sua educação, a ponto da ministra do esporte tomar um avião para a África do Sul, na esperança não de controlar a situação, já perdida, mas de salvar um pouco as aparências. O papelão francês foi mais que grosseria: foi um festival coletivo de mau-caratismo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem o treinador se salvou do naufrágio moral. Ao se recusar a cumprimentar o técnico adversário ao fim do jogo, deixando no ar a mão estendida do nosso Parreira, que na vitória como na derrota é sempre o mesmo gentleman, o francês Domenech deixou claro que o vexame futebolístico e ético da França não se deveu apenas aos jogadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dunga falou em entrevista, emocionado, da educação que lhe deu o pai, hoje doente, e da mãe, que é professora de história. Sabemos por ele mesmo que ser filho de professora o ajudou a amar a pátria e a ter aquela disciplina espartana, com a qual conduz sua vida e a seleção. Porém, essa criação não o ajudou muito com a língua portuguesa, que ele atropela com a mesma volúpia com que gostaria de destruir adversários e opositores, principalmente na imprensa. E também não colaborou para conservar a noção básica da educação de que ficar xingando e destratando todo mundo é feio. Os pais tentam, sabemos, mas não conseguem tudo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por seu comportamento inadequado, Dunga ensaiou em seguida um pedido de desculpas, dizendo que o povo brasileiro não tinha que saber de seus problemas pessoais. Não se trata disso. Ele poderia ter problemas e trazê-las a público de maneira mais digna. No entanto, não deixa de ser verdade que o público vê futebol pela beleza do jogo, pelos momentos heróicos e emocionantes do esporte, pelo amor à pátria. E gostaria de ver aqueles que representam um povo se comportando de acordo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se esta Copa serve de exemplo, é daquilo que não se deve fazer. O futebol não perdeu apenas muito da paixão, convertida numa vontade de ganhar a qualquer preço, por trás da qual está a verdadeira motivação que hoje move o esporte: a ganância por dinheiro. E, quando isso acontece, desaparece a noção indispensável de honradez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Brasil ganhou de pouco dos coreanos, venceu a Costa do Marfim na base da ferocidade e empatou melancolicamente com Portugal. No jogo em que precisou fazer substituições de um time já cheio de reservas, Dunga entrou com Grafite, Josué e Ramirez. Ficou clara a falta de imaginação d eum time comandado por um técnico que se deu ao luxo de deixar de convocar Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho. O erros em algum momento aparecem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1723380696077825594?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1723380696077825594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/06/um-vergonhoso-festival.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1723380696077825594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1723380696077825594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/06/um-vergonhoso-festival.html' title='Um vergonhoso festival'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TCUxDnX0rgI/AAAAAAAAArI/aCzlATSx6pA/s72-c/bola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8011486002385526998</id><published>2010-06-21T17:35:00.001-07:00</published><updated>2010-10-01T11:50:31.637-07:00</updated><title type='text'>Um panteão de mármore frio</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TCAFa5pfmsI/AAAAAAAAArA/ES0LZjqokXU/s1600/saramago.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485390305846860482" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 92px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TCAFa5pfmsI/AAAAAAAAArA/ES0LZjqokXU/s320/saramago.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A morte do Nobel a quem faltava um pouco de amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sequer na morte o "L'Osservatore Romano", jornal oficial do Vaticano, perdoou José Saramago, falecido aos 87 anos em sua ilha espanhola. Expatriado voluntário, que não contava muita popularidade em seu país de origem, do qual se distanciou, ou foi por ele distanciado, ao despedir-se da vida o primeiro Nobel em língua portuguesa foi subtraído da benevolência devida às almas pela igreja católica. Em vez disso, a santa imprensa preferiu descontar sua ira contra o cadáver indefeso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Com o irônico título "O grande (suposto) poder do narrador", o órgão de imprensa do Vaticano definiu Saramago como "um ideólogo antirreligioso, um homem e um intelectual que não admitia metafísica alguma, aprisionado até o fim em sua confiança profunda no materialismo histórico, o marxismo." E acrescentou, em outra passagem do texto obituário: "colocou-se com lucidez ao lado das ervas daninhas no trigal do Evangelho". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sim, Saramago era ateu, e marxista. Como comunista convicto, defendeu o joio que vinha com o trigo: as atrocidades cometidas em nome dos bons ideais do comunismo. Para Saramago, como para todos os comunistas da velha cepa, os fins justificam os meios. Embora também condenasse muita coisa no mundo. "Ele dizia que perdia o sono só de pensar nas Cruzadas ou na Inquisição, esquecendo-se dos gulags, das perseguições, dos genocídios e dos samizdat (relatos de dissidentes da época soviética) culturais e religiosos", salienta o editorial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O Vaticano usou com Saramago uma ironia que não se devia ter com os mortos e uma impiedade que não deveria combinar com a igreja. Também o Vaticano cometeu aí uma atrocidade, que é a de esquecer a função precípua delegada por Jesus: perdoar e compreender mesmo quem rejeita a doutrina ou o próximo. Porém, o editorial acerta quando detecta o que faltava, se não ao ser humano Saramago, ao menos ao romancista: um pouco de amor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Como revela sua obra, Saramago era um intelectual brilhante. Seus romances são, como diria o velho bardo português, repletas de engenho e arte. Sua obra-prima, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que desgostou a Igreja muito compreensivelmente, nos introduz à ideia ao mesmo tempo marota e intelectualmente provocadora de que Jesus deve seu papel não a sua santidade, mas ao diabo. E nos coloca diante da importância e utiidade do Mal para o Bem – e a própria História. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O intelectual, porém, é o esgrimista da razão. Se aos romances de Saramago sobra inteligência, falta um pouco da sensibilidade, assim como ao homem Saramago faltava um pouco de vivacidade. A maioria de seus romances tem a mesma rica engenharia de linguagem, ideias e conceitos, mas são intelectuais demais. Um bom exemplo é o Ano da Morte de Ricardo Reis, que parte de um princípio instigante: o heterônimo de Fernando Pessoa volta a Lisboa para encontrar o poeta que é seu criador, como um personagem real. O resultado dessa bela ideia, porém, resulta numa filosofia arrastada, às vezes de uma chatice terrível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Saramago escrevia como quem comprovava belas teses, mas não emocionava. Morava numa ilha não por acaso. No trato, era um senhor doce e educadíssimo, mas parecia manter uma certa distância olímpica do mundo. Como Jorge Luis Borges, que morreu amargurado, certo de que era “admirado, sem ser amado”, carecia daquele elemento fundamental que os escritores devem possuir: a necessidade não de demonstrar sabedoria, mas de se aproximar do outro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Saramago teve seu Nobel, merecido pela qualidade de sua refinada obra. Porém, não teve seguidores apaixonados, como um Garcia Marquez, outro comunista de carteirinha, nem jamais os terá. O tempo tornará ainda mais frias as letras de quem as urdiu para falar ao cérebro, e não ao coração. Pois os tempos mudam, as ideias e convicções também - somente a essência humana permanece. Saramago morreu para entrar na glória, mas, como supõe a igreja, passará a um panteão de mármore frio, em lugar do Reino dos Céus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8011486002385526998?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8011486002385526998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/06/um-panteao-de-marmore-frio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8011486002385526998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8011486002385526998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/06/um-panteao-de-marmore-frio.html' title='Um panteão de mármore frio'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TCAFa5pfmsI/AAAAAAAAArA/ES0LZjqokXU/s72-c/saramago.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6217447466638692494</id><published>2010-06-09T05:53:00.001-07:00</published><updated>2010-06-09T06:27:39.367-07:00</updated><title type='text'>Um homem contra todos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TA-Tra6Y2vI/AAAAAAAAAq4/7iyojKl1MHU/s1600/dunga.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5480761645701061362" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 115px; CURSOR: hand; HEIGHT: 110px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TA-Tra6Y2vI/AAAAAAAAAq4/7iyojKl1MHU/s320/dunga.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Adoro futebol, como muita gente, não só pela diversão, como pela maneira com que mostra a vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vai começar a Copa do Mundo e, mesmo antes da bola da rolar, ela já tem um tema principal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos os técnicos são burros. Pelo menos, aos olhos da torcida. E todos são teimosos. O saudoso e incontestável Telê Santana, que perdeu duas copas e foi consagrado mesmo assim pelo ótimo futebol do Brasil, saiu do país sob vaias e um bordão criado por humoristas contra uma de suas idiossincrasias: "Bota ponta, Telê!" (Naquele tempo, o futebol ainda ponta-esquerda e ponta-direita, algo que já não existe mais)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dunga não é diferente. Porém, é mais. Muitas seleções vão à Copa sem suas principais estrelas, por conta de contusão. É o caso de Beckham na Inglaterra. De Ballack, na Alemanha. O Brasil, não. Vai sem suas estrelas por opção do treinador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao contrário dos outros treinadores, Dunga convocou um contundido, Kaká, há meses sem jogar, e deixou de lado os que estão em ótima forma: Ganso, o único armador com a perna esquerda do Brasil na atualidade, e dos mais refinados, assim como o esperto e hábil Neymar. O técnico alegou inexperiência. Barrou também Adriano, centroavante matador, campeão brasileiro com o Flamengo, cheio de experiência. No seu caso, Dunga alegou indisciplina. Esqueceu Ronaldinho, que estaria em qualquer outra seleção do mundo. Sem alegar nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No lugar deles, levou jogadores dedicados e obedientes como Josué, Ramirez e Grafite. Dunga dá valor ao espírito coletivo, à disciplina, ao comprometimento com o grupo, à fidelidade ao seu comando. Mesmo que Grafite tenha tido apenas 15 minutos em campo para mostrar todo o seu futebol. Fidelidade não precisa ser provada em campo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há explicação para tudo, mesmo para o inexplicável. Dunga sempre foi uma vítima. A começar pelo apelido de anão orelhudo e bobo, gozação pura. Foi anti-herói na Copa de 1990, em que seu apelido foi tomado como símbolo de uma era burocrática e perdedora do futebol brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois Dunga foi herói, como capitão da seleção campeã em 1994. Porém, nunca foi um campeão admirável, um ídolo, um homem capaz de se engrandecer nos momentos importantes. Ao erguer a taça, soltou um palavrão que podia ser perfeitamente entendido por leitura labial. Em vez de magnânimo, é revanchista. Mesmo vitorioso sente-se perseguido, sobretudo pela imprensa. Mesmo no momento grande, ele se apequena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dunga pediu apoio do povo brasileiro à seleção, mas nunca foi a campo ao lado do povo, e sim contra ele. Sua história pessoal é provar a todos como ele estava certo e todos os outros errados. Da luta contra essa enorme injustiça coletiva contra a sua pessoa é que ele tira sua fibra e aquela energia brutal para vencer. Dunga fala em sangue, em sacrifício, porque sabe como é enfrentar a tudo e a todos. Na cabeça dele, sempre foi assim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vamos a campo com uma turma de guerreiros, em vez do futebol bonito, como gostamos e desejaríamos. Vamos com Dunga, que só quer vencer para atirar a vitória na nossa cara, como um tapa de revide, como quem diz: "viu?". Mas talvez em algum momento, nesse exército formado pelo nosso capitão, brilhe ainda a velha e simpática e irreverente irresponsabilidade que faz a diferença e tornou nosso futebol o melhor do mundo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí, terá valido a pena aguentar tanta grosseria. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6217447466638692494?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6217447466638692494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/06/um-homem-contra-todos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6217447466638692494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6217447466638692494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/06/um-homem-contra-todos.html' title='Um homem contra todos'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TA-Tra6Y2vI/AAAAAAAAAq4/7iyojKl1MHU/s72-c/dunga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-857225628724678923</id><published>2010-05-29T10:07:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T17:50:36.909-07:00</updated><title type='text'>Literatura para pisotear</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFKBqnwQxI/AAAAAAAAAqw/XFxAhd7SLv8/s1600/cervantes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476740014340588306" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT: 127px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFKBqnwQxI/AAAAAAAAAqw/XFxAhd7SLv8/s320/cervantes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Aqui nesta casa não há livros nem quadros, o diabo mesmo os levou.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Frase extraída de D. Quixote, diante da casa onde viveu e morreu Miguel de Cervantes Saavedra, em Madri. Número 2 da calle Cervantes, que no tempo do artista tinha entrada pela Calle de Leon.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tanto lugar para ir em uma cidade inteira e parei parei descansar e fumar um café crème justo aqui. Só depois percebi onde me encontrava. Mera coincidência?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cervantes estava certo, este é o destino do escritor. O próprio diabo leva tudo o que prezamos, mas pelo menos nos países que dão algum valor a seus escritores, sobra alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Madri imprime em letras de bronze versos e frases de seus escritores no calçamento do centro histórico. Dá valor à sua cultura. Ali seus herois culturais são pisoteados, mas ao menos não são esquecidos, o que lhes dá ao menos um pouco de honra e glória, a única coisa que se pode roubar ao diabo. Diferente do Brasil, onde os escritores nacionais parecem não merecer sequer lamber a sola dos sapatos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-857225628724678923?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/857225628724678923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/literatura-para-pisotear.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/857225628724678923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/857225628724678923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/literatura-para-pisotear.html' title='Literatura para pisotear'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFKBqnwQxI/AAAAAAAAAqw/XFxAhd7SLv8/s72-c/cervantes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-3472791544304889665</id><published>2010-05-29T10:04:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T17:55:43.384-07:00</updated><title type='text'>Os gênios do Prado</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFJsBVLe0I/AAAAAAAAAqo/1-Hv95IC8W8/s1600/veronica.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476739642479573826" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 136px; CURSOR: hand; HEIGHT: 153px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFJsBVLe0I/AAAAAAAAAqo/1-Hv95IC8W8/s320/veronica.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passo pelo museu do Prado. Os retratos inacabados de Goya. Que só reforçam como a grande arte sai do nada, é puramente a mão do artistas: a mágica contrasta com a tela nua.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Goya era um gênio e é um dos meus artistas preferidos. Por seus quadros que fogem dos cânones. Pintava os ricos, fazia retratos de encomenda nos moldes clássicos, como Rembrandt, mas se deixava levar pela emoção, que lhe deformava o traço. Foi o primeiro modernista, quando riscava a tela, em pinceladas de fúria; o coração ultrapassava a técnica, era a síntese da expressão, como no seu quadro das execuções durante a guerra civil espanhola.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parei muito tempo diantes das majas, que estão lado a lado. Nunca havia reparado nisso: a maja vestida está de rosto rosado e risonho, já a desnuda parece posar contrariada. Intenção do artista, ou a disposição da modelo?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fortuny: não conhecia, é brilhante. O tipo que eu gosto: pouco conhecido, mas com o brilho dos grandes. Uma surpresa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Prado é um museu coerente, focado na pintura clássica, desde a renascença italiana, que influiu na espanhola. Um museu com personalidade, que não atira para todos os lados, uma enciclopédia, de uma variedade demasiado ambiciosa e cansativa, como o Louvre. Sim, o Louvre é grande, mas para mim mostra apenas a inutilidade de tentar saber tudo; a vida é feita de escolhas. E o Prado tem grandes obras e nomes, como Rafael, Ticiano, Tintoretto, Goya e o apocalíptico Bosch, sem ser confuso, nem disperso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bosch. Como a alma humana pode gerar imagens terríveis de si mesma. Mas não acho Bosch doentio. Acho... realista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda no Museu do Prado, vejo o retrato de Veronica Franco, pintada por Domenico Tintoretto (1560-1630): Mulher com o Seio Descoberto. Franco que, viveu em Veneza, cuja ousadia foi perenizada pelos artistas de sua época, foi talvez a mulher mais pintada de seu tempo. Ninguém, no entanto, a pintou como Tintoretto. O gênio da Renascença transferiu a mesma magia com que pintava suas virgens marias para essa outra mulher, não uma virtuosa moral, nem de aura beatificante, mas de qualidades bastante seculares: a beleza e a inteligência. Com a silhueta bem definida, de quem, como Leonardo e outros renascentistas, valorizava o esboço antes de pintar, Tintoretto deu-lhe ao gesto de descobrir o seio não apenas o tempero da ousadia, mas algo de doçura virginal. Uma combinação misteriosa, provocadora e, para quem aprecia as contradições, irresistível.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Cortesã cuja beleza só se comparava ao talento literário”, diz o texto descritivo do quadro; nunca li nada de Franco, quero ler, para saber jus se a escritora fazia mesmo jus ao que provoca de imaginação. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-3472791544304889665?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/3472791544304889665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/os-genios-do-prado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3472791544304889665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3472791544304889665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/os-genios-do-prado.html' title='Os gênios do Prado'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFJsBVLe0I/AAAAAAAAAqo/1-Hv95IC8W8/s72-c/veronica.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-339422168621704144</id><published>2010-05-29T10:02:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T17:58:37.617-07:00</updated><title type='text'>Arte sob a luz</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFI_aRf80I/AAAAAAAAAqg/uv76QlmEhiQ/s1600/sargent.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476738876080911170" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 128px; CURSOR: hand; HEIGHT: 129px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFI_aRf80I/AAAAAAAAAqg/uv76QlmEhiQ/s320/sargent.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em exposição temporária, no Museu do Prado, uma obra prima emprestada pelo museu de Boston: As Filhas de Edward Darley Boit, de John Singer Sargent, junto às Meninas de Velázquez, sua fonte direta de inspiração. Obra prima que retrata de maneira sutil mas eficaz as meninas de acordo com sua idade: das menores, na fase distante, absorta, despreocupada e brincalhona da inocência, às maiores, imersas na penumbra, tímidas, recolhidas, como que cientes de que alguém as observa, indicativos da mudança de espírito para a adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito contribui para esse efeito não apenas a atitude das meninas, como o efeito de luz. Nas meninas menores, ela explode num branco luminoso. Já as duas maiores apenas saem da penumbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz é essencial. É graças a ela que se pode ver o trabalho do gênio, por exemplo, num dos quadros mais extraordinários que já vi na vida, e que só pode ser apreciado no local onde se encontra: a basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari, em Veneza, uma nave grande e escura, onde por obras do próprio artista a luz proveniente das janelas parece incidir justamente na Nossa Senhora no momento de sua assunção – transformando-a numa aparição, um ser deslumbrante e cheio de vida, que emerge carregada pelos anjos numa prancha de nuvens às portas do paraíso.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Obra de Tiziano, um mestre.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;*&lt;/p&gt;Em Madri encontrei meus cadernos de anotação favoritos. Da Miquelrius. Do tamanho dos moleskines, mas de papel mais fino, suave. São cadernos flexíveis, fáceis de manusear, com folhas que não soltam. Uma delícia de carregar e usar. Achei só os de folha quadriculada; folhas brancas, estranho, não há mais. Mas estes servem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-339422168621704144?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/339422168621704144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/arte-sob-luz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/339422168621704144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/339422168621704144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/arte-sob-luz.html' title='Arte sob a luz'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/TAFI_aRf80I/AAAAAAAAAqg/uv76QlmEhiQ/s72-c/sargent.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-5087087195869568597</id><published>2010-05-16T15:07:00.000-07:00</published><updated>2010-05-17T08:28:36.262-07:00</updated><title type='text'>Diferenças entre yin - yang</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S_BwtbG6zvI/AAAAAAAAAqY/EHJwJrMOPAs/s1600/yi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471997472928354034" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 97px; CURSOR: hand; HEIGHT: 94px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S_BwtbG6zvI/AAAAAAAAAqY/EHJwJrMOPAs/s320/yi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Yin carrega poesia para a prosa, algo sempre muito difícil: exige o trabalho do ourives, o talento e paciência. Mas que, bem feito, produz resultados maravilhosos. É como escrever ao modo dos chinês, nanquin sobre papel de arroz, com cuidado, arte milenar. Busca a essência, até mesmo nas palavras; por isso, é profundo sem ser rebuscado; é elegante sem exageros; é apenas pleno de significado. Yin é intimista, no tema, no tratamento, no resultado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Yang dá mais ênfase à trama, ao enredo, que à linguagem. Conduz o leitor menos pela profundidade das idéias que pela sequência da ação. Não aplica poesia à prosa, não busca seu poder nas imagens; ele apenas sugere a emoção como consequência da ação; mais do que diz, importa o que deixa de dizer, e que apenas se sente, como resultado do ato, como acontece na própria vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Yin quer só escrever, não importa onde, nem que seja numa masmorra, como Dostoiévski e Graciliano; alimenta-se de si mesmo. Yang quer somente escrever, mas onde tenha liberdade; precisa viver para alimentar sua criação, seja como um plongeur em Paris como Orwell ou estivador como Hammett en Nova York.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Yin gosta do mar, do sal e da brisa marinha; seu mundo é povoado de imágens aquáticas. Adora navegar, sentir o vento bater no rosto, a imensidão perigosa das águas, mas tem de voltar para a praia, a casa, o fogo, como o pescador; não suporta muito tempo a solidão do universo ao redor, precisa de companhia, de gente, de carinho; busca a comunhão com todas as criaturas, em harmonia com a natureza, faz parte dela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Yang adora o mar, mas não depende de um porto aonde voltar; os vagalhões não são apenas movimento da vida, pelos quais nos deixamos levar; ao contrário, são um desafio a enfrentar. Prefere todo lugar mais isolado, que desperte seu instinto para a aventura, como o alto das montanhas, os extremos gelados da terra ou o céu estrelado e o silêncio dos desertos. Está em desarmonia com o mundo; rebela-se contra ele; embora seja livre, é o verdadeiro amigo da solidão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Yin e Yang, dois caminhos, ou um só?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-5087087195869568597?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/5087087195869568597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/diferencas-entre-yin-yang.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/5087087195869568597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/5087087195869568597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/diferencas-entre-yin-yang.html' title='Diferenças entre yin - yang'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S_BwtbG6zvI/AAAAAAAAAqY/EHJwJrMOPAs/s72-c/yi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-259792800766424337</id><published>2010-05-04T17:20:00.000-07:00</published><updated>2010-05-09T07:29:06.808-07:00</updated><title type='text'>Uma mulher em sua ilha</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S-C9RVp74DI/AAAAAAAAAqQ/jVbt7LpLwVo/s1600/wendy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467578053196242994" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 183px; CURSOR: hand; HEIGHT: 121px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S-C9RVp74DI/AAAAAAAAAqQ/jVbt7LpLwVo/s320/wendy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Falo por e-mail com a escritora e poetisa Wendy Guerra, em Havana. Guerra diz que vive “longe de tudo e de todos”. Que pouco fala com editores. Lê mal em inglês, criada como foi no regime comunista, que ensinava russo às suas crianças. Vive em uma cobertura em Miramar, “rodeada de mar e luz”, onde come “entre cristais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu mais recente romance, Nunca Fui Primeira Dama, que acaba de ser lançado pelo selo Benvirá, sua personagem habita um casarão “cheio de sal” no Malecón, a célebre fachada da cidade diante do mar, semi-abandonada. Sempre me perguntei se havia gente morando ali, naquela galeria fantasma. Na obra de Wendy, há. Um pouco dela está lá. Como acredito que a ficção diz mais sobre o escritor do que a vida real, vejo Wendy em seu palácio abandonado, como se ali vivesse de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu usar sua presença em Cuba como manifesto. Seu romance, belo e pungente, conta a história de uma mãe foragida do país por escrever um livro sobre a falecida secretária de Fidel, Celia Sánchez. Por isso, a mãe teria abandonado a filha em Cuba, aos dez anos de idade. Ao contar a história da mãe, a narradora de Wendy conta também a de Celia. Resgata a figura da mãe, em todos os sentidos. E completa o trabalho materno, publicando a história proibida da mulher que mais perto esteve de Fidel. Como autora, coloca-se no papel de sua própria personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wendy fica em Cuba, como estandarte de uma cruzada pessoal. Não quer sair, como tantos que saíram, esgotados com o regime. Ao fim dos termos, sua história pessoal é também de defesa da liberdade, da literatura e da expressão, em uma Cuba que não precisa abandonar suas utopias para voltar a ter tudo isso, e mais o progresso. Como ela diz, pertence a uma geração que não é nem da de seus avós revolucionários, nem mesmo a de seus pais, os operários a quem se atribuiu a tarefa de construir na vida real os velhos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela é uma geração que quer igualdade social, mas também quer liberdade. Que faz da vida comum e das necessidades mais simples, como a de reconstruir a família destroçada pelas antigas gerações, a sua verdadeira bandeira política e o seu manifesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu castelo feito de memórias, Wendy não está sozinha. Com ela, estão os injustiçados do passado, os banidos, os inconformados. Os que vão embora, mas sobretudo os que não vão. Os inconformados que ficam, marcam posição. Os que tentam reconstruir algo sobre um passado incompleto e desolador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje já não existem ilhas completamente isoladas. Como sua personagem, Wendy rasgou as capas que cobriam os livros proibidos da biblioteca de sua casa, também como um gesto simbólico. Cuba aos poucos muda. Ela não tem seus romances publicados em Cuba (por lá saíram apenas os de poesia), mas também não precisa fugir de sua ilha para escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuba nunca foi uma ilha e hoje menos que nunca. Ernest Hemingway viveu lá. Precisava apenas da brisa do mar, da linha de pesca, do sol cubano, do mar cerúleo, do rum para os daiquiris na Floridita. Era um homem ilhado e ao mesmo tempo estava mais presente no mundo que muita gente plantada em Paris e Nova York. Wendy também é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wendy Guerra está em Cuba. Escritores são ilhas, vivendo dentro de si mesmos, cercados de suas obsessões por todos os lados. Não importa se vivem numa cabana nas montanhas, numa praia deserta ou num apartamento da megalópole. Ao mesmo tempo, se correspondem com todos. Onde quer que estejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wendy Guerra vive entre velhos cristais, mas ao mesmo tempo está em todo mundo, onde se pode compartilhar dos sentimentos que ela generosa e corajosamente abre como a flor do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o Malecón à noite é semiabandonado, escuro, feio e sombrio. Dá medo. Mas lá há vida que se espalha sobre o mar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-259792800766424337?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/259792800766424337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/uma-mulher-em-sua-ilha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/259792800766424337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/259792800766424337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/uma-mulher-em-sua-ilha.html' title='Uma mulher em sua ilha'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S-C9RVp74DI/AAAAAAAAAqQ/jVbt7LpLwVo/s72-c/wendy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8619891954048481306</id><published>2010-05-04T17:16:00.000-07:00</published><updated>2010-05-04T17:20:25.292-07:00</updated><title type='text'>Por trás do artista</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S-C5waZfBrI/AAAAAAAAAqI/pVjcHNhmfz0/s1600/maria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467574188998854322" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 82px; CURSOR: hand; HEIGHT: 116px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S-C5waZfBrI/AAAAAAAAAqI/pVjcHNhmfz0/s320/maria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O cabide é uma bruxa, nas paredes passam imagens fantasmagóricas, o silêncio dá pesadelos. “Eu só tinha três anos de idade”, diz Maria Fernanda Cândido. “E me lembro muito bem.” Mais que lembrar, ela sente: “Medo.” Os pais deixavam a porta do quarto fechada. “E eu não podia fazer nada.” Desse tempo é que vem a necessidade profunda de compreensão e de expressão, comum ao escritor, o artista plástico, o ator? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Maria Fernanda não sabe. Nem todos são assim. “Meu filho Tomás, por exemplo, pede para deixar a porta fechada.” Mãe de dois filhos pequenos (Tomás tem quatro anos, Nicolas 1 e meio), ela só sabe da importância de pensar nos sentimentos, não apenas das crianças, como de todos. E que, do medo, vem a coragem e a força – e que força.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois de dois meses de filmagens, Maria Fernanda Cândido terminou sua participação em Aparecida, filme de Tizuka Yamasaki que deve chegar aos cinemas em novembro. O tema que a atraiu para fazer o papel de uma executiva enfiada numa história de fé foi o da independência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como toda mãe com filhos pequenos, e que aos poucos volta mais e mais ao trabalho, Maria Fernanda parece buscar um caminho para também poder ser novamente, apenas, Maria Fernanda Cândido. Usa, para isso, a profissão: ao entender os outros, pela representação de um papel, entende mais a si mesma. Interessa-se, acima de tudo, pela “humanidade” - assim mesmo, com H minúsculo, no sentido da natureza humana. “Aceitar o diferente, sem preconceito, ir por trás (da aparência).”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Existe algo em comum entre os artistas: não o meio de expressão, mas a compulsão invisível, que vem de um passado distante, raiz de toda predestinação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8619891954048481306?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8619891954048481306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/por-tras-do-artista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8619891954048481306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8619891954048481306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/05/por-tras-do-artista.html' title='Por trás do artista'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S-C5waZfBrI/AAAAAAAAAqI/pVjcHNhmfz0/s72-c/maria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8309161257412719666</id><published>2010-04-18T17:38:00.000-07:00</published><updated>2010-04-18T17:40:32.717-07:00</updated><title type='text'>A pobreza, a riqueza e a arte</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S8umeoT0_KI/AAAAAAAAAqA/SqNE02uyF7A/s1600/fitz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461642018263727266" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 178px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S8umeoT0_KI/AAAAAAAAAqA/SqNE02uyF7A/s320/fitz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O escritor Francis Scott Key Fitzgerald, um dos membros da tríade dos grandes romancistas da literatura americana, ao lado de Henry James e Herman Melville, costumava dizer que, sem a sua obsessão pela riqueza e a vida dos ricos, teria escrito uma obra completamente diferente.&lt;br /&gt;Com seus três principais romances (O Grande Gastby, Suave é a Noite e O Amor do Último Magnata), Fitzgerald foi o autor que melhor captou a aura da riqueza e o seu efeito sobre a alma humana. Sua obra mais famosa, O Grande Gatsby, é considerada pelos críticos o romance central da literatura dos Estados Unidos, pela maneira como retrata o Sonho Americano, seu endeusamento e suas vicissitudes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em Suave é a Noite, obra marcante da Geração Perdida, mostra a vida perfeita dos ricos na era próspera dos anos 1920, crônica de uma época em que a América decolava num binômio de prosperidade e hipocrisia que se tornou novamente muito atual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Scott Fitzgerald foi ao mesmo tempo o grande celebrante e o satirista do sonho que virou pesadelo”, define o crítico literário Harold Bloom, no ensaio “Gênio”, sobre os maiores mestres do mundo das idéias em todos o os tempos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O cenário de O Grande Gatsby é a América da Lei Seca, na qual um garoto pobre das ruas de Nova York chegava ao Sonho Americano pela via do crime organizado. A apresentação da máfia como um negócio qualquer, confundindo um bandido a um grande homem de negócios, é típica do estilo de Fitzgerald, no qual o brilho e a euforia da riqueza contém também os genes do seu trágico fim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No romance, ele se dá com a morte do protagonista, Jay Gatsby, assim como na História a derrocada veio com o crack de 1929, que levou à bancarrota não somente os milionários da época como seu estilo de vida e a ilusão um tanto hipócrita de toda uma era.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo isso parece familiar? Por trás da fuga do volátil capital globalizado e dos homens-bomba enviados vingativamente pelo mundo marginalizado dessa riqueza, há um cheiro permanente de que o paraíso dos ricos americanos está ameaçado. “Hoje em dia, no início do Século XXI, não está claro o que opera o sonho americano como mito estruturante”, escreve Harold Blom. “Na Era de Ouro de George W. Bush e seus Barões do Roubo, haveremos de dizer: expandir ou explodir?”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em vida, Fitzgerald vendeu apenas 25 000 cópias de O Grande Gastby e, a despeito de ter se casado com uma mulher de família rica, conheceu tanto o lado looser (“perdedor”) quanto o winner (“vencedor”) no qual o Sonho Americano dividiu seus cidadãos - e, por extensão, a Humanidade. A linha demarcatória do dinheiro, que para o padrão americano estabelece se uma existência pode valer ou não a pena, é o denso e ao mesmo tempo sutil material de trabalho do escritor, que constrói seu ponto de vista pelos detalhes aparentemente mais prosaicos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como na cena em que Gastby mostra ao narrador, Nick Carraway, sua coleção de ternos, trajes a rigor, gravatas e camisas acondicionadas meticulosamente em pilhas de 12 unidades. Eram compradas para ele na Inglaterra, depois de uma rigorosa seleção entre as novidades da estação:&lt;br /&gt;“Tomou uma pilha de camisas e se pôs a exibi-las, uam a uma, puro linho, seda ou flanela, que, ao caírem sobre a mesa, em uma desarrumação colorida, perdiam os vincos das dobras... De súbito, emitindo um ruído de dor, Daisy curvou-se sobre as camisas e pôs-se a chorar, convulsivamente. “Que camisas lindas!, ela soluçava, a voz abafada pelos tecidos. “Fico triste porque jamais vi tantas... tantas camisas tão lindas assim.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa fina construção é também o esteio de Suave é a Noite, publicado por Fitzgerald em 1935. Nele, a frivolidade de uma vida perfeita apenas na aparência é desvelada de maneira tão mais chocante quanto sutil.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A história de Dick Diver, um jovem e brilhante psiquiatra que interrompe sua carreira para casar-se com Nicole Warren, uma herdeira bela, rica e mentalmente perturbada, é vista pelos olhos de uma aspirante a estrela de Hollywood. Esta conhece Dick e Nicole em uma temporada na Riviera Francesa, onde se apaixona não só pelo protagonista como pela imagem de perfeição produzida pelo casal. Para sua surpresa, ela os reencontrará anos mais tarde. Nicole, recuperada, continua a levar a sua vida de distanciamento da realidade, como se o tempo não tivesse passado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Descartado depois de cumprida a sua finalidade, Dick torna-se um médico obscuro no interior do Estados Unidos, fadado a lutar no fim da vida contra dificuldades materiais e o vazio de, depois de ter entrado naquele círculo de sonhos, ser enviado de volta ao que socialmente determinou-se ser o seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em sua própria biografia, Fitzgerald lutou para firmar-se nesse mundo mais aristocrático que ele acreditava sempre rejeitar corpos estranhos. Nascido em 1896 em Saint Paul, Minnesota, ele descendia de uma família católica irlandesa, o que significa estar no centro da mentalidade que se tornou a base do comportamento e da sociedade americana. Estudou na Universidade de Princeton e se alistou na primeira guerra mundial, sem no entanto chegar a combater. Numa época em que os escritores podiam ganhar tanto dinheiro quanto hoje o fazem autores de novelas na TV, arriscou-se na atividade literária.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 1920, publicou Este Lado do Paraíso, romance que lhe deu grande popularidade e lhe abriu espaço em publicações de prestígio, como a Scribner's e o The Saturday Evening Post. Seu segundo romance, Os Belos e Malditos, foi publicado em 1922.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O sucesso financeiro foi suficiente para aproximá-lo de Zelda Sayre, sua futura mulher, que já o havia rejeitado em tempos de vacas magras. Filha de família rica, Zelda seria um componente importante e trágico na vida de Fitzgerald. Dividia com ele o gosto pelas coisas boas e as viagens que os levaram a temporadas na Europa e à companhia de milionários como Gerald e Sarah Murphy, americanos que recebiam os amigos artistas em sua casa de veraneio na Riviera Francesa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Emocional e psicologicamente instável, Zelda deixava fundadas suspeitas de trair o marido e causava escândalo com suas bebedeiras e um comportamento inconsequente. A partir de 1930, seria internada sucessivas vezes em sanatórios para tratamento psiquiátrico, rendendo a Fitzgerald farto material para Suave É a Noite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais tarde, Zelda escreveria um livro de memórias acusando o marido de tê-la plagiado, entre outras declarações que somente podem ser explicadas como produto dos sanatórios onde ela fazia terapia ocupacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com a saúde já abalada pelo alcoolismo, Fitzgerald mudou-se para Hollywood, onde trabalhou como roteirista cinematográfico, último refúgio para ganhar algum dinheiro. Em 1939 começou a escrever seu último romance, The Last Tycoon (O Último Magnata), publicado postumamente em 1941. A obra era sua última tentativa de retratar a personalidade de um grande artífice do "sonho americano", inspirada em um grande produtor hollywoodiano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse livro incompleto, o escritor americano John Dos Passos veria a libertação de Fitzgerald de sua obesssão pelos ricos. “pela primeira vez, ele escreveu sobre eles como se fala de um outro ser humano, numa relação entre iguais”, disse Dos Passos, num artigo sobre a morte do amigo. Sim, Fitzgerald estava enfim livre, mas, como nos mais trágicos romances, não de maneira que pudesse aproveitar, pois deixaria o livro incompleto. Morreu aos 44 anos, fulminado por um ataque cardíaco que terminou de liquidar seus corpo já devastado pelo alcoolismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por suas idéias e estilo, Fitzgerald ajudou a criar a aura da Geração Perdida, um grupo de romancistas que precedeu o existencialismo na sua técnica e propósitos. Outro expoente desse grupo, Ernest Hemingway, seguiu na esteira da obra de Fitzgerald em romances como O Sol Também se Levanta, no qual a sensação de inutilidade e crueza da vida passa pela narrativa da viagem de um homem impotente pela Espanha das touradas e de uma amante inalcançável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O homem castigado pela sua própria natureza, ou o que o destino lhe reservou, são o traço comum no estilo do Hemingway de seus primeiros anos e Fitzgerald, a quem o amigo descreveu no memorialístico Uma Festa Móvel como um ser já decadente e apodrecido pela bebida – tudo verdade, mas resultado de uma ponta de inveja por uma literatura superior. Impotente como seu alter ego de O Sol Também se Levanta, o livro no qual procurou mais aproximar seu estilo ao de Fitzgerald, Hemingway não terminaria a vida melhor que o antigo colega. Alcoólatra e deprimido, matou-se com um tiro de sua espingarda de caça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O valor da obra literária de Fitzgerald perdura, mesmo que tenha passado por altos e baixos tão grandes quanto os de sua vida. Adaptado para o cinema e a Broadway, O Grande Gatsby mergulhou no esquecimento no longo período da depressão e só ganhou fama ao ser republicado depois da Segunda Guerra mundial, quando foi aclamado como a obra prima da literatura americana. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Está de volta às prateleiras nos Estados Unidos como um alerta muito presente dos perigos da prosperidade, agora que ela não parece ter freios senão ela mesma. Assim como o personagem-título de O Grande Gatsby, há nos Estados Unidos de hoje aquele mesmo materialismo que ameaça corroer a alma humana. É essa condenação ética que faz se voltar contra o país o olhar indignado do mundo, cansado da resposta aos problemas sociais dos marginalizados com a política do “big stick” – a expressão cunhada por Franklin roosvelt para esclarecer que aos americanos estão sempre dispostos a usar a diplomacia da paulada. Na obra de Fitzgerald, como na vida, a abundância carrega em si mesma uma certa arrogância visível para todos – exceto, evidentemente, para quem a encarna.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8309161257412719666?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8309161257412719666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/04/pobreza-riqueza-e-arte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8309161257412719666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8309161257412719666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/04/pobreza-riqueza-e-arte.html' title='A pobreza, a riqueza e a arte'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S8umeoT0_KI/AAAAAAAAAqA/SqNE02uyF7A/s72-c/fitz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-4971980696637369203</id><published>2010-03-27T10:41:00.000-07:00</published><updated>2010-03-27T10:48:29.371-07:00</updated><title type='text'>Poeta selvagem</title><content type='html'>Poeta selvagem&lt;br /&gt;Da ilha interior&lt;br /&gt;Criado na margem&lt;br /&gt;Do riso e da dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta da liberdade&lt;br /&gt;Nunca cercada&lt;br /&gt;De mar nem cidade&lt;br /&gt;O tudo do nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta selvagem&lt;br /&gt;Na ilha do sol&lt;br /&gt;Infinita viagem&lt;br /&gt;De ser como sou&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-4971980696637369203?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/4971980696637369203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/03/poeta-selvagem-da-ilha-interior-criado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/4971980696637369203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/4971980696637369203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/03/poeta-selvagem-da-ilha-interior-criado.html' title='Poeta selvagem'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-3659446552637828950</id><published>2010-03-20T08:46:00.000-07:00</published><updated>2010-03-20T08:48:36.988-07:00</updated><title type='text'>Mentira, indignação</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S6TuTKwKU-I/AAAAAAAAApw/gh1DuAxhcA0/s1600-h/face.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450743462096425954" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 74px; CURSOR: hand; HEIGHT: 101px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S6TuTKwKU-I/AAAAAAAAApw/gh1DuAxhcA0/s320/face.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O jeito mais certo de se perder a razão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Ninguém mente tanto quanto o indignado”, escreveu o filósofo Friedrich Nietzche em uma de suas mais importantes e menos lidas obras: Além de Bem e do Mal. Como se sabe, Nietzche era um retórico, um polemista, um filósofo dedicado a negar o conhecimento, a destruir a própria filosofia. Era um provocador. Com sua provocação, procurava abrir horizontes, destruir barreiras imaginárias, fazer pensar. E, se pensarmos bem, ele tinha razão. Por isso, estou prestes a abandonar a indignação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O pressuposto do indignado é que ele está com a razão. A mentira, a injustiça, o atropelamento do óbvio, o desvirtuamento das coisas naturais – estas são as fontes primárias da indignação. Para Nietzche, porém, não existia a verdade absoluta, nem justiça, nem o óbvio, ou o natural. Havia apenas a verdade de cada um, assim como a filosofia não era uma ciência, mas um ponto de vista individual, que expressava o pensamento do autor, e tanto melhor ficava quanto mais se aproximava da literatura, isto é, de uma expressão artística.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Que sentido há na indignação quando não há verdade absoluta, mas a verdade de cada um? Indignar-se, dessa forma, é defender um ponto de vista como verdade absoluta, uma forma de mentir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Penso nisso, não somente por perceber a inutilidade da busca pela verdade, como também por uma questão de atitude. Há na indignação uma certa superioridade, uma rispidez, um moralismo que faz com que percamos a razão, mesmo quando a temos. A atitude de quem se indigna é a de um falso juiz. Nos revoltamos, mas a causa é semrpe mais emocional que objetiva. Porque, no fundo, tudo se explica, mas não há razão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-3659446552637828950?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/3659446552637828950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/03/mentira-indignacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3659446552637828950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3659446552637828950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/03/mentira-indignacao.html' title='Mentira, indignação'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S6TuTKwKU-I/AAAAAAAAApw/gh1DuAxhcA0/s72-c/face.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-4793278324362654424</id><published>2010-02-26T06:14:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T06:23:28.886-08:00</updated><title type='text'>O conto do menino Roberto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S4fYdZFuWgI/AAAAAAAAApo/XXPI6cwapgQ/s1600-h/kane.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442556674163235330" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 120px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S4fYdZFuWgI/AAAAAAAAApo/XXPI6cwapgQ/s320/kane.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era uma vez um menino muito pobre, chamado Roberto. Ele sonhava construir grandes coisas e ser muito rico. Apesar de nãoter muita instrução, conseguiu se formar engenheiro com muito sacrifício, trabalhou com um japonês esperto, aprendeu com ele e fez suas próprias obras. Ficou muito rico, mas se orgulhava da origem humilde. Mantinha sua ligação com o passado cultivando uma paixão de infância: o amor por um time de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bem sucedido Roberto também valorizavas os amigos, acima de todas as coisas, incluindo os prazeres mundanos que ele podia comprar de sobra, como os vinhos. Vivia a dizer que a amizade estava acima de tudo e que os outros se enganavam ao pensar que estavam juntos por veleidades, como beber líquidos caros. Defendia a amizade como a melhor entre as coisas importantes da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Roberto foi mudando. Convidado a viajar com os amigos, na comemoração dos dez anos dessa amizade, disse apenas que ia pensar. Alegou que a viagem era só para ficar tomando vinho e aquilo o enfastiava. Esqueceu seus próprios princípios. Esqueceu que a reunião dos amigos tinha mais a ver com a amizade, coisa que eles entendiam muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, Roberto foi esquecendo também de si mesmo. Deixou para trás a velha humildade e começou a fazer só exigências. Quando visitava alguém, queria parar no estacionamento do anfitrião. Queria o prato mais cheio. Esquecia suas próprias taças de vinho e usava as alheias. E ainda achava que estava fazendo um favor para os outros. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo Roberto foi se isolando em seu castelo de cristal. Deixou crescer os cabelos. Não cortava mais a unha do pé. Até mesmo a paixão pelo futebol diminuiu.&lt;br /&gt;Morreu em seu enorme castelo na Quinta da Baronesa, sozinho. Seu ltimo criado estava perto, no momento do seu último suspiro. Jura que ouviu a última palavra proferida pelo moribundo patrão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Corinthians!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-4793278324362654424?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/4793278324362654424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/02/o-conto-do-menino-roberto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/4793278324362654424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/4793278324362654424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/02/o-conto-do-menino-roberto.html' title='O conto do menino Roberto'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S4fYdZFuWgI/AAAAAAAAApo/XXPI6cwapgQ/s72-c/kane.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8086975294579157159</id><published>2010-02-10T12:39:00.000-08:00</published><updated>2010-02-12T03:20:42.342-08:00</updated><title type='text'>Diálogo com as pedras</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S3McemvxTjI/AAAAAAAAApg/fb_GQhQwkr0/s1600-h/palavras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436720487288884786" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 116px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S3McemvxTjI/AAAAAAAAApg/fb_GQhQwkr0/s320/palavras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro de tentar conversar com meus pais quando era adolescente e da sensação de não ser ouvido. Era o início da década de 1980 e, embora um pouco mais avançados que meus avós, eles pareciam não entender nada do que eu dizia. Essa era a história da própria adolescência: a gente tentava se expressar, ser compreendido, e as palavras pareciam inúteis. O velho não aceitava ou compreendia o novo. Nós pudemos ajudar a fazer ouvir a voz do povo que fez a democracia no Brasil, mas em casa a voz do jovem não valia grandes coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu tenho em casa um rapazinho de 14 anos; por conta dessa minha experiência, pergunto sempre o que acontece, tento estabelecer o diálogo que me parecia tão importante. O que pensa disso e daquilo? E namorada? E sexo? E ele... Não diz nada. Fica mudo, desconversa. Dentro de casa, passa a maior parte do tempo diante do computador. Ou no quarto, com a porta fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que a barreira entre pais e filhos continua a mesma. Dessa vez, porém, para minha surpresa, não são os pais que não querem ouvir. São os filhos que não querem falar. Troquei de posição, mas continuo no meu diálogo com as pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consulto os amigos. A coisa não é só comigo. Nunca os adultos tiveram tanto interesse em entender os filhos adolescentes. Nunca foram tão flexíveis. Hoje há poucas proibições. Se quiserem, os adolescentes vêm namorar dentro de casa. O que no meu tempo de adolescência era algo impensável, hoje é até preferido pelos pais. Acham melhor que pensar nos filhos arriscando o pescoço por aí nesse mundo violento. Mas o interesse dos outros pais cai também no vazio. Eles obtém de seus filhos adolescentes tantas respostas para as suas perguntas quanto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebo que há toda uma geração de adolescentes que, mesmo tendo pais abertos ao diálogo, não querem saber de falar. Continua aquele buraco negro que surge entre pais e filhos nessa fase da vida de ambos. O antigo conflito de gerações transformou-se em vácuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fui adolescente que queria falar sem ser ouvido, e hoje sou padrasto que quer falar e não sou escutado, tenho a sensação de que a minha geração é uma vítima rara das mudanças psicossociais. Pois as palavras, que eram inúteis, continuam inúteis. Aqueles que não foram ouvidos pelos áis, continuam a não ser ouvidos pelos filhos. Isso me leva a acreditar, com meu espírito radicalizador, que realmente não existe nem jamais existirá uma conexão verdadeira entre pais e filhos nessa fase tão importante da vida de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que dá para entender os adolescentes hoje. Eles nunca foram tão controlados. Têm de andar de celular e assim sabemos onde estão, o tempo todo. Por medo de assalto ou coisa pior, eles não têm independência alguma. São levados de carro para o judô, o balé, o piano, a natação. Tudo o que fazem é pago. Nunca são simplesmente esquecidos ou deixados a andar pela rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado, eles passaram a defender sua privacidade. Construíram um mundo no qual não podemos penetrar. Não gostam de contar com quem andam, o que conversam com os amigos, nem mesmo o que pensam. A internet e especialmente os bate-papos eletrônicos viraram uma área particular à qual o pai e a mãe não podem ter acesso. É a maneira que encontraram na vida contemporânea de ganhar identidade, liberdade e independência. Ao se esconder, eles tentam se afirmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para qualquer pai, claro, é preocupante. Como um meio fácil de alienação, a internet tende a ocupar o tempo todo dos filhos. Eles caminham cada vez mais para a reclusão e o individualismo. Proibi-los de ter seu espaço, porém, é também tolher seu último refúgio. Trata-se de um dilema novo, assim como eram novos para nossos pais os dilemas que lhes impusemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adolescência é uma idade que implica certos riscos, isso não mudou. Eles acabaram de ser crianças, acham-se adultos e não têm experiência. Os adolescentes de hoje tem muita informação e, por não ter liberdade, tem também pouca vivência e responsabilidade. Conversar seria importante. Se não há conversa, o que fazer?A resposta, creio, é nada. É preciso deixar que eles encontrem seu próprio espaço e voltem a sentir necessidade de se aproximar dos pais. É preciso vigiá-los e ajudá-los, mas respeitar a distância que impõem. Cada geração adquire afirmação para a vida adulta de uma forma. Essa é a deles, muito influenciada pela evolução tecnológica, que estimula a reculsão e o individualismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fazer? Parei de desperdiçar as palavras inúteis. Recolhi as pontes que vivi lançando para os outros a vida inteira. E espero o dia em que as palavras, e mais que as palavras, a busca pelo entendimento, a compreensão e o amor, voltem a ter valia. E me saíram estes versinhos, se é que chegam a ser versinhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dialogar com as pedras&lt;br /&gt;É tarefa de uma vida inteira&lt;br /&gt;E do sussurro ao grito&lt;br /&gt;Ouço de volta somente o eco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8086975294579157159?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8086975294579157159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/02/inuteis-palavras.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8086975294579157159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8086975294579157159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/02/inuteis-palavras.html' title='Diálogo com as pedras'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S3McemvxTjI/AAAAAAAAApg/fb_GQhQwkr0/s72-c/palavras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8013944576843651056</id><published>2010-01-10T14:51:00.000-08:00</published><updated>2010-01-10T15:12:10.714-08:00</updated><title type='text'>O caminho certo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S0payNze9uI/AAAAAAAAApY/-zolfrKYsZo/s1600-h/bin%C3%B3culo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425248519866742498" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 118px; CURSOR: hand; HEIGHT: 110px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S0payNze9uI/AAAAAAAAApY/-zolfrKYsZo/s320/bin%C3%B3culo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;A volta do prazer da leitura para muita gente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos, voltei a ler livros em série, por conta do trabalho – recentemente, assumi a direção editorial da Editora Saraiva para fazer livros de ficção e não-ficção. Não me dava conta de quanta falta estava sentindo de ler; recuperei assim um prazer de menino. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não deixei de ler bastante por falta de tempo ou de interesse. Quando enconram em um livro uma ideia que os interessa, muitos escritores param a leitura, compelidos a escrever. Quando algo me desperta, passo imediatamente para o papel. Depois de certo tempo, o que temos a escrever passa a ser mais importante do que aquilo que queremos ler, exceto quando isso traz informação ou contribui de alguma forma para o texto. Então o autor acaba sempre ocupando o tempo do leitor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora que o editor se impõe, o leitor volta a tirar o tempo do autor. Tenho de criar produtos e ler, não como diversão, mas com os olhos do avaliador de mercado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É enorme o número de livros que eu gostaria de ler por interesse prático ou puro prazer. Muitos deles passaram para o final da fila; agora, a prioridade são aqueles que devo ler, por razões profissionais. Fico feliz, no entanto, de saber que o Brasil está no bom caminho. Sabemos que o desenvolvimento de um país depende da educação, e a educação depende da formação de leitores. E nossos leitores estão aumentando em número e qualificação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um sinal disso é que já não são tão raros os livros que alcançam números expressivos de vendas. Há livros que chegam aos 500 mil exemplares vendidos. No mercado de livros para adolescentes, em que estão títulos da série crepúsculo e Harry Potter, as cifras superam a casa do milhão. É gente cujo interesse pela leitura certamente não se perderá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pouca gente sabe, mas o Brasil tem um dos maiores, se não o maior programa de distribuição gratuita de livros do mundo. Todos os anos, o governo compra e distribui cerca de 130 milhões de livros didáticos e paradidáticos. Com isso, acaba aumentando o número de pessoas que tem acesso ao livro pela base, ainda que o ensino de massa somente aos poucos venha ganhando qualidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem começou esse programa maciço de distribuição de livros foi José Sarney, quando ocupou a presidência; no meio de tantas barbaridades por ele cometidas, o presidente que é também imortal da academia acabou pouco reconhecido pela melhor coisa que talvez tenha feito - o seu Bolsa Família na área educacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A leitura aumenta também porque nunca tivemos tantos alunos de segundo grau e de nível universitário. As escolas são fracas, dizem os especialistas, mas é assim que se começa. Quando há mais oportunidade de estudar, o topo de pirâmide acaba também por aumentar com o crescimento da base. E, com o tempo, a qualidade vai crescendo, depois do salto inicial da quantidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para completar, creio que a internet, em vez de destruir o livro, só vem a ajudá-lo. Democratiza, barateia e estimula o acesso à informação e à cultura. Nunca se leu e escreveu tanto quanto hoje, graças à internet. O preço de todo produto virtual será mais baixo e com certeza provocará muitas transformações no mercado editorial. Mas ao final disso a escala de vendas será como nunca jamais se viu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Câmara Brasileira do Livro estima que o brasileiro compre, em média, 1 livro por ano. Nos Estados Unidos, são nove. Creio que essa é a distância que nos separa do primeiro mundo. No entanto, significa que há um grande espaço para crescer. Quando se fala tanto em desaparecimento do livro por conta do meio digital, acredito que no Brasil seu futuro está apenas começando.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8013944576843651056?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8013944576843651056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/01/o-caminho-certo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8013944576843651056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8013944576843651056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/01/o-caminho-certo.html' title='O caminho certo'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S0payNze9uI/AAAAAAAAApY/-zolfrKYsZo/s72-c/bin%C3%B3culo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-2209494564327621448</id><published>2010-01-03T15:46:00.000-08:00</published><updated>2010-01-03T16:01:24.189-08:00</updated><title type='text'>Infeliz ano novo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S0EvUN7tcjI/AAAAAAAAApI/QOvVXBdtR9Y/s1600-h/anonovo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422667450714780210" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT: 93px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S0EvUN7tcjI/AAAAAAAAApI/QOvVXBdtR9Y/s320/anonovo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Razões para comemorar no meio das tragédias&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Feliz ano novo, dizem todos nesta época do ano. E no noticiário vemos somente a tragédia: a chuva que faz descer os morros que levam as casas que soterram as pessoas. Fim de ano, revisão de vida: agradecemos os que estamos vivos, pensamos nas perdas, tentamos olhar adiante. Acima de tudo, procuramos não perder a alegria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vejo as fotos das pessoas que tentam ajudar em meio ao caos: os bombeiros, os vizinhos, os anônimos e desconhecidos que surgem de toda parte, solidários na tragédia, irmanados no desastre. Um homem que leva o corpo de uma menina morta na enchente. A pousada no paraíso que virou inferno. As chuvas mataram mais que o acidente célebre com o Bateau Mouche no Rio de Janeiro, outro acidente que fez um reveillon se tornar inesquecível, é o que dizem as estatísticas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por quê o período de festas parece ser cada vez mais trágico? O mundo contemporâneo é superlativo em tudo. Milhões de pessoas se deslocam para se divertir. Quando milhões se deslocam, as estatísticas crescem em grande proporção para todos os lados – acidentes de todo tipo, congestionamentos, confusão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O crescimento das cidades e o consumo dos recursos naturais também vem provocando as forças fenomenais da natureza. A civilização ocidental vem roubando o equilíbrio da Terra, que devolve (ou se vinga) na mesma medida. O planeta aquecido pela ação predatória do ser humano é um planeta de chuva: o sol tórrido logo é encoberto pelas nuvens que procuram repôr a vida com a água. O homem mata a natureza e a natureza em contragolpe mata o homem com violência descomunal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando eu era criança, chegar em 2000 – Século XXI – era coisa de ficção científica. Encerramos a primeira década deste século cabalístico para ver que o mundo não mudou tanto assim, embora tudo seja em maior escala. O homem continua tentando dominar a natureza, inutilmente. A intolerância e a selvageria sem limites ainda desafiam os iluministas que procuram trazer a harmonia à sociedade. Por isso, o tema mais importante deste século não é a tecnologia, mas o equilíbrio ecológico e o desenvolvimento sustentável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ainda tentamos nos alegrar com nossas pequenas vitórias e o fato de ainda estarmos vivos, enquanto a tragédia, a pobreza e a inconsequência coletiva ainda ameaçam a paz. Comemoramos porque no mundo imperfeito ainda podemos nos agarrar à esperança trazida por qualquer amor – e qualquer flor, qualquer saúde, qualquer felicidade ganham importância como nunca. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-2209494564327621448?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/2209494564327621448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/01/infeliz-ano-novo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2209494564327621448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2209494564327621448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2010/01/infeliz-ano-novo.html' title='Infeliz ano novo'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/S0EvUN7tcjI/AAAAAAAAApI/QOvVXBdtR9Y/s72-c/anonovo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8670284651926664606</id><published>2009-12-26T12:59:00.000-08:00</published><updated>2009-12-26T13:03:46.712-08:00</updated><title type='text'>A história por trás da história</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZ5mQM5w2I/AAAAAAAAApA/pG_3wPGph9Q/s1600-h/livros8.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419652899678045026" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZ5mQM5w2I/AAAAAAAAApA/pG_3wPGph9Q/s320/livros8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No final do Século 19, a Europa vinha de um período de guerras e grande pobreza, especialmente a Itália. Antes um país dividido, recém-reunido em uma campanha militar liderada pelo rei da Lombardia e do Piemonte, Vitor Emanuel II, havia pouco emprego, sobretudo no campo. No final dos anos 1800, começou a migração de mutios italianos para os países do Novo Mundo, que ofereciam oportunidades distantes, como os Estados Unidos e o Brasil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Entre 1880 e 1930, vieram para o Brasil cerca de 1,4 milhão de italianos, de acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Trazidos por navios a vapor, desembarcaram principalmente no Rio Grande do Sul, onde foram trabalhar como artesãos ou camponeses na serra gaúcha, e em São Paulo. No interior paulista, que precisava de mão de obra com o fim do trabalho escravo, eles eram contratados como colonos, trabalhadores assalariados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Além de seus rendimentos, aos colonos era permitido também plantar para seu próprio sustento entre os pés de café nas terras do patrão. Com isso, os imigrantes italianos, bem como os portugueses e espanhóis, tinham uma renda adicional. Eles moravam em “colônias”, conjuntos de casas construídas especialmente para abrigá-los, e que acabavam por aproximar as famílias, incluindo pelos laços de casamento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A união das famílias de mesma nacionalidade permitiu que os imigrantes juntassem recursos para mais tarde comprar suas próprias fazendas em sistema de consórcio e depois novas propriedades para cada uma das famílias. Muitos deles enriqueceram no início do Século 20 com as plantações de café, então o principal produto de exportação do Brasil, enviado ao exterior por meio do porto de Santos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nessa época, a cidade de São Paulo passou a brilhar com os casarões dos fazendeiros de café, que tornaram famosa a Avenida Paulista, onde se construíam casas com telhas importadas da França, mármore de Carrara e madeira de lei brasileira. Os primeiros italianos a se aventurar na indústria fizeram fortuna, como o Conde Francisco Matarazzo (1854-1937), que a partir da venda de barris de banha de porco construiu o maior império industrial do país (as Indústrias Reunidas Matarazzo). O nome Matarazzo, desde então, se tornou um símbolo de riqueza, especialmente em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No interior de São Paulo, os colonos italianos não encontraram uma vida fácil. Seu trabalho era desmatar o sertão, para permitir o plantio do café, uma cultura favorecida pelo clima e a célebre “terra roxa”. Esse nome é também uma influência italiana, pois terra roxa não existe. Trata-se de uma terra muito rica em nutrientes, de cor vermelha (ou “rossa”, em italiano).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No sertão paulista, além das dificuldades naturais do trabalho e de um país diverso de sua terra natal, os italianos enfrentavam o preconceito dos brasileiros, que os consideravam uma gente bronca, mal educada e temperamental. Em sua maior parte contadinos, como eram chamados na Itália os trabalhadores da terra, eles tinham pouca instrução, mas muita vontade de trabalho. E, aos poucos, começaram a se impôr e influenciar também a cultura do país com sua comida, sua língua e seus costumes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com a crise mundial de 1929, quando as exportações de café praticamente foram paralisadas, muitos italianos que possuíam fazendas ficaram com pesadas dívidas e voltaram à pobreza. Muitos deles migraram para o norte do Paraná, onde ainda havia terras virgens e baratas a serem exploradas. Outros deixaram o campo e migraram para São Paulo, instalando-se em bairros como o Brás, Móoca e Bela Vista, que tiveram uma forte influência da cultura italiana. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eram os bairros das cantinas e das cadeiras na calçada, onde se jogava baralho e bingo aos domingos, e de festas como a da Nossa Senhora Achiropita, promovida pela igreja do mesmo nome, que existe ainda na rua Treze de Maio, na capital paulista, realizada uma vez por ano.&lt;br /&gt;Hoje, a influência da migração italiana ainda está muito presente na vida cultural e econômica do Brasil. O consulado italiano em São Paulo estima que existam hoje cerca de 25 milhões de descendentes de italianos no Brasil, o que seria cerca de um sexto da nossa população. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os italianos participaram ativamente do primeiro grande ciclo de crescimento do país, agrícola e exportador, na era do café. Fizeram parte também da primeira fase de industrialização do Brasil, no papel dos primeiros grandes empreendedores de origem popular, como o Conde Matarazzo, ou como formadores do operariado brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deixaram sua marca no urbanismo, não apenas nos casarões neo-clássicos da Avenida Paulista como nos bairros operários. Sua identidade ficou na religião, de predominância católica, assim como entre descendentes de portugueses e espanhóis, e na culinária. A influência italiana é forte sobretudo no gosto do brasileiro pelas massas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, a pizza foi incorporada como um prato “local”. No Rio Grande do Sul, a influência italiana na culinária pode ser vista também nos cafés coloniais, onde se pode desfrutar de uma mesa farta; nas galeterias, onde o frango é servido com polenta e uma massa fina, conhecida como “cabelo de anjo”; e no vinho, que por influência italiana, e com o auxílio de um clima mais favorável, passou a ser produzido na serra gaúcha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Essa influência se estende até ao futebol, onde ainda há clubes cuja tradição se liga ao passado do imigrante italiano, como o Palmeiras, de São Paulo, antigo “Palestra Italia”, que mudou de nome por causa de Segunda Guerra Mundial, quando os italianos passaram a ser hostilizados por estarem ao lado dos alemães no conflito. E o Cruzeiro, em Belo Horizonte, cuja fundação também se liga à tradição da colônia italiana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É possível dizer que, assim com a mão de obra escrava fez do Brasil um país racialmente miscinegado, com grande presença dos descendentes do negro e sob forte influência das culturas africanas, o país seria outro sem os imigrantes italianos. No Brasil, a Itália hoje se encontra em toda parte, o que ajuda a fazer do nosso país um pedaço do mundo onde a diversidade melhor encontrou uma forma de convivência pacífica: não uma fonte de discórdia, mas de enriquecimento da vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8670284651926664606?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8670284651926664606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/12/historia-por-tras-da-historia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8670284651926664606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8670284651926664606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/12/historia-por-tras-da-historia.html' title='A história por trás da história'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZ5mQM5w2I/AAAAAAAAApA/pG_3wPGph9Q/s72-c/livros8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6495911423182092841</id><published>2009-12-26T12:26:00.000-08:00</published><updated>2009-12-26T12:27:44.621-08:00</updated><title type='text'>Elucidação da memória</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZxulYaIhI/AAAAAAAAAo4/F6DOo_Gg1jw/s1600-h/anjodemo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419644246709379602" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 143px; CURSOR: hand; HEIGHT: 86px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZxulYaIhI/AAAAAAAAAo4/F6DOo_Gg1jw/s320/anjodemo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Só o tempo mostra o certo e o errado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu há cerca de dez anos, quando eu trabalhava como editor na revista Veja, responsável pelas treze sucursais, mais uma seção encarregada de produzir reportagens de interesse geral e desenvolvimento pessoal. Havia na minha equipe uma jovem, loirinha, que acabara de começar na carreira. Naquele mesmo dia, estava especialmente feliz: deois de um período no programa de treinamento, tinha sido contratada - acabara de receber o crachá da empresa, que veio me exibir sorrindo, como um troféu. Pouco mais tarde, chegou a notícia, por telefone. O aviso de um erro grave na edição daquela semana. Muito grave. A autora do erro: a menina feliz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Fui conversar com meus superiores. Chegamos à mesma conclusão, não havia como evitar a demissão. Por um lado, parecia uma medida injusta, desproporcional. A menina estava na situação em que qualquer um mereceria uma segunda chance. Se havia um erro, era muito nosso, já que tínhamos colocado alguém inexperiente para fazer o trabalho. Porém, fosse como fosse, a revista tinha de tomar uma providência correspondente à gravidade do erro; era importante mostrar que leváramos o dano causado a sério, um princípio que norteia veículos com credibilidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Chamei-a para dar a notícia. Lembro da sua expressão de choque, confusão, terror. O melhor dia da sua vida se transformava também no pior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Claro que eu não estava contente. Muitas vezes, por razões profissionais, tive de fazer o papel de nêmesis. Acostumei-me a um papel desagradável. Porém, sempre procurei ser justo, fazer o mais acertado, encontrar a saída mais correta. No momento, aquela me pareceu a única decisão possível, por mais desumana que pudesse parecer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dez anos depois, não lembro mais do erro propriamente dito cometido ela e que motivou a demissão. Poderia investigá-lo, refrescar a memória, mas concluí que o fato de não lembrar é significativo. Só o tempo mostra o que é certo ou errado. Enquanto não lembro do que motivou a demissão, lembro perfeitamente de ter mandado a menina embora, dos meus sentimentos contraditórios em relação ao que estava fazendo, da expressão dela, mesclando surpresa, sofrimento e horror. Só o tempo, repito, mostra o que importa numa decisão. E quando estamos certos ou não. Creio que nesse caso o tempo mostrou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Recordo esse episódio porque a todo momento temos de avaliar se uma decisão é ou não correta, sem pesar o que realmente faz uma decisão ser correta ou não. A pergunta que devemos fazer não é se isso é certo, mas como nos sentiremos com aquela atitude, dez anos depois. Em geral, ao tomarmos uma decisão, levamos em conta uma série de fatores racionais ou profissionais e menos os sentimentos que estão envolvidos. E a verdade é que com o tempo os fatos que levam a uma decisão são apagados da memória, ou mesmo suas consequências práticas, enquanto as emoções ficam, muitas vezes de forma indelével.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Provavelmente a vítima daquela decisão já tenha superado o episódio e nem se lembre do que aconteceu, enquanto para mim ficaram estes pensamentos. Talvez aquilo no final tenha sido mais importante para mim do que para ela, pois peso episódios como este ao tomar decisões difíceis. Aprendi que considerar o coração é tão importante na vida profissional quanto na hora de escrever um romance. É ele, afinal, quem devemos consultar, tanto ou mais que o cérebro, no nosso dia a dia. Qualquer outro tipo de julgamento está fadado a mudar com o tempo e a lição imposta pela nossa memória.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6495911423182092841?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6495911423182092841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/12/elucidacao-da-memoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6495911423182092841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6495911423182092841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/12/elucidacao-da-memoria.html' title='Elucidação da memória'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZxulYaIhI/AAAAAAAAAo4/F6DOo_Gg1jw/s72-c/anjodemo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1114085733691683982</id><published>2009-12-26T12:25:00.000-08:00</published><updated>2009-12-26T12:26:17.339-08:00</updated><title type='text'>Obras elevadas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZxYu6f0sI/AAAAAAAAAow/7WS7_D6EQPs/s1600-h/passarela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5419643871311155906" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 121px; CURSOR: hand; HEIGHT: 86px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZxYu6f0sI/AAAAAAAAAow/7WS7_D6EQPs/s320/passarela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sempre pensei que as pessoas deviam ser lembradas pelo que elas foram e o que tinham de bom – não pela maneira como morreram. Marcelo Frommer não teve essa sorte. O músico dos Titãs podia ter virado nome de festival, de gravadora, marca de instrumento musical. Não. Virou nome de passarela, na Avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo. Justo para a gente lembrar que morreu atropelado. Que melhor oportunidade para o espírito didático dos administradores públicos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No aeroporto de Congonhas, uma das passarelas que fazem a ponte aérea sobre a Avenida 23 de Maio ganhou o nome do comandante Rolim Amaro. Não puderam também perder a oportunidade de homenagear com o nome do patrono da TAM esse dispositivo de segurança, talvez para ninguém esquecer que por ali já caíram dois jatos da companhia, com três centenas de mortos, e que o próprio Rolim deixou a vida dentro de um helicóptero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passarela não é exatamente um monumento, nem uma grande obra urbana. Não é, por assim dizer, algo que realmente eleva o homenageado. É uma láurea meio pedestre. Não se compara sequer a nome de rua. Quando botam o nome de alguém numa passarela, parece que estão querendo gozar o morto. E ele já não pode fazer nada. Mas o edificador de passarelas tenta engrandecê-las com nomes próprios elevados, para glória deles mesmos e do prefeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na falta de um nome de peso, pode-se recorrer a acontecimentos de impacto. No final da Avenida Sumaré, pouco antes dela se transformar no Viaduto Antártica, ergueu-se a Passarela Arrancada Heróica de 1942, referência a algum feito esquecido pela história do clube ali vizinho, o Palmeiras. Pouco se sabe sobre a tal arrancada heróica, que teria sido bem vinda no campeonato brasileiro. Mas não importa, se o nome impressiona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, tive a oportunidade de utilizar a Passarela Marcelo Frommer. É talvez a mais moderna, cara e completa do Brasil. Coisa de primeiríssimo mundo, um orgulho da engenharia nacional. Leva quinze minutos só para a gente chegar lá em cima, outros tantos para descer do outro lado. Faz das tarefa de atravessar a rua mais que uma atividade prática e objetiva – é um exercício físico e uma experiência filosófica e sensorial. Toda engradada como uma gaiola, para evitar que alguém subverta seus propósitos beneméritos com um salto suicida, simboliza o preço da vida, já que aquelas toneladas de concreto e ferro devem ter custado um bom dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei ali às 18:30, no horário de pico, em um dia de semana. A noite já tinha caído. Só eu atravessava. Apertei o passo, sobressaltado naquele deserto contrastante com o movimento maciço de veículos lá embaixo. Saí do outro lado exultante. Escapara – não dos veículos, mas de um assalto naquele lugar ermo. E saí com a convicção de que nada substitui a faixa de pedestres como o caminho mais curto, barato, seguro e anônimo entre dois pontos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1114085733691683982?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1114085733691683982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/12/obras-elevadas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1114085733691683982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1114085733691683982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/12/obras-elevadas.html' title='Obras elevadas'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SzZxYu6f0sI/AAAAAAAAAow/7WS7_D6EQPs/s72-c/passarela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1739409820313787807</id><published>2009-11-18T01:55:00.001-08:00</published><updated>2009-11-18T01:57:38.214-08:00</updated><title type='text'>Bem-vindos ao blog</title><content type='html'>Os leitores do site &lt;a href="http://www.thalesguaracy.com.br/"&gt;www.thalesguaracy.com.br&lt;/a&gt; de agora em diante vão ser ditigidos para esta página. O tempo anda curto para atualizar ambas e creio que será cada vez menor. Estou indo para um novo desafio profissional e procurarei não deixar de escrever - neste momento trabalho num complexo livro de memórias em forma de poema. Não falo mais porque certas coisas a gente não fala - assim como político não deveria fazer promessa, nesse ofício de escrever a gente só pode dar a coisa como certa quando realizada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1739409820313787807?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1739409820313787807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/11/bem-vindos-ao-blog.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1739409820313787807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1739409820313787807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/11/bem-vindos-ao-blog.html' title='Bem-vindos ao blog'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6804151665532006193</id><published>2009-11-18T01:53:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T01:54:47.993-08:00</updated><title type='text'>Sugestões</title><content type='html'>Recebi uma porção de sugestões para o clipe, especialmente os de encurtá-lo um pouco, deixar mais romance (não é só um romance de guerra, reclamou um leitor amigo meu) e tirar os números. Vamos fazer isso, deixa aparecer um tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6804151665532006193?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6804151665532006193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/11/sugestoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6804151665532006193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6804151665532006193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/11/sugestoes.html' title='Sugestões'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6488873522903461436</id><published>2009-10-26T03:20:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T07:03:31.054-07:00</updated><title type='text'>O verdadeiro valor</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SuV5N5o2DjI/AAAAAAAAAoY/GUFyBdDjv90/s1600-h/vovo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396853008190803506" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 108px; CURSOR: hand; HEIGHT: 92px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SuV5N5o2DjI/AAAAAAAAAoY/GUFyBdDjv90/s320/vovo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Filho, preciso te contar esta história.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando eu tinha sua idade, era menino de apartamento. Desses que crescem na cidade, vendo televisão e brincando com os amigos do prédio. Por isso, um dos momentos mais esperados do ano era quando minha mãe visitava a tia Mercedes (que era tia dela, bem entendido), no interior de São Paulo. Uma semana, sempre nas férias. Ah, o sítio da tia Mercedes! Que delícia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ficava longe, a seis horas de carro, no fim de uma estrada de terra fina como areia, vermelha como tijolo e que na chuva escorregava feito sabão. Perto de uma vilazinha chamada Guarapuã, a poucos quilômetros de Jaú. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A cidade que já foi a capital do café – dizia mamãe, orgulhosa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Toda a família de mamãe era de lá. Meu bisavô, Mauro, tinha vindo da Itália com toda a família – a mulher e oito filhos – para trabalhar como colono nas fazendas de café. Meu avô José e minha avó Dileta tinham nascido ali mesmo, num sítio vizinho ao da tia Mercedes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Minha mãe tinha passado toda a infância dela no interior. Dizia que seu pai, assim como os irmãos, tinha ficado muito rico com o café. De colono, trabalhando como empregado de fazenda, tinha passado a fazendeiro. Como muitos, porém, perdera tudo na crise de 1929. Eu não sabia direito que crise tinha sido essa, só que o café, a grande riqueza do Brasil na época, de repente passou não valer mais nada. Vovô ficou com muitas dívidas, vendeu a fazenda e, de negócio em negócio, perdeu tudo o que tinha. Acabou morando em São Paulo, onde foi trabalhar como metalúrgico. Era quase analfabeto e dava muito mais importância ao trabalho que à educação, mas na cidade todos os seus filhos, veja só, viraram professores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A tia Mercedes, casada com o tio Mário Piva, tinha ficado em Guarapuã, num sítio pegado ao que pertencera à nossa família, antes de vovô José comprar com os irmãos uma fazenda de 300 alqueires em Torrinha, mais longe dali. Com menos ambição e mais bom senso, num sítio menor, tinham sobrevivido à crise e continuaram a viver igualzinho sempre, plantando o seu café.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lá, tudo estava quase como 50 anos antes. O carro passava sobre um ribeirão, numa ponte de madeira das antigas, que dava medo de atravessar – aaaai... A casa da tia Mercedes era de madeira, com um alpedre na frente. Logo ao lado, ficavam o cocho, onde pelas manhãs se tirava o leite das vacas; o terreiro onde as sementes de café secavam ao sol; e o paiol, onde depois eram ensacadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tia Mercedes já era velhinha e enrugada. Estava sempre de vestido de algodão florido, como se fosse jovem, com os cabelos presos na cabeça por um coque. Era corcundinha, curvadinha para a frente, diziam que de tanto lavar a roupa inclinada no ribeirão. Lavava a roupa numa tábua, lisa de tanto esfregar, com sabão feito de sebo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Meu Deus! – exclamava ela, sempre que nos via. – Como esse menino está crescendo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A casa de tia Mercedes era muito simples. A sala, comprida, era iluminada à noite pela luz de lampião. Na cozinha, funcionava um fogão a lenha, que crepitava o dia inteiro, do café até o almoço, do almoço até o lanche, do lanche ao jantar, e toda a noite, até de madrugada. Tio Mário, um homem magro e silencioso, de lábios dobrados para dentro pela falta de dentadura, gostava de “quentar” ao lado do fogo, como se dizia, arrancando o milho seco da espiga com as mãos, enormes, escalavradas pelo trabalho na terra, de dedos grossos e nodosos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Aêh, menino, que você quer fazer amanhã? – ele perguntava, como se não soubesse a resposta.&lt;br /&gt;- Andar a cavalo! – dizia eu, no maior entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O dia começava muito cedo: eu pedia a tia Mercedes que me acordasse às cinco da manhã, para ver os primos de mamãe, Nelson e Ariosto, tirarem o leite. Eles moravam em duas casas próximas à de tia Mercedes, pouco acima na estrada torta que levava ao cafezal. Nelson, sempre de chapéu de palha, com um bigodinho fino como uma risca debaixo do nariz, era um homem suave e gentil. Trazia as vacas para o curral ao lado da casa de tia Mercedes, com o chão coberto de cana de açúcar, que naquele tempo servia apenas de forragem; não era a riqueza de hoje, agora que é usada para fazer álcool combustível. Nelson amarrava as pernas traseiras das vacas, com os bezerros presos num cercadinho, ordenhava os animais e depois soltava os bezerrinhos; cada qual ia mamar direto na sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu gostava de sentar na última tábua do cercado; às vezes, uma vaca ou outra chegava bem perto e eu tinha oportunidade de passar a mão, maravilhado. Havia umas grandes, tão pretas que pareciam quase azuis, de chifres grandes e ameaçadores; outras eram malhadas de preto e branco, e por fim havia as de cor marrom. Depois que o leite ia para um balde, levado para dentro de casa, Nelson enchia os garrafões de metal, deixados em um cesto na entrada do sítio: todos os dias, às seis da manhã, passava o carroceiro que os apanhava para vender o leite fresco em garrafas de vidro na vila de Guarapuã.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Era bom beber o leite às vezes ainda quente do ventre da vaca, espesso, sumarento e saboroso. Eu tinha muito o que fazer. Passava a manhã atrás dos bezerros, com uma corda na mão, tentando laçá-los, sempre inutilmente. Tentava não perder a pose de vaqueiro, com minhas botas de caubói, um chapelão que usava só para ir ali, um par de coldres recheados de revólveres de plástico, correndo atrás dos pobrezinhos pelo pasto, atirando a corda a esmo e, vez por outra, indo de cara no chão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ai ai ai – balbuciava o primo Ariosto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era um homem sempre de barba por fazer, semblante fechado, meio taciturno. Nelson, que tinha duas filhas, nenhum menino, achava extraordinário um garoto da cidade adorar cavalo, vaca e andar no mato. Estava sempre disposto a me ajudar. Ariosto, porém, era diferente. Ele me olhava como se eu tivesse vindo de outro planeta. Seus olhos diziam: aquele menino desajeitado, correndo para todo lado, ainda vai dar muito trabalho. Ao meu tio Mário, achando que eu não escutava, dizia: onde se viu usar animal para diversão de menino que nem sabe botar sela, montar nem fazer nada sozinho?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A eguinha baia, sempre reservada para mim, era a mais mansa do lugar, talvez do mundo. Velhinha, seu pelo já ficara meio amarelo, e andava tão magra que tinhas as ancas ossudas. Nelson a estacionava diante do paiol, onde buscava os arreios, arreiava o animal e me ajudava montar, pois eu era tão pequeno que não chegava lá em cima sozinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu não ligava para o que pensava o primo Ariosto, que tinha idade para ser meu pai: com meu chapéu de boiadeiro, sentia-me como um rei. Fingia que a eguinha velha era um garanhão fogoso e tratava de tocá-la com uma varinha de salgueiro, flexível mas doída, para tirá-la do lugar. Dava voltas por ali mesmo, perto do cafezal; o que mais gostava, porém, era andar dentro do rio, vendo as patas da égua afundarem na areia mole, passando entre as pedras e a sob a ponte, cuja sombra parecia tremular dentro da água.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Às vezes, eu ia com Nelson levar sal para o gado na invernada; eu gostava porque ficava a uma hora dali e eu podia andar bastante a cavalo, me sentia no trabalho de um vaqueiro de verdade. Quando era tempo de colher café, ia com meus primos e os meus tios para o cafezal. Os pés eram plantados a curta distância um do outro num terreno limpo e arenoso. Os frutos eram colhidos com a mão, que corriam pelos galhos trazendo aquelas bolinhas vermelhas para a bateia, onde elas eram separadas das folhas e galhos antes de serem ensacadas. Por isso, as mãos daquela gente eram grossas e cascudas como o pé de quem nunca usa sapato. Depois, espalhava-se o café no terreiro ao lado da casa da tia Mercedes, onde secava ao sol. Era revirado no chão com um rastelo de madeira até ficar preto e pronto para ser torrado e moído.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As tardes eu passava no quintal da tia Mercedes, onde havia um pomar cheio de frutas gostosas e um ribeirão cujas águas límpidas rolavam entre as raízes grossas de uma mangueira, transformada em uma ilha viva, onde eu ia me deitar. À tarde, quando o calor se tornava insuportável, era o lugar mais fresco da redondeza; eu adorava ficar ali, ouvindo o burburinho da água, respirando o ar com cheiro de terra molhada e lendo os muito livros que levava, pelos quais me transportava para outro mundo: O Minotauro e os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato, os Reis Malditos, de Maurice Druon, ou as histórias de Tarzan, de Edgar Rice Burroughs.&lt;br /&gt;Às vezes, Ariosto passava por ali; me via deitado e olhava com aqueles olhos que eu não sabia decifrar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Às vezes, eu ia jogar milho para os porcos no chiqueiro: adorava a confusão que faziam no meio da lama para pegar as espigas da minha mão. Havia muitos porquinhos pequenos correndo pelo terreiro e eu adorava persegui-los, vendo abanar os rabinhos enrolados. Meu inimigo por ali era o peru, que levantava a cara feia e arrastava as asas no chão – Rrrrrrrr! – para assustar os intrusos como eu. E havia patos e galinhas e marrecos e aquele campo inteiro para passear.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Aprendi também como a vida no campo podia ser dura e cruel. Um primo distante, Ivo, criador de gado, vinha levar a boiada para um cercado atrás da casa de tia Mercedes que usavam de matadouro. Nesses dias, eu tinha de assistir tudo encarapitado na cerca, que era para nenhum boi me pegar. Ivo vinha com três empregados e uma matilha de carrochos cinzentos pegando os novilhos com mordidas nas canelas. A boiada chegava levantando poeira e batendo em tudo o que vinha pela frente, até entrar no cercado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os bois eram laçados uma a um, pendurado pelos chifres no galho mais baixo de uma árvore pelada até ficarem apenas com a pata de trás no chão. Então tomavam na cabeça uma cacetada com o machado, virado ao contrário. Desmaiados, então vinha o açougueiro com a faquinha e ó: fazia um furinho no coração, estava morto o boi. Depois ele era aberto, limpavam as víceras e o animal era carneado ali mesmo, para ir ao açougue em pedaços. Mais tarde eu usaria essa cena dos meus tempos de menino no meu primeiro romance, Filhos da Terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu ficava muito impressionado com aquilo, mas no sítio da tia Mercedes essas coisas eram normais: se não fosse assim, ninguém teria bife para comer na cidade. Depois de um dia de emoções, no fim da tarde, minha mãe punha na minha mão um sabonete e lá ia eu para o banho.&lt;br /&gt;Não havia chuveiro, muito menos água quente. Apenas de cueca, eu entrava embaixo de um cano d’ água ao lado da ponte. Ele fazia girar um roda d’água que despejava descargas tão geladas na gente que eu pulava e depois saía dali tiritando e com a pele vermelha feito de índio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De noite, eu dormia na sala, depois do jantar de frango com polenta. Às oito horas, estava na cama, lençóis acomodados em um catre. Apesar do cansaço, não estava acostumado a dormir tão cedo. Brincava projetando na parede sombras com a luz que vinha do lampião. Depois fingia dormir, para ouvir melhor as conversas dos adultos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era estranho estar na intimidade da casa de tia Mercedes. Certa vez, ao passar diante da porta de seu quarto, vi ela sentada na cama, de camisola, meio debruçada sobre uma bacia, lavando os cabelos. Desenrolados, eles eram compridos até a cintura; elas os segurava nas mãos, passando a escova alternadamente com uma esponja molhada, como uma princesa de conto de fadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi assim, de olhos fechados e bem quietinho, que ouvi também, certa noite aquela conversa na cozinha, pescando somente algumas palavras: “... garoto... não... ... bobo... égua... desperdício”.&lt;br /&gt;Eu ouvia a voz de Ariosto, surda, enrouquecida, sem entender o que dizia, mas nem precisava ouvir, para imaginar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Então vieram uns dias de chuva, em que pouco pude sair de casa. Num deles, fui chamado para uma estranha reunião. Tia Mercedes fazia questão que eu lesse um trecho dos livros que trouxera para ouvirem. Todos estavam lá: minha mãe, meus tios, os primos e suas esposas. E Ariosto, de cara amarrada. Eu não tinha a menor vontade de ler em voz alta para ninguém, mas tia Mercedes, apoiada por mamãe, insistiu tanto que não tive jeito. Assim foi que li para eles um pedaço de Tarzan e a Cidade de Ouro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isso, eu sabia fazer bem. Todos ficaram muito impressionados. Eu achava saber ler, interpretando bem a história, com a entonação e o suspense certos, algo fácil e normal. Ali, era uma façanha. Tia Mercedes, com ar de vitória, virou-se para Ariosto e disse: “Viu só?”&lt;br /&gt;Entendi tudo. Queriam mostrar para ele que eu não era um bobo completo, sabia fazer alguma coisa. Apenas era um menino de apartamento, tão desajeitado ali quanto Ariosto seria na cidade grande. Mas não falei nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No dia seguinte, Ariosto mandou recado. Disse que queria conversar comigo. Tinham botado duas cadeiras na frente de casa: a mulher dele até saiu para permitir que tivéssemos uma conversa a sós. Ariosto começou a conversa sem muita direção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Você está em que ano na escola, menino?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fez uma porção de perguntas e não disse nada. Eu imaginei que tia Mercedes, o tio Mário ou mais alguém tivesse dito a ele que me pedisse desculpas pelo que havia falado e pensado. Por algum tempo, o primo Arisoto pareceu enrolar alguma coisa na língua, como se fosse pedir mesmo desculpas ou dizer algo simpático. Porém, simplesmente não conseguiu. Há gente que é fraca demais para pedir desculpas. Depois de algum tempo, vendo que aquela conversa dava em lugar nenhum, eu disse que tinha mais coisas a fazer e educadamente me despedi. Primo Ariosto não disse mais nada. Quando me levantei e saí, vi nele uma certa cara de derrota. Além de ter sido vencido, ele estava desmoralizado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que o primo Ariosto não imaginava é que eu tinha uma coisa em comum com ele. Conhecia de cor as histórias de meu avô José, do tempo em que ele era fazendeiro, das grandes coisas que ele, seus pais e seus irmãos tinham feito, e da idéia que faziam deles mesmos. Meu avô era quase analfabeto, mas não tinha vergonha disso. “Entre nós, Fiorini, nunca nasceu um tonto”, dizia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sustentava que tínhamos de nos orgulhar de quem nós éramos. Podiam pensar mal da gente, como os brasileiros, que viam os imigrantes italianos com preconceito, fazendo pouco da sua comida, do jeito que falavam, da sua rudeza de colonos. Dizia vovô. Porém, que cada um sabe o seu verdadeiro valor. E sempre surge a ocasião de provarmos esse valor. Era uma certeza que ele definia numa só frase:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- A vida às vezes não vale nada. Mas, às vezes, vale muita coisa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Eu podia não ter jeito para montar a cavalo, laçar gado ou colher café, mas também tinha do que me orgulhar. Quando voltava do sítio da tia Mercedes, corado de sol, com as mãos machucadas de brincar com as coisas da terra, o coração cheio de vontade de voltar, sentia como se aquele lugar também me pertencesse. Mesmo que eu fosse do mundo da cidade grande, eu me sentia ali como se tocasse aquele passado com o dedo e lembrado algo a respeito de mim mesmo. Havia em mim, o menino de apartamento, algo daquela gente que, como meus avós, tinha transformado o sertão paulista de uma mata cheia de cobras e mosquitos na grande riqueza do Brasil, ao custo de uma vida heróica, cheia de grandes sacrifícios. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembre-se disso, filho, pois você também é um de nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6488873522903461436?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6488873522903461436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/10/filho-preciso-te-contar-esta-historia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6488873522903461436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6488873522903461436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/10/filho-preciso-te-contar-esta-historia.html' title='O verdadeiro valor'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SuV5N5o2DjI/AAAAAAAAAoY/GUFyBdDjv90/s72-c/vovo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-7552584098720182878</id><published>2009-10-18T14:58:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T16:32:07.619-07:00</updated><title type='text'>Amor e Tempestade, o trailer do livro</title><content type='html'>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-2cd626665addb245" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v22.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2cd626665addb245%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330281486%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D788362DF9854F3F7E112A96393FBCE6589596EE1.E34133A3F9AEF87F8A9ACF048C460B82FB23B49%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2cd626665addb245%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D953S4uwP4nRkshtzef_IqGr21ME&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v22.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D2cd626665addb245%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330281486%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D788362DF9854F3F7E112A96393FBCE6589596EE1.E34133A3F9AEF87F8A9ACF048C460B82FB23B49%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D2cd626665addb245%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D953S4uwP4nRkshtzef_IqGr21ME&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;p&gt;(Com meus agradecimentos a Rachmaninoff)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-7552584098720182878?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/7552584098720182878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/10/amor-e-tempestade-o-trailer-do-livro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7552584098720182878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7552584098720182878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/10/amor-e-tempestade-o-trailer-do-livro.html' title='Amor e Tempestade, o trailer do livro'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-5409304491668917841</id><published>2009-09-19T08:17:00.000-07:00</published><updated>2009-09-19T08:24:56.351-07:00</updated><title type='text'>Tramontina e os deuses</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrT3QcEgiVI/AAAAAAAAAoI/rrU2qmcgeII/s1600-h/carlos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383199316399655250" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 171px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrT3QcEgiVI/AAAAAAAAAoI/rrU2qmcgeII/s320/carlos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Neste domingo, 20 de setembro, receberei no Autores e Ideias o jornalista Carlos Tramontina, apresentador do SPTV, da TV Globo, e editor-chefe do dominical Antena Paulista. Falaremos do livro de Tramontina "A Morada dos Deuses - um repórter nas trilhas do Himalaia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Autores e Ideias é uma entrevista ao vivo, aberta para a plateia, que tem a possibilidade de também fazer suas perguntas ao autor. Venha, assista e participe. Começa às 17:00 na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim. A entrada é franca.&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383199453352088050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrT3YaQg0fI/AAAAAAAAAoQ/KqhVJyzWa4M/s320/morada.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrT2gkmU7pI/AAAAAAAAAn4/tZoz8bNhr0Q/s1600-h/morada.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-5409304491668917841?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/5409304491668917841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/tramontina-e-os-deuses.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/5409304491668917841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/5409304491668917841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/tramontina-e-os-deuses.html' title='Tramontina e os deuses'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrT3QcEgiVI/AAAAAAAAAoI/rrU2qmcgeII/s72-c/carlos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-592820922562698994</id><published>2009-09-17T09:38:00.001-07:00</published><updated>2009-09-17T09:45:45.599-07:00</updated><title type='text'>Vitórias sobre o medo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrJmuMqxYWI/AAAAAAAAAnw/2qApK2pYM0g/s1600-h/medo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382477448521802082" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 275px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrJmuMqxYWI/AAAAAAAAAnw/2qApK2pYM0g/s320/medo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Reflexões que servem para nossas vidas e todo um país&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quando eu tinha 36 anos, eu larguei um bom emprego, o casamento, a minha casa, tudo de uma vez. Queria escrever um romance que não saía do lugar, me sentia premido pelo que eu chamava de “maldição da classe média”, com a perspectiva de levar uma vida rotineira até confortável, mas que não estava à altura dos meus sonhos. E resolvi chutar o balde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro de que naqueles dias, sozinho no meu apartamento de casado, enquanto minha ex-mulher buscava o apoio da família na sua cidade natal, comecei a pintar. Fiz uma paisagem. Achei que era apenas uma maneira de limpar a mente. Quando minha-ex-mulher retornou de viagem, e eu saí para nunca mais voltar, lembro de tê-la encontrado na garagem do prédio e, na passagem, de lhe dar de presente o quadro que eu pintara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para onde você vai? – perguntou ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei ainda – eu disse. E completei, meio brincando, meio sério: – Morrer de fome, em algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olhou para o quadro que eu pintara. E disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca vai morrer de fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um momento especial, um último gesto de carinho, deixado num caminho que involuntariamente se tornara tão sofrido. Entendi afinal porque pintara aquele quadro: ele me lembrava do que gostava, de quem eu era, do que podia fazer sem recurso algum, começando do zero – do meu verdadeiro capital, que era eu mesmo. Sim, eu nunca vou morrer de fome, porque em tudo o que fizer, sempre haverá este valor essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei, deixando tudo para trás, num gesto que a muita gente pareceu insensato. Porém, foi a melhor coisa que fiz. Terminei meu livro e a literatura passou a fazer parte indistinta da minha vida. Trabalhei e ganhei mais dinheiro do que jamais pensei que iria ganhar. Recuperei a casa, o carro e todos os outros bens que deixei no passado, com larga vantagem. Sobretudo, passei a me conhecer melhor, ajustei a isto minhas escolhas e a partir daí construí uma nova família e uma maior felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, eu não teria feito nada disso se tivesse medo. Medo de ficar sem emprego, casa, mulher. Medo de enfrentar o desconhecido. Medo de sofrer. Medo de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que sempre achei abomináveis na classe média é o medo. Medo de perder o emprego, que leva a outros medos e leva muita gente a viver pequeno, na defensiva. Medo de mudar. A média é mais conservadora das classes. Por isso é que a maioria dos ricos nasceu pobre. O pobre, que tem pouco a perder, tem menos medo de arriscar. O pobre fica mais rico que aquele que vem da classe média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo de indivíduos, mas isso tem efeito sobre o próprio destino de um país, como estamos assistindo agora. Quando a crise financeira se abateu sobre o mundo, há um ano, a classe média brasileira olhou o que acontecera com a americana e se encolheu, com receio de também perder o emprego e ficar apenas com suas dívidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As empresas fizeram o mesmo, deixando-se governar pelo medo. Reduziram drasticamente investimentos, que são sinal de confiança no futuro. Preservaram-se, pensando pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente Lula, que não veio da classe média, mas do pau-de-arara que o trouxe de Garanhuns, disse que não devíamos ter medo. Mandou o brasileiro continuar comprando, para que o medo não paralisasse a economia. E mandou que as empresas fizessem o mesmo, começando pelo exemplo das estatais, sobre as quais tem comando direto. Assim é que os empregos são garantidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava com a razão. A economia interna continuou funcionando e o Brasil, com o mercado interno imenso que possui, ainda mais agora, com a integração de muito mais gente à classe consumidora, não apenas foi um dos últimos países a serem afetados pela crise internacional como foi o primeiro a sair dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto do efeito do medo sobre a macroeconomia para o plano individual. Eu trabalhei em vários lugares, mas nunca tive medo. Medo de dizer o que penso, de tentar o que acho certo. Nunca tive medo de perder o emprego, que leva à subserviência, à vassalagem, e no fim das contas, à conivência com o erro. Nunca tive medo de crise. A crise é importante para melhorarmos; é quando quebramos padrões que não estão levando a lugar algum, para chegar a algo melhor. A crise é que move o mundo. Abre oportunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tive medo porque nunca pensei nele. Nem nas suas consequências. Preferi sempre fazer as coisas sem pensar nos riscos, em ganhar ou perder – penso apenas em fazer o melhor possível. Não sei se isso é coragem, mas sempre deu certo, no fim das contas. Quem tem medo de perder, sempre acaba perdendo. Ao mesmo tempo, quem sempre acha que vai ganhar, corre sérios riscos. O melhor é viver agindo da melhor maneira, com esforço, inteligência e prazer. Estabelecer metas, mas não trabalhar por elas, e sim pelo próprio trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que dá mais resultado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-592820922562698994?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/592820922562698994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/vitorias-sobre-o-medo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/592820922562698994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/592820922562698994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/vitorias-sobre-o-medo.html' title='Vitórias sobre o medo'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrJmuMqxYWI/AAAAAAAAAnw/2qApK2pYM0g/s72-c/medo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6893397509257389565</id><published>2009-09-17T09:25:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T09:38:05.668-07:00</updated><title type='text'>A eficácia da democracia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrJlusxDkwI/AAAAAAAAAno/LaSIirIiFb8/s1600-h/congresso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382476357626467074" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrJlusxDkwI/AAAAAAAAAno/LaSIirIiFb8/s320/congresso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;E por que demora tanto a depuração do Congresso&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ninguém duvida que o grande legado de nossa geração para o Brasil foi a democracia. Com o crescimento econômico sustentado e a nova posição do Brasil como uma força emergente no mundo, estamos colhendo os frutos da convicção de que a democracia representativa não é apenas um sistema mais justo, como o que mais funciona. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O voto direto fez com que, a cada nova gestão, o eleitorado pudesse colocar o Brasil um passo adiante. Collor, apesar dos erros que o puseram fora do governo, abriu para o mundo a economia brasileira, antes meio soviética, por conta do nacionalismo obscurantista do regime militar. Seu sucessor, Itamar Franco, assegurou a estabilidade da moeda. Fernando Henrique estendeu essa estabilidade com um melhor controle fiscal e monetário. Lula recolocou o Brasil no caminho do crescimento com a expansão do mercado pela base – a imensa massa da população que vem se tornando consumidora. Certamente caberá ao próximo presidente consolidar mais nosso futuro com mais educação. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O sucesso da democracia vem do fato de que, a cada gestão, podemos impor as metas seguintes e colocar o indivíduo adequado para executá-las. Os últimos presidentes do Brasil têm respondido às exigências da etapa que lhes é confiada, num processo gradual próprio de um país institucionalmente estável e que aos poucos começa a aproveitar as riquezas que lhe dão imenso potencial. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Aí vem tantas perguntas: por que a democracia não depura também o Congresso? Por que deputadores e senadores ganham mais destaque pela contratação de parentes, viagens de turismo e outras atividades que sugerem mau uso do dinheiro e completa ausência de espírito público? Por que ninguém sabem o que eles fazem de bom para o país? Por que fica na conta deles a imagem negativa que hoje fazemos do político?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Parte da responsabilidade é nossa, do eleitorado, o que se explica. Para o eleitor brasileiro, governo é o Executivo. O Brasil não dá, jamais deu, muita atenção ao Legislativo. O brasileiro tem urgência na solução de seus problemas e não vemos capacidade de produzir resultados muito práticos na reunião de um monte de gente onde onde o debate se prolonga e forças opostas tendem a se anular, levando à paralisia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diante disso, especialmente na Câmara, para o Congresso em geral o eleitor elege qualquer um. Tende a marcar o nome do menos pior, ou vagamente conhecido, apenas como quem se livra de uma obrigação. E depois nem confere o que está fazendo a pessoa que ajudou a eleger.&lt;br /&gt;O brasileiro acredita mais no executivo por uma razão muito simples. Funciona muito mais em termos práticas uma única cabeça que pensa e age sem deblaterar. E o brasileiro gosta de ação, porque este paí, com tantas carências, de fato, precisa de ação. Daí nosso histórico flerte com os demagogos, que constroem sua carreira em cima de muitas promessas. E daí a recente ojeriza à demogagia, porque o brasileiro se cansou de falsas promessas, ou de promessas sem resultados reais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nossa Constituição estabelece claramente a preferência do brasileiro pelo presidencialismo. O sistema presidencialista, com quatro anos de mandato para o presidente, é simples. O presidente é o chefe de Estado e tem quatro anos para resolver o que lhe foi mandado resolver; no final desse período, se fizer seu trabalho, ele fica, abençoado por nova votação; se não fez, vai embora.&lt;br /&gt;O sistema parlamentarista, que tem o Congresso seu principal pilar, funciona melhor nos países com tradição de debate e um sistema partidário mais eficaz e representativo dos interesses sociais. Nele, o primeiro-ministro, que é o chefe do executivo, sai do próprio parlamento. O fato de poder ser trocado antes de quatro anos se o Congresso assim desejar, supostamente garante ao sistema mais agilidade. O brasileiro, porém, desconfia da agilidade de uma assembléia, assim como de seus meios e propósitos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na cabeça dos brasileiros, questionar a autoridade a todo momento, sujeita às forças sempre mutantes do Congresso, pode levar a muitas confusões e questionamentos da ação durante o mandato. Para a maioria, é melhor alguém que possa ser menos questionado durante o trabalho com o qual se comprometeu em campanha, aprovado pelo eleitor em votação direta. Ao mesmo tempo, lhe damos um mandato mais curto; seu trabalho pode ser verificado em quatro anos; caso não esteja satisfeito, o eleitor mesmo o manda para casa; não dá a nenhum deputado o senador o direito de fazê-lo em seu lugar, exceto em situações excepcionais, como a de corrupção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Brasil acredita mais no voto direto que na representatividade dos políticos do Congresso. Tem suas razões, pois o Congresso está muito sujeito ao lobismo e à má qualidade dos políticos. Diferente do executivo, de onde Collor já foi defenestrado por mau comportamento, graças à ação do próprio Congresso, tem mais dificuldade de punir seus próprios pecados. Tanto que o presidente do Senado, José sarney, continua lá, apesar de tudo o que se sabe dele. Tanto que até Collor está lá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O brasileiro gosta de estar no governo. Eleger o presidente é uma forma mais direta de ver o poder que conferiu sendo exercido. Essa mentalidade é resultante de um povo que por muitos anos ficou sem o direito de escolher o seu chefe de Estado pelo voto direto. A principal demanda do país ao final dos 30 anos longe da democracia era a eleição direta para presidente, assim como os outros postos executivos na esfera municipal e estadual. É aí que o brasileiro centrou esforços de depuração política, porque aí residiam nossas esperanças de recuperar anos de atraso e diminuir o nosso enorme fosso social.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outro efeito da ditadura militar, porém, foi dar um espaço maior ao parlamento. Ao elaborar a chamada Constituição Cidadã, a Assembléia Constituinte tinha ainda muito presente os anos de chumbo, em que o Executivo, apoiado nos seus batalhões, impunha sua vontade sem controle algum e vivia mais atento à lógica interna do golpe de 1964 e ao tecnicismo dos seus burocratas que à vontade e às necessidades da população.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os constituintes, então, trabalharam por fazer uma Carta onde o Congresso, que chegou a ser fechado durante os anos de exceção, tivesse mais poder, incluindo o de obstruir a maioria das ações do executivo. Mas fez isso de um jeito tortuoso e atrapalhado. Por um lado, a maior parte das decisões passou a depender do Congresso. Por outro, para evitar a paralisia, a Constituição deu ao Executivo o instrumento da Medida Provisória, que permite colocar decisões em prática antes de serem ratificadas pelo Legislativo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É óbvio que isso iria dar problema. Há uma quantidade enorme de medidas provisõrias que não são votadas pelo Congresso, muito embora o complexo parlamentar de Brasília abrigue 8.000 pessoas para fazer funcionar as duas casas, a Câmara e o Senado. Algum dia ainda será preciso reconhecer que a maioria das medidas provisórias são decisões que cabem ao Executivo e que os constituintes exageraram em uma porção de atribuições da própria Carta e do Congresso Nacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desses exageros, apenas alguns foram cortados na nascente, como a lei que estabelecia um limite máximo de 12% para os juros reais. Assim como os juros dependem do mercado, e não da lei, só faltou à nossa Constituição dizer que o Brasil deve crescer 12% ao ano e é proibida a recessão. A Constituição americana é mais genérica, uma carta de princípios que não entra em detalhes de administração pública e que necessitam de mais liberdade e agilidade nas decisões.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O brasileiro não se preocupa muito com o Congresso, é verdade, e só se lembra dele quando aparecem falcatruas. O Congresso é importante no seu papel Constitucional de criar leis e fiscalizar os outros dois poderes, bem como os outros dois poderes devem fiscalizá-lo: o equilíbrio clássico no sistema de três poderes com um Congresso bicameral. Ajuda no sentido de proteger algumas minorias e defender de maneira proporcional os interesses de cada Estado na Federação. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cabe aos próprios congressistas mostrar o seu valor, dedicando-se às tarefas essencias do parlamento com mais eficiência e fiscalizando com medidas eficazes que mostrem sua seriedade. Com isso, pode-se chamar novamente atenção para bons serviços que o Congresso pode prestar. E inverter o círculo vicioso que leva eleitores e os próprios representantes a acreditarem que aquilo tudo aquilo não passa de uma farsa que temos de aturar e só leva a mais desprezo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6893397509257389565?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6893397509257389565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/eficacia-da-democracia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6893397509257389565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6893397509257389565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/eficacia-da-democracia.html' title='A eficácia da democracia'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SrJlusxDkwI/AAAAAAAAAno/LaSIirIiFb8/s72-c/congresso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-65984724860087802</id><published>2009-09-14T03:17:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T03:19:38.732-07:00</updated><title type='text'>Brasileiros</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sq4YroC9ELI/AAAAAAAAAnY/RpREW-PQyAo/s1600-h/rio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381265742517571762" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sq4YroC9ELI/AAAAAAAAAnY/RpREW-PQyAo/s320/rio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O que temos e o que não temos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Brasileiro não precisa de ciência, já vem geneticamente modificado. Última escala na evolução do protozoário, vem bem acabado e vocacionado para a neutralidade. É tão misturado de raça e credo e de tudo que, tudo somado no caldeirão da humanidade, as forças opostas se anulam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Daí a nossa ausência de radicalismos, de intolerâncias, de questionamentos. Brasileiro é bem resolvido, de natureza pacífica, espírito conciliatório, tendência protelativa. O que não significa ser um inerte, um bobão. Tendo dentro toda aquela maçaroca peninsular, ibérica, africana, oriental, a soma final fica zero, mas cada elemento está lá dentro, latente, e pode ser despertado por circunstâncias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Nisso o brasileiro é ainda como o índio, que nasceu aqui e deu o tom à terra, da mesma forma que os papagaios e o Pau-Brasil. Índio é alegre, criança, inocente, brincalhão. Não se preocupa com nada, porque sabe que vive numa terra grande, cheia de fartura, que provê quando necessário, é só ir lá e pegar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O índio é gozado, vira de humor de repente, parece que não conhece até o amigo, fica cego, e não custa nada para meter a borduna na cabeça de alguém. Mas depois, a raiva passa, depressa como veio; e ele sai embora dando risada de novo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mundo é muito sisudo, cheio de coisa estranha; isto é verdade, só aqui a gente se sente completamente à vontade. Brasileiro se dá bem em todo lugar, mas ao mesmo tempo não se dá bem em lugar algum; fica triste, desenxabido, sente saudade até do feijão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O turco é alegre, aberto, amigo; o egípcio também é gente de origem pobre, sem ser revoltada, que tem sempre um sorriso no rosto, amiga de todos; e está sempre pronta para ajudar, mesmo quando não tem condição.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Do primeiro mundo, povo bom assim tem só o italiano, também vocacionado para a felicidade; não alimenta culpas, nem se pega tanto em briga de vizinho ou religião, só de futebol. Não se importa com ideologias. O italiano idolatra a família e coloca a emoção na frente de tudo; para as coisas sentimentais, rasga o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como o brasileiro não tem igual, porque aqui no Brasil essa alegria de viver é multicultural, vem do escravo que dançava de roda. Nossa coragem é do bandeirante que vencia as mutucas com sua casca grossa e não se assustava sequer com os índios antropófagos. Ao contrário, gostava era das índias morenas que achava pelo caminho, enquanto abria picada pelo país inteiro. Caía também pelas negrinhas da senzala, o que deu nessa mistura doida. O brasileiro ficou povo colorido, rosado de gordo e queimado pelo sol tropical.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O brasileiro é povo sem teoria, é tudo natural para uma gente que anda de sandália e bebe cerveja na esquina e torce para o Corinthians ou o Flamengo ou algum outro time que sempre é o melhor do mundo. O brasileiro é sábio, porque sabe que a felicidade está nas pequenas coisas; não fica pensando muito, nem estraga a vida como esses povos ranzinzas. Não perde tempo pensando em armas nucleares nem coisas assim, nem se leva muito a sério, mesmo nas coisas mais sérias. No Brasil até mesmo juiz de direito já pulou carnaval.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ah, se e o Brasil tivesse só um pouquinho mais de organização, e esses políticos um pouco de vergonha na cara!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-65984724860087802?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/65984724860087802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/brasileiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/65984724860087802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/65984724860087802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/brasileiros.html' title='Brasileiros'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sq4YroC9ELI/AAAAAAAAAnY/RpREW-PQyAo/s72-c/rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1739845443388812416</id><published>2009-09-10T16:32:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T16:33:47.818-07:00</updated><title type='text'>Talento, dinheiro e poder</title><content type='html'>&lt;em&gt;Boas razões para se defender a qualidade&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas não respeitam a qualidade, não respeitam o trabalho, não respeitam o talento. Admiram a qualidade, o trabalho, o talento, da mesma forma que se olha para uma bela paisagem. Mas só respeitam, mesmo, o dinheiro, a fama e o poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de incentivado, a qualidade, o trabalho e o talento são vistos por muita gente com inveja, despeito, desprezo e indiferença. Enquanto isso, quem tem fama, dinheiro e poder recebe a prioridade. O poder, a fama e o dinheiro são invejados, mas de outra forma. Em vez de indiferença, atraem a bajulação. O homem com poder, fama e dinheiro recebe atenção não importa a qualidade do que faz ou aquilo que representa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto está na raiz de uma porção de males para os quais não há explicação aparente. O desinteresse pelos valores ligados ao trabalho, à qualidade e o talento é responsável não somente pelo desaparecimento de muito que há de bom, especialmente em cultura e educação, como promove o destaque hipócrita de muita coisa ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bajulação é uma praga que prejudica até o famoso, o rico e o poderoso. É o caso do documentarista João Moreira Salles, um dos herdeiros do Unibanco. O que ele faz é bom, mas João recebe atenção muito mais pelo poder e o dinheiro que lhe deram também alguma fama. Não importa o que faça, ele parece que tem de estar sempre se esforçando para mostrar que tem um valor real, para que reconheçam a qualidade de seu trabalho, independentemente de quanto dinheiro ele tem. João tem de ralar da mesma forma que alguém com talento e sem dinheiro algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sociedade que só respeita a fama, o dinheiro e o poder é que sustenta gente como o senador José Sarney. Ele é rico e poderoso. Por isso, conta com uma rede de proteção, que o impede de ser defenestrado do Congresso, mesmo com todos os escândalos identificados em suas práticas políticas, mesmo considerado o fato de que ele representa o que há de mais velho e atrasado no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repito, não importa o mérito, e sim o dinheiro, a fama, o poder. Sarney sabe disso melhor que ninguém. Precisa do poder porque isto protege o dinheiro e o poder que ele tem. Por isso ele não pode simplesmente largar o poder, ficar à mercê dos inimigos e, mais, de sua profunda desqualificação. Sem o poder, e a proteção de outros iguais a ele, o que lhe restaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio ao ceticismo geral, há uma ótima razão para defender então o talento, o trabalho, a qualidade. Porque a fama, o poder e o dinheiro são efêmeros. Fazem parte daquele mundo descartável que a Bíblia, no Livro da Sabedoria, pelas palavras de Salomão, define assim: “vaidade das vaidades, é tudo vaidade”. A qualidade, o trabalho e o talento, ao contrário, são imortais, por terem real valor.  E isso, nem o dinheiro, o poder, a fama e todos os bens passageiros jamais irão mudar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1739845443388812416?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1739845443388812416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/talento-dinheiro-e-poder.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1739845443388812416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1739845443388812416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/09/talento-dinheiro-e-poder.html' title='Talento, dinheiro e poder'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8544823739381259522</id><published>2009-08-19T08:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T08:28:23.672-07:00</updated><title type='text'>A grande virtude</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SowXevBf59I/AAAAAAAAAnQ/EGqOG-MHk3s/s1600-h/carrinho.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371694272332425170" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 106px; CURSOR: hand; HEIGHT: 102px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SowXevBf59I/AAAAAAAAAnQ/EGqOG-MHk3s/s320/carrinho.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Hoje pouco se ouve falar da “força de vontade”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando eu era criança, ouvia muito essa frase:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Filho, você precisa ter força de vontade!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquilo se aplicava a tudo. Fazer os deveres na escola. Levantar cedo de manhã. Não desistir de qualquer coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ter força de vontade era a diferença que resolvia tudo. Muitas pessoas têm qualidades e algum talento, mas sem força de vontade... nada surtia efeito. E mesmo as pessoas que não tinham grandes qualidades ou talento algum ainda podiam ter o mais importante. Força de vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A difusão dessa qualidade essencial perdeu força com o tempo. Hoje se vê poucos pais apelando para a força de vontade na criação dos filhos. Crianças e adolescentes hoje são criados na cultura do menor esforço. Para que ir a algum lugar se existe o serviço de entregas? Para que fazer conta no lápis se tem a calculadora? Para que ir a um lugar se podemos fazer a pesquisa pela internet? Por conseguinte, para que tomar as decisões mais difíceis se podemos deixar para depois ou resolver de um jeito mais fácil?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Insubstituível é a forma como moldamos o caráter. Eu fui criado na dificuldade. Meus pais eram pobres e não tive infância fácil. Eu me lembro dos dias em que não tinha dinheiro para pegar o ônibus de volta para casa, quando adolescente. Esperava os ônibus mais lotados. Assim podia ir pendurado do lado de fora até o ponto perto de casa e descer sem pagar nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No colégio salesiano, a disciplina era dura, nada podia, estudar era visto como uma obrigação, um dever, um sacrifício. Mas havia um prazer enorme em superar os obstáculos. A disciplina só me ensinou a dar mais valor à liberdade e a não desperdiçá-la. Mas isso era eu. E era antes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje esse parece um discurso antigo, e quando fazemos um discurso que parece antigo descobrimos que nos tornamos velhos. Pior: sou obrigado a fazer a opção pela velhice, porque não me sinto disposto a gostar da cultura da facilidade. Tolero, aceito e compreendo, mas acho que ela amolece o caráter e as pessoas assim formadas têm menos fibra para enfrentar as adversidades da vida no futuro. E as adversidades sempre aparecem, por mais soluções fáceis que queiramos encontrar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu uso a internet, o delivery e outras facilidades modernas, mas sinto falta do culto à força de vontade e assisto alarmado à sua desvalorização no mercado das qualidades fundamentais. Me entristece o desdém dos mais jovens quando resolvo fazer um trajeto à pé em vez de seguir de carro ou tomo outra decisão que implica algum esforço, quando há aparentemente uma saída melhor, como senão a enxergássemos. Os jovens não entendem uma coisa essencial. Assim como o corpo, para permanecer forte o caráter precisa de ginástica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Da mesma forma, lamento que pareça estranho hoje recusar o dinheiro fácil, sobretudo o obtido de formas escusas. É o outro lado da mesma moeda. Por quê trabalhar, dar duro, suar a camisa para ganhar dinheiro honesto, quando há outras maneiras de "se dar bem na vida"? A cultura da facilidade é também a que nos leva a destruir outros princípios morais que antes tinham grande valor e levam à degradação social.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mundo tem dinossauros e eu sou um deles, é verdade. Mas não vou esperar o dia em que alguém diga; “o velho tinha razão”. Provavelmente esse dia nem virá. Para mim, é suficiente gostar do jeito que nós dinossauros somos, como nos formamos – e lamentar que isso não foi suficiente para fazer com que esse comportamento se replicasse na vida contemporânea, que valores importantes tenham se perdido, talvez definitivamente, levados pelas tecnologias que aceleram o mundo, mas enfraquecem o ser humano. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu gosto de pensar que o esforço ainda é válido, efetivo e nobre. Eu gosto de ter feito grandes esforços na vida, mesmo aqueles que não foram recompensados, porque é disso que a vida é feita. Eu gosto de pensar que a vontade tem grande força. Que, quando queremos alguma coisa, muito, e trabalhamos para consegui-la, com ou sem talento, podemos alcançá-la. Para mim, a força de vontade, mais que o talento, é a fonte de tudo o que temos e a grande esperança do ser humano. Para mim, honestidade, força de vontade e trabalho nunca serão coisa de velho. Ao menos num mundo onde os jovens queiram ter algum futuro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8544823739381259522?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8544823739381259522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/grande-virtude.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8544823739381259522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8544823739381259522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/grande-virtude.html' title='A grande virtude'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SowXevBf59I/AAAAAAAAAnQ/EGqOG-MHk3s/s72-c/carrinho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-5438891935858245187</id><published>2009-08-19T08:03:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T08:06:45.029-07:00</updated><title type='text'>A rebeldia fundamental</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SowU_twZGZI/AAAAAAAAAnI/ayhUk0kgLf0/s1600-h/grito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371691540393040274" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 94px; CURSOR: hand; HEIGHT: 78px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SowU_twZGZI/AAAAAAAAAnI/ayhUk0kgLf0/s320/grito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por que quebrar as regras faz bem à saúde&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rebeldia é um comportamento intolerado, talvez porque a maioria das pessoas não goste do imprevisto, como se sair do padrão fosse primeiro má educação e, de forma mais radical, um perigo para a sociedade. Quebrar regras parece ameaçador para muita gente que aparentemente não gosta de liberdade, ao menos da liberdade dos outros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, a rebeldia está em todos nós – mesmo dentro do mais intransigente dos seres humanos, razão pela qual em geral os intransigentes se tornam hipócritas. Podemos agir socialmente, dentro das regras, mas precisamos desse recurso essencial ao menos de vez em quando para não enlouquecer. Precisamos, sim, quebrar as regras, como a casca do ovo – e respirar, e crescer. Mesmo aqueles que não o admitem. A rebeldia faz bem à saúde. Quem nunca sai dos trilhos vai fenecendo até sumir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em todos nós e em toda parte, a rebeldia se manifesta das mais diferentes formas. Está no bebê que cospe a chupeta, e também no que chora, pedindo por ela. Pode ser vista nas pequenas coisas do dia a dia e nas grandes também. É o fuindamento tanto do comportamento di[ario do adolescente quanto das revoluções.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Seja na atitude do menino que se nega a arrumar a cama ou na queda da Bastilha, a rebeldia é por excelência uma atitude individual, que nasce no íntimo do ser humano. Parente do inconformismo, ela é o motor do mundo, pois sem a vontade de quebrar as regras, inventar coisas novas, pensar diferente, fazer de outro modo, ainda usaríamos peles de urso e os homens arrastariam as mulheres pelo cabelo dentro de cavernas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A rebeldia é necessária, para que as grandes transformações tomem forma e passem do indivíduo para história, seja como resultado de uma manifestação individual ou catarse coletiva.&lt;br /&gt;O ser humano sequioso de mudança, questionador, inquieto, é o motor do mundo. Por isso a classe dos epnsadores, apesar de sua aparente inutilidade, é tão importante: todo progresso começa pelas idéias, ou pela mobilização dos sentimentos que nos levam a mudar. É verdade que há muitos rebeldes que apenas causam confusão, sem contribuírem para progresso algum, mas não há como impedir esse mal, sob pena de coibirmos junto o bem que a liberdade mais rebelede pode trazer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O homem sequioso de mudança, que lhe dá a própria sensação da vida, a esperança de um destino melhor, ainda que transitória, é um mártir de si mesmo. Vivendo em turbulência, está destinado a nunca ter paz. A tranquilidade parece traduzir uma vida estacionária, gerando insatisfação; a rebeldia traz a sensação de movimento, mas nos lança num círculo interminável em que nunca é o bastante e o fim jamais é alcançado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Por isso muita gente não consegue ser rebelde a vida inteira, ou o tempo todo. Às vezes, mesmoo mais rebelde precisa de um descanso, breve intervalo até que suas moléculas começam novamente a se agitar. A idade também aplaca a rebeldia para permitir uma velhice mais tranquila. Mas quem já foi rebelde nunca deixa de sê-lo completamente. A rebeldia é aquele sorriso no canto dos lábios que ainda podemos ter, mesmo presos pela velhice ao leito de morte. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-5438891935858245187?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/5438891935858245187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/rebeldia-fundamental.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/5438891935858245187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/5438891935858245187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/rebeldia-fundamental.html' title='A rebeldia fundamental'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SowU_twZGZI/AAAAAAAAAnI/ayhUk0kgLf0/s72-c/grito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1776342115913125391</id><published>2009-08-17T05:12:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T05:14:26.033-07:00</updated><title type='text'>Amores de mãe</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SolJYpAwUMI/AAAAAAAAAnA/9uS3mcXc80s/s1600-h/contador.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370904718290735298" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 90px; CURSOR: hand; HEIGHT: 84px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SolJYpAwUMI/AAAAAAAAAnA/9uS3mcXc80s/s320/contador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Uma certeza com muitas dúvidas em O Contador de Histórias&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fui assistir a O Contador de Histórias, de Luiz Villaça, mais um sinal de vida na ressurreição do cinema brasileiro da qual podemos nos orgulhar. É um filme com todos os ingredientes que se pode esperar: instigante, divertido, interessante, bem feito. E é bonito, isto é, emociona. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o mais interessante de O Contador de Histórias são as reflexões que desperta sobre o amor de mãe. Pois esse sentimento, tido para muitos como a coisa mais absoluta da vida, já que segundo o ditado popular “amor de mãe não se discute”, mostra quantas dúvidas podem viver dentro de uma certeza. E quanta certeza por haver dentro de uma dúvida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O menino deixado pela Febem pela mãe sem condições de criá-lo, na esperança de que na instituição poderá encontrar uma vida melhor - ou a vida que ela não poderia lhe dar – passa por uma experiência que de certa forma entendemos todos nós. Bem que ele teria preferido ficar em casa, próximo do amor da mãe. Mas a confirmação por parte dela de que estava certa – e de que ele se saiu melhor longe do que perto – deixa no ar esse sentimento de que um amor desapegado, ou desesperançado, pode ser tão grande, ou ainda maior, que o amor que costumamos chamar de amor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mãe do menino contador de histórias amava menos o seu filho por tê-lo abandonado? O que parecia ser uma resposta óbvia, no final, termina com uma interrogação. O que nos faz pensar também se o amor da mãe que protege é também o melhor amor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez não exista amor perfeito, nem mesmo o de mãe. O amor assume formas que ao mesmo tempo nos confortam, nos dão esperança, e também ferem. Essa separação sempre acontece, de alguma forma, e jamais a aceitamos completamente. Mesmo quando ela é voluntária. Ou quando é obra do destino.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O sentimento de abandono de qualquer filho quando a mãe o joga para o mundo não tem tempo – pode acontecer quando temos dois, cinco ou vinte anos de idade. Eu, que perdi minha mãe ano passado, descobri que podemos nos sentir abandonados pela mãe várias vezes ao longo da vida e mesmo depois da maturidade. Amor de mãe é uma história de abandonos, até que a partida da vida, seja da mãe, seja do filho, se torna o abandono final e –e sempre uma bonita história, quer dizer, capaz de emocionar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1776342115913125391?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1776342115913125391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/amores-de-mae.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1776342115913125391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1776342115913125391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/amores-de-mae.html' title='Amores de mãe'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SolJYpAwUMI/AAAAAAAAAnA/9uS3mcXc80s/s72-c/contador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-3993444852558453735</id><published>2009-08-17T04:27:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T04:31:17.762-07:00</updated><title type='text'>Realismo feito de sangue</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sok_gM7VJPI/AAAAAAAAAmw/nGSiKYO4xRY/s1600-h/strain.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370893853074466034" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 81px; CURSOR: hand; HEIGHT: 125px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sok_gM7VJPI/AAAAAAAAAmw/nGSiKYO4xRY/s320/strain.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;The Strain (ed. William Morrow, U$26.99, 401 pág.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É difícil explicar de onde vem a fascinação humana pelo sangue – e tampouco pelo medo, que transformou os filmes e livros de terror num gênero tão popular quanto as histórias de amor. É certo que esse magnetismo macabro começa na adolescência, fase em que o ser humano começa a entrar em contato com a excitação do perigo de forma imaginária – para muita gente, ela não acaba nem na vida adulta. Também é certo que não há nenhuma versão mais rica e aparentemente inesgotável no filão das histórias de terror quanto o vampirismo, fórmula que se renova com a mesma facilidade com que a clássica figura do Conde Drácula se levanta do caixão, como se nascesse de novo a cada noite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Essa atração pelo sangue é que move Guilllermo del Toro, um aficcionado das histórias de terror que conseguiu transformar sua obsessão adolescente num negócio lucrativo como diretor de cinema e, agora, na ficção literária, também com todos os ingredientes para um futuro filme. Nascido em 1964, em Guadalajara, no México, Del Toro acaba de escrever em parceria com o escritor e roteirista de cinema americano Chuck Hogan o primeiro volume do que se anuncia como uma trilogia: The Strain (“Tensão”), que está sendo publicado nos Estados Unidos pela editora William Morrow (U$26.99, 401 pág).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Del Toro pode ser considerado um mestre do terror contemporâneo, com a ajuda que os recursos hiper-realistas da era digital podem dar aos seus filmes sedentos de sangue. Em The Strain, ele ressuscita o velho vampirismo com um enredo que tem tudo de roteiro cinematográfico e adicionado ao hiper-realismo. Esse efeito é obtido com uma riqueza de detalhes e um enquadramento tão perfeito na vida contemporânea que a multiplicação de vampiros entra quase como uma consequência natural da vida de hoje.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A partir da descoberta de que todos os passageiros de um avião pousado no aeroporto JFK, em Nova York, estão mortos – mas uns tão mortos quanto os outros -, o leitor pouco a pouco é levado a envolver-se com a história de uma ameaça em escala mundial, graças à transmissão de um virus vampirizante, cuja origem está na lenda de um misterioso conde, alto, bonzinho, meio esquerdo e misteriosamente desaparecido chamado Sardu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje a ameaça dos virus é uma grande paranóia mundial - vide a disseminação do receio da gripe suína, por acaso, vinda também do México, onde a tendência ao exagero e à mistificação parecem ser parte da índole nativa. Del Toro sabe disso – e trata de misturar esse medo contemporâneo à mais clássica e proverbial das paúras, nascida desde o tempo em que os pobres aldeões da Romênia olhavam para os sombrios castelos medievais e diziam com seus botões que algo de bom não podia sair daquelas silhuetas sinistras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Del Toro não é um versátil especialista novato no mundo do terror. Começou sua carreira nos anos 1980 com uma empresa batizada de Necrofia, onde prestava serviços de maquiagem para filmes do gênero - trabalhou, por exemplo, para Dick Smith, de O Exorcista. Sua obstinação no tema o levou a dirigir o primeiro filme em 1993. Cronos é a história de um antiquário que adquire a eterna juventude graças a um achado entre os objetos de sua loja. O preço secreto disso, porém, é que ele se torna um vampiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com Cronos, roteiro original assinado por ele mesmo, Del Toro obteve sucesso imediato. Não apenas ganhou os principais prêmios do cinema mexicano como levou s prêmios de crítica e público em Cannes e recebeu uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Catapultado pela fama em uma indústria sedenta por talentos para o entretenimento, estreou em Hollywood em 1997 com Mimic (Mutação, em português), no qual colocou Mira Sorvino como protagonista no combate de uma criatura geneticamente modificada para matar baratas e que acaba virando uma ameaça para toda Nova York.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Del Toro prosseguiu na seara com &lt;a href="http://www.omelete.com.br/conteudo.aspx?secao=cine&amp;amp;id=10000524"&gt;A Espinha do Diabo&lt;/a&gt; (2001), produção espanhola de Pedro Almodóvar , a sequência de Blade (2002), com Wesley Snipes incorporando o velho caçador de vampiros, a adaptação para o cinema da graphic novel &lt;a href="http://www.omelete.com.br/conteudo.aspx?secao=cine&amp;amp;id=100002095"&gt;Hellboy&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://www.omelete.com.br/conteudo.aspx?secao=cine&amp;amp;id=100003367"&gt;Labirinto do Fauno&lt;/a&gt;, sucesso de público e crítica, com três indicações ao Oscar, ambientado na Espanha franquista. Agora, prepara a filmagem de O Hobbit, romance que precedeu O Senhor dos Anéis na obra de Tolkien.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fã de Alfred Hitchcock na infância, ele cultiva como o velho mestre uma forma de aparição em todos os seus filmes: católico praticante, em algum momento, coloca neles imagens de santos de sua coleção particular. Fiel à sua obsessão, é meticuloso e não abre mão de fazer apenas o que gosta. Já possuiu uma empresa própria, a Tequila Gang, e transita bem tanto como produtor alternativo como entre os grandes estúdios de Hollywood. “Ter opções é uma das chaves para ser desobediente”, afirma. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;The Strain possui, claro, aquela esperada série de chavões que fazem a delícia dos amantes do gênero – um milionário que deseja a imortalidade a qualquer preço, Manhattan como cenário inicial da ameaça mundial, aquela mulher sedutora que uma com mordida se transforma em atração letal. Como nos romances e filmes de James Bond, as histórias de vampiro são um gênero em que o leitor sempre sabe mais ou menos o que vai encontrar – o que nesse caso é sinônimo de diversão garantida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-3993444852558453735?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/3993444852558453735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/realismo-feito-de-sangue.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3993444852558453735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3993444852558453735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/realismo-feito-de-sangue.html' title='Realismo feito de sangue'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sok_gM7VJPI/AAAAAAAAAmw/nGSiKYO4xRY/s72-c/strain.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-476122585499302502</id><published>2009-08-17T04:21:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T04:39:12.499-07:00</updated><title type='text'>A importância de escrever</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SolBWdKpk-I/AAAAAAAAAm4/pHnYKIG3fJg/s1600-h/caracol.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370895884658250722" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 106px; CURSOR: hand; HEIGHT: 131px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SolBWdKpk-I/AAAAAAAAAm4/pHnYKIG3fJg/s320/caracol.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A escrita literária ajuda a recuperar a memória afetiva e favorece o autoconhecimento&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pessoas que sentem necessidade de escrever em forma literária frequentemente são movidas por vaidade, por achar que essa é uma boa maneira de impôr idéias e demonstrar inteligência. Outras sequer sabem a razão pela qual escrevem. É no segundo caso que escrever atinge seus propósitos mais profundos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes não sabemos bem porque agimos de certa forma. São reações e atitudes instintivas, movidas por algo que não sabemos explicar, utilizando apenas os instrumentos da razão. Por vezes, a vaidade é apenas uma maneira de encobrirmos nossas verdadeiras razões. Nada faz com que nos enganemos mais com nós mesmos do que a vaidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para eliminar a vaidade, é preciso admitir que escrevermos não para mostrar o quanto somos bons, mas para explorar, entender e vencer nossas fraquezas. Aí, sim, estamos preparados para olhar para a realidade de nós mesmos. E fazer alguma coisa que funciona, no sentido de nos fazer melhorar e nos sentirmos melhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por trás do que parece um talento, muitas vezes está uma grande necessidade. Quando somos movidos a escrever por razões indefiníveis é porque estamos querendo, às vezes de maneira subconsciente, explorar nossos próprios sentimentos. Desvendar os mecanismos ocultos que nos fazem agir de maneira inexplicável até para nós mesmos. Descobrir os medos e influências que nos condicionam a responder de determinada maneira às circunstâncias da vida, às vezes de forma prejudicial para nós mesmos e os outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Buscamos aqueles elementos que nos faz responder de maneira emocional, exagerada ou inadequada a certos problemas. Que dificultam ou condicionam o relacionamento com outras pessoas. Que se tornam um incômdo ou um verdadeiro empecilho para a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais do que raciocínio, escrever é um processo mental que leva à investigação dos sentimentos. Por meio da escrita, podemos refletir, organizar idéias e transmiti-las com mais clareza, o que é essencial no trabalho e na vida pessoal. Porém, o processo de escrever é também uma forma de autoconhecimento, por meio da exploração, compreensão e expressão das nossas formas de pensar e sentir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrever é pensar no papel, um processo não apenas técnico como emocional. Escrever ajuda a pensar e também a reconhecer emoções. É uma forma de expressão tão útil quanto a expressão corporal ou outras formas de arte, por meio das quais hoje se faz terapia. Sobretudo quando estamos investigando nossa personalidade formada no período da primeira infância, que é ainda anterior à formação da linguagem, e portanto não pode ser lembrada e codificada pela memória racional, construída por meio de palavras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pode parecer contraditório, mas as palavras também nos levam a entender os sentimentos, isto é, nossa linguagem emocional. Ao contar uma história, por exemplo, podemos entender a motivação que nos leva a escrevê-la; a direção que lhe damos e a maneira como a tratamos um assunto revelam muito sobre nós mesmos e trazem descobertas muitas vezes surpreendentes.&lt;br /&gt;Hoje muita gente se dedica às formas literárias, especialmente o blog, que é uma maneira de autoexpressão bastante difundida graças à internet. Com o meio eletrônico, a palavra escrita ganhou uma difusão, uma força e importância como jamais teve na história da Humanidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muitas pessoas escrevem blogs para amigos ou com algum propósito informativo, outras sem mesmo saber se terão leitores. Sentem apenas a necessidade da expressão e de exploração das próprias idéias e sentimentos. E isso pode ser visitado por outras pessoas que, eventualmente, podem ter os mesmos sentimentos, angústias e preocupações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrever faz bem à alma. Ninguém precisa ser profissional da escrita para escrever, e escrever bem. Assim como adolescentes escrevem di´rios, o hábito de escrever deveria ser uma prática adotada pela vida inteira, como um foro privado de reflexão. A expressão é algo que está ao alcance de todos. Incluindo a poesia, essa forma literária um pouco esquecida, e que é a que mais nos aproxima de nós mesmos, dos nossos sentimentos, e abre novas maneiras de pensar sobre as nossas emoções, de maneira ainda mais direta que o romance.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cada vez tenho mais vontade de escrever poesia, e menos romance. Como é algo que hoje pouco se publica em livro, a poesia tem na internet um bom espaço. E não há nada melhor para ver a quantas andas o nosso coração.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-476122585499302502?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/476122585499302502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/importancia-de-escrever.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/476122585499302502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/476122585499302502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/importancia-de-escrever.html' title='A importância de escrever'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SolBWdKpk-I/AAAAAAAAAm4/pHnYKIG3fJg/s72-c/caracol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-653706407435044777</id><published>2009-08-16T17:08:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T17:13:43.430-07:00</updated><title type='text'>A pipa e o vento</title><content type='html'>Tudo pode acontecer. Inclusive nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes a gente passa longo tempo com a sensação de que está parado na vida. E de repente a vida muda de maneira vertiginosa. Todas as vezes em que eu acho que o mundo conspira contra minhas realizações, de repente algo acontece - como uma lufada de vento que faz subir aquela pipa em voo periclitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sei que, se tudo pode acontecer, um dia pode ser que tudo seja nada. É preciso ter paciência de sábio chinês para esperar a hora certa de fazer as coisas. E para aceitar o fato de que não podemos tudo e precisamos da ajuda dos outros. Tenho recebido muita ajuda, nas horas certas, e tenho muito a agradecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque mesmo a melhor pipa depende do vento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-653706407435044777?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/653706407435044777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/pipa-e-o-vento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/653706407435044777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/653706407435044777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/pipa-e-o-vento.html' title='A pipa e o vento'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6182390032491918588</id><published>2009-08-07T05:19:00.000-07:00</published><updated>2009-08-08T07:31:38.535-07:00</updated><title type='text'>Caminhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sn2MP0rzu_I/AAAAAAAAAmY/DUWTLCpZj6U/s1600-h/sitio1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367600534363814898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sn2MP0rzu_I/AAAAAAAAAmY/DUWTLCpZj6U/s320/sitio1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho pensado em outros caminhos. Não por desistir fácil, mas por ser feito de múltiplos. Aquilo que ontem parecia perfeito, ou suficiente, hoje já não é o bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem vive em busca de resultados, mas não vive de resultados. Mais importante que o objetivo é a tentativa. Mesmo o sucesso é sempre inconcluso, porque há o dia seguinte, com as pequenas traições que se seguem a cada vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é fazer e refazer, por isso não podemos nos queixar do trabalho, das mudanças, das dificuldades, nem nos desapontar com os fracassos. Procurar outros caminhos não é necessariamente admitir a derrota, ou desistência dos sonhos. É ser maior que uma obsessão, estar aberto a enxergar outras saídas, buscar mais riqueza para a vida. Às vezes, pode ser também uma necessária e reconfortadora volta para casa, uma retomada de antigas estradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é preciso destruir as certezas, mesmo as mais sólidas. Hoje eu saio novamente da inércia das convicções, volto a olhar o céu estrelado no meu ranchinho entre as montanhas, e nas infinitas possibilidades do que ainda não sabemos. A felicidade é como o universo, a gente olha para um ponto, mas ele não está lá; é uma amplidão difusa, indefinível, que escapa mesmo para quem acredita nela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6182390032491918588?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6182390032491918588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/caminhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6182390032491918588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6182390032491918588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/caminhos.html' title='Caminhos'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sn2MP0rzu_I/AAAAAAAAAmY/DUWTLCpZj6U/s72-c/sitio1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6146435683071917587</id><published>2009-08-05T04:47:00.000-07:00</published><updated>2009-08-05T04:56:46.427-07:00</updated><title type='text'>Um sonho</title><content type='html'>É difícil voltar de férias e ter que recomeçar tudo. A gente pensa se todo esse esforço vale a pena quando há tanta coisa boa lá fora. As montanhas. O mar. O sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E renunciar a isso para quê, se o que interessa é a própria vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem sonhei o sonho mais curto de que me lembro. Durava um segundo. Uma imagem, uma cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu segurava minha caneta favorita, uma Parker Joker preta, sobre uma folha de papel. Começava a escrever. E a caneta quebrava na minha mão. Tlec.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho começava e terminava aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6146435683071917587?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6146435683071917587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/um-sonho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6146435683071917587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6146435683071917587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/08/um-sonho.html' title='Um sonho'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6716936996384299927</id><published>2009-07-22T17:11:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T05:19:51.019-07:00</updated><title type='text'>As palavras e o vento</title><content type='html'>&lt;em&gt;Duas semanas de férias! E cumpri a promessa de ficar longe do computador. Se bem que nem tanto da caneta. Quando o pensamento fica vadio, dá vontade de ouvir palavras que sopram bem de dentro - ou trazidas pelo vento passageiro da ilha distante, agreste e bela de Fernando de Noronha, onde fui descansar. Aqui vão algumas coisas que vi e escrevi por lá.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5361445192364509474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Smet_w2cySI/AAAAAAAAAmI/QHazzvuPBuA/s320/noronhinha.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Saudade inverossímil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto saudade&lt;br /&gt;Das coisas que nunca tive&lt;br /&gt;Uma vontade&lt;br /&gt;De outros lugares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paixões estrangeiras&lt;br /&gt;Que me seriam mais próximas&lt;br /&gt;E também um pouco&lt;br /&gt;De lúbrica irresponsabilidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto vontade&lt;br /&gt;Das belezas perdidas&lt;br /&gt;Do reencontro&lt;br /&gt;Com o conhecido e o desconhecido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero de novo&lt;br /&gt;A razão primeira&lt;br /&gt;Sempre a mais pura&lt;br /&gt;E a mais verdadeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto vontade&lt;br /&gt;Dos sentimentos mais doces&lt;br /&gt;E dos impulsos calorosos&lt;br /&gt;Servos somente&lt;br /&gt;Do coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero dias despreocupados&lt;br /&gt;Aragem de chuva de verão&lt;br /&gt;De ser menino indomável de bicicleta na rua&lt;br /&gt;Parando apenas para o picolé ou o guaraná&lt;br /&gt;Que custavam 1 cruzeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero as felicidades futuras&lt;br /&gt;As que terei e as que deixarei de ter&lt;br /&gt;O destino desmarcado e inesperado&lt;br /&gt;Porque a certeza&lt;br /&gt;É terrível como um velho dragão à nossa espreita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tudo resolvido&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo resolvido&lt;br /&gt;Nada resolvido&lt;br /&gt;Nas noites que poderiam ter sido eternas&lt;br /&gt;Nos dias de labuta&lt;br /&gt;Que me custaram tanto&lt;br /&gt;E todo esforço terminou areia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo resolvido:&lt;br /&gt;Nada resolvido.&lt;br /&gt;Os amores nascidos eternos&lt;br /&gt;Que mudaram a cada dia&lt;br /&gt;E exigem o esforço do dia&lt;br /&gt;Para chegarem ao próximo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo resolvido&lt;br /&gt;Nada resolvido&lt;br /&gt;Cores em múltiplos tons&lt;br /&gt;Formas indefinidas&lt;br /&gt;Corpos em movimento&lt;br /&gt;Um mundo que não é como o vemos&lt;br /&gt;Verdade em mutação&lt;br /&gt;(Haveria verdade?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo tudo em que acreditávamos&lt;br /&gt;Está esquecido espezinhado perdido&lt;br /&gt;Toda revolta foi inútil&lt;br /&gt;Toda sabedoria desperdiçada&lt;br /&gt;Todo esforço recomeça&lt;br /&gt;Num interminável refazer&lt;br /&gt;Todo amor é partido&lt;br /&gt;E parte para um novo amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo resolvido,&lt;br /&gt;Nada resolvido!&lt;br /&gt;Nenhum jogo ganho&lt;br /&gt;Nenhum jogo perdido.&lt;br /&gt;Nenhum avanço&lt;br /&gt;Sem retrocesso&lt;br /&gt;Nenhuma decisão&lt;br /&gt;Sem dissolução&lt;br /&gt;Nossos dilemas ancestrais&lt;br /&gt;Sentimento e razão&lt;br /&gt;Contrários afirmativos&lt;br /&gt;Paradoxos, contradições&lt;br /&gt;Até as estrelas parecem as mesmas&lt;br /&gt;Na sua distante rotação&lt;br /&gt;(Mas se consomem lentamente&lt;br /&gt;Queimando como o sol)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Universo sem explicação&lt;br /&gt;Vida anti-natural&lt;br /&gt;Ou o sobrenatural da vida&lt;br /&gt;E o que é diante disso&lt;br /&gt;A hora marcada&lt;br /&gt;O táxi&lt;br /&gt;A reunião&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perdidos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou certo de mim&lt;br /&gt;Não estou certo de nada&lt;br /&gt;Não que seja ruim&lt;br /&gt;Assim é a estrada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou contente&lt;br /&gt;Mas não estou sozinho&lt;br /&gt;Há muito mais gente&lt;br /&gt;Perdida no caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não estou triste&lt;br /&gt;Apenas consciente&lt;br /&gt;Felicidade só existe&lt;br /&gt;Misturada, inconsistente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Caminho da sabedoria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de aprender a viver&lt;br /&gt;E segundo a não matar&lt;br /&gt;Em terceiro a conviver&lt;br /&gt;Com a dor de ver morrer&lt;br /&gt;Quem se quer eternizar&lt;br /&gt;E por último aprender&lt;br /&gt;À própria morte aceitar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rosas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosas sem espinhos&lt;br /&gt;Não são rosas&lt;br /&gt;Felicidade não é sofrer&lt;br /&gt;Mas sem sofrimento&lt;br /&gt;Não há felicidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há amor perfeito&lt;br /&gt;Nme vida perfeita&lt;br /&gt;Felicidade é flor roubada ao tempo&lt;br /&gt;E fenece em nossas mãos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ausência&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A ausência não é somente&lt;br /&gt;O nada de uma saudade&lt;br /&gt;A sombra de uma lembrança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ausência, verdadeiramente,&lt;br /&gt;É a certeza de uma vontade&lt;br /&gt;A oportunidade da esperança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5361445261160348594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SmeuDxIp-7I/AAAAAAAAAmQ/cnMh7eZkXSI/s320/noronha.JPG" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6716936996384299927?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6716936996384299927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/as-palavras-e-o-vento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6716936996384299927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6716936996384299927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/as-palavras-e-o-vento.html' title='As palavras e o vento'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Smet_w2cySI/AAAAAAAAAmI/QHazzvuPBuA/s72-c/noronhinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6444231149582454762</id><published>2009-07-15T03:57:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T03:59:51.650-07:00</updated><title type='text'>A saída para a política</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sl22nxsunPI/AAAAAAAAAlw/SyhPhP5vVow/s1600-h/lobo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358639926112853234" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 118px; CURSOR: hand; HEIGHT: 117px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sl22nxsunPI/AAAAAAAAAlw/SyhPhP5vVow/s320/lobo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Os ideais são tão mais importantes quanto menos são praticados&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um lamentável espetáculo o noticiário que dá conta da falta de vergonha e espírito público dos políticos brasileiros, mas a grande pergunta não é o que fazer com o passado, e sim com o futuro. Como o país poderá progredir com lideranças da pior qualidade e um sistema democrático que parece demorar tanto para policiar essa gente e despoluir os Três Poderes?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O presidente Lula melhorou a renda da população mais pobre, conseguiu sustentar a inflação em um nível baixo com crescimento econômico e manteve o país com credibilidade no sistema financeiro. Com isso, o Brasil ficou até mais protegido que a maioria dos outros países diante da crise internacional. Lula fez um governo aclamado na economia, mas vai deixar uma mancha muito feia para a história. Mesmo em nome de uma certa estabilidade, não se pode apoiar tudo o que há de errado na política brasileira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nessa área, Lula mostrou não ser muito diferente de todo o resto. Defendeu os deputados mensaleiros. Defendeu o corruptores dos mensaleiros dentro de seu governo. Defendeu o ministro da Fazenda Antonio Palocci, capitão da República de Ribeirão Preto, bando que distribuía dinheiro de origem escusa em malas de dinheiro vivo num lupanar de Brasília. Apoiou Evo Morales, mesmo quando este mandou sequestrar uma refinaria da Petrobras na Bolivia, num ato de banditismo promovido pelo Estado. Apoiou Hugo Chaves, mais um ditador de opereta ao estilo latinoamericano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para completar, Lula apoia agora José Sarney, o presidente do Senado e ex-presidente da República que ainda se agarra ao poder justamente para, com sua influência, deter investigações sobre a origem de seu dinheiro, suas relações com o banqueiro Edemar Cid Ferreira e a maneira sanguessuga como faz política desde antes da ditadura militar. A Lula, só falta apoiar o Lobo Mau.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bastaria dizer que o político atuante em nome do interesse coletivo ganha mais que agindo apenas em interesse próprio, mas é muita ingenuidade acreditar que aqueles no exercício do poder hoje em dia colocarão em prática esse princípio tão elementar. A tentação de botar a mão no dinheiro em troca de algum favor fácil sempre fala mais alto que agir conforme o mandato que é conferido ao representante público. E é sempre mais fácil contemporizar que enfrentar problemas e resolvê-los.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, todos acabam virando farinha do mesmo saco. Mesmo políticos de melhor qualidade, como Fernando Gabeira e o senador Eduardo Suplicy, já foram apanhados distribuindo passagens aéreas e outras regalias a parentes, numa demonstração de descaso com a ética e o espírito público. Ficamos sabendo que o Congresso tem 8.000 funcionários contratados por essa gente. Há milhares de municípios no Brasil com uma população menor que a do nosso parlamento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Como salvar um país de um sistema que parece podre, ou que apodrece as pessoas? A resposta, creio, é só uma: não desistir. Os ideais são tão mais importantes quanto menos vão sendo praticados. Valores que elevam alguns seres humanos acima dos outros que não os praticam: honestidade, trabalho, fidelidade, honra, coragem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O exemplo não começa pelos políticos que tanto criticamos, mas de cada um de nós, fora do Congresso, longe de Brasília. Porque os políticos não são uma casta de privilegiados abençoados por Deus, mas cidadãos comuns que vêm da sociedade. E, para que eles melhorem, a sociedade é que tem de melhorar, a partir do comportamento individual. Como um pingo de lama na neve. somente quando os bandalhos se tornarem efetivamente uma minoria é que se envergonharão de si mesmos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6444231149582454762?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6444231149582454762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/saida-para-politica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6444231149582454762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6444231149582454762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/saida-para-politica.html' title='A saída para a política'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sl22nxsunPI/AAAAAAAAAlw/SyhPhP5vVow/s72-c/lobo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6976487460763512976</id><published>2009-07-06T04:02:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T04:03:43.616-07:00</updated><title type='text'>O casamento e a felicidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SlHaCEM2HuI/AAAAAAAAAlo/oS8UPKO4L6Y/s1600-h/casamento.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355301160942444258" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 127px; CURSOR: hand; HEIGHT: 84px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SlHaCEM2HuI/AAAAAAAAAlo/oS8UPKO4L6Y/s320/casamento.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Qual é a fonte do bem mais desejado pelo ser humano&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Oito entre dez pessoas casadas que usam a internet, segundo recente pesquisa, frequentam sites de relacionamento. Surpresa? Creio que não. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, li um artigo na revista da Folha, da psicanalista Luciana Saddi, que respondia a pergunta de uma leitora, alarmada com os milhares de acessos a páginas virtuais de namoro para pessoas casadas. Queria saber se “nunca estamos felizes e sempre vamos procurar diversão fora do casamento”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez Luciana devesse ter respondido algo um pouco mais confortador. O que ela fez foi devolver a dúvida à leitora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“O sentimento de satisfação depende de fatores como voracidade, equilíbrio emocional, possibilidade de formar vínculos e capacidade de aguentar dor e perda”, escreveu ela. “Mas quem disse que a realidade não exige renúncia? Ou que o casamento torna as pessoas mais felizes e menos sozinhas?”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A busca pela felicidade parece não ter mais um caminho claro, ainda mais nos dias de hoje, o que produz certa aflição. Mas a vida não tem qualquer obrigação de nos apresentar respostas claras e definitivas para absolutamente nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Conforme nos lembra o falecido psicanalista americano Anthony Storr, autor do ensaio Solitute – A Return to The Self, a idéia de que o casamento é a principal fonte da felicidade é relativamente recente na História da Humanidade. O casamento monogâmico não era tão importante para os gregos, os romanos ou em qualquer outra sociedade pré-vitoriana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nem mesmo na Bíblia há uma fórmula única. No Gênesis, Adão e Eva são criados uma para o outro, modelo para a união monogâmica. Moisés, que escreveu as tábuas da lei, personagem fundamental não apenas da tradição judaica como católica e também muçulmana, era polígamo. Pelo que dizem as escrituras, Jesus muito provavelmente er aum asceta, muito embora os revisionistas e alguns ficcnionistas contemporâneos hoje tentem relacioná-lo com Maria Madalena.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No passado, ser feliz podia significar realização no trabalho, sucesso com a criação dos filhos, afeição familiar, relações de amizade, expressão em forma de arte. Cita pessoas que nunca se casaram e se consideravam muito felizes, para dizer que um indivíduo pode estar sozinho, sem ser necessariamente solitário ou infeliz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A idéia de que o casamento monogâmico é essencial para a felicidade vem dos Século XVIII, com forte influência moralista da igreja católica. As mudanças de comportamento dos anos 1960 que levaram à aprovação da lei do divórcio na maioria dos países ocidentais, porém, mudou esse cenário.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com a lei, a sociedade assume que a liberdade individual e o direito à busca da felicidade são valores superiores ao contrato do casamento. Esse princípio abriu as portas para uma era de maior individualismo, hoje capitalizada pela internet, com a possibilidade tecnológica de acesso a informação e contatos que favorecem também a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A felicidade é algo mais amplo e complexo do que ser feliz no casamento. E uma coisa não depende exclusivamente da outra. A felicidade pode advir em grande parte do relacionamento amoroso, se isto for importante para o indivíduo. Ela, porém, não tem necessariamente ligação com o casamento ou qualquer outra maneira do indivíduo adaptar-se à convivência. O importante é conviver sem perder a ligação amorosa, o que para muitos não se dá necessariamente pela coabitação ou os moldes da família convencional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No passado, o modelo da família católica servia à estabilidade da instituição do casamento, também como pressuposto de que a segurança produzida por esse ambiente favorecia o suporte e o amor necessários à criação dos filhos. É verdade que as crianças precisam de segurança e afeto, mas hoje não se sabe exatamente se o casamento é o modelo exclusivo pelo qual elas se desenvolvem de uma boa forma, nem aquele com o qual se garante a harmonia doméstica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há hoje muitos filhos de pais separados que acreditam terem ganho experiência, facilidade de convivência, novas formas de inteligência e até mesmo mais e melhores relações afetivas por compartilharem de mais de uma família. Não existem regras gerais nesse departamento, até porque o que pode ser ruim para um é bom para outro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O caminho da felicidade é resultado de um conjunto de fatores do qual a vida amorosa é uma parte importante, mas não a única. E depositar todas as esperanças de felicidade em uma coisa só, seja ela qual for, faz com que a vida seja vivida de maneira parcial. O que, no final, resultará sempre em alguma forma de insatisfação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando nos sentimos incompletos, a tendência do ser humano será sempre olhar para o lado – ou, como acontece na internet, para a porta da esperança virtual onde se imagina que poderá sempre surgir algo capaz de preeencher o vazio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6976487460763512976?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6976487460763512976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/o-casamento-e-felicidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6976487460763512976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6976487460763512976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/o-casamento-e-felicidade.html' title='O casamento e a felicidade'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SlHaCEM2HuI/AAAAAAAAAlo/oS8UPKO4L6Y/s72-c/casamento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8633489312810012791</id><published>2009-07-06T04:00:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T04:02:29.774-07:00</updated><title type='text'>A razão sem razão</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SlHZv044RoI/AAAAAAAAAlg/OWkbTvkod90/s1600-h/duvida.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355300847594522242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 88px; CURSOR: hand; HEIGHT: 130px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SlHZv044RoI/AAAAAAAAAlg/OWkbTvkod90/s320/duvida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por que podemos estar certos e ao mesmo tempo nos sentir tão mal&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruz e Souza, um de nossos grandes poetas simbolistas, escreveu certa vez: “Não tenho orgulho do que penso, eu me orgulho do que sinto”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É a frase que me vem à mente depois de assistir em DVD ao filme A Dúvida. No filme, na realidade a adaptação de uma premiada peça de teatro, a personagem de Meryl Streep, uma freira que desconfia de pendores pedófilos do padre interpretado por Philip Seymor Hoffman, alimenta-se de sua certeza e conduz um processo informal que força o suspeito à renúncia. Mesmo com todas as evidências de que estava certa, porém, a implacável madre termina sentido-se tão mal quanto se tivesse cometido um pecado capital.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Há em A Dúvida uma brilhante interpretação de um fenômeno que presenciamos e sentimos no dia a dia. Muitas vezes, podemos estar com a razão – e nem por isso nos sentimos melhor do que se não tivéssemso razão alguma. Muitas vezes, tudo o que fazemos de certo no final acaba parecendo errado pela maneira como conduzimos as coisas. Ou porque o objeto da razão – a verdade – é tão tênue que faz com que jamais possamos ter certeza absoluta de nada, e que a condenação de um ser humano é sempre injusta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que define o filme está no se início – a parábola segundo a qual o náufrago que nada sems aber se vai na direção correta não está sozinho. Contada por um padre no seu púlpito, ela sugere que o indivíduo em dúvida nunca está sozinho – teria Deus a seu lado. No final, proém, somos indizidos a uma outra interpretação da mesma história. O náugrafo não está sozinho na dúvida, porque não é o único. Quem não está?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Dúvida é um belo filme, que faz pensar, sobretudo aqueles que se acham donos da razão. E que não compreendem, apesar de todos os seus bons motivos, o motivo de serem malvistos ou a sensação de que ainda assim fizeram algo de errado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isso acontece porque a razão em geral passa por cima dos outros. Podemos estar absolutamente certos de algo, mas para que nossos motivos prevaleçam atropelamos sentimentos alheios. A verdade às vezes é ambígua, ou não existe. Mesmo quando ela é cristalina, o exercício da razão mostra que ela no final não tem tanta importância. A razão eprde a razão quando mostra a intolerância com os outros, não vê a humanidade no erro alheio, o que tira do ser humano com razão a sua humanidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A razão pode ser justa, mas pode ser cruel, pode ser má. É a nossa humanidade, a sensibilidade de perceber os outros e a nós mesmos, que faz com que possamos dormir com a consciência mais tranquila. Cada um tem suas razões, mas o sentimento pe compartilhado. Para isso, temos de aceitar que o adequado para o outro nem sempre é o melhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não se deve subestimar os outros; se agem de certa forma, por vezes é por uma necessidade interna, uma vontade alheia à razão, ou à nossa razão. Ao forçá-la a mudar, assumir suas tarefas ou induzi-la a agir de outra maneira, nos colocamos não contra umerro, mas contra os seus sentimentos. E isso, mais tarde, é difícil consertar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cruz e Souza, com a capacidade ímpar da poesia de resumir belamente sentimentos importantes, disse tudo. O que importa, aquilo de que devemos ter orgulho, não é do que pensamos, o fruto da razão, mas do que sentimos, o fruto do coração. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8633489312810012791?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8633489312810012791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/razao-sem-razao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8633489312810012791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8633489312810012791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/razao-sem-razao.html' title='A razão sem razão'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SlHZv044RoI/AAAAAAAAAlg/OWkbTvkod90/s72-c/duvida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-9057152862237976658</id><published>2009-07-02T05:03:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T05:43:45.149-07:00</updated><title type='text'>Não perca!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkykM0u1e9I/AAAAAAAAAlQ/iEHQn104qM8/s1600-h/aquino.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353834597257149394" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 72px; CURSOR: hand; HEIGHT: 112px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkykM0u1e9I/AAAAAAAAAlQ/iEHQn104qM8/s320/aquino.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Domingo, Marçal Aquino no Autores e Ideias&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Neste domingo, dia 5, a partir das 19:00, tem Autores e Ideias, o encontro literário que eu conduzo no Auditório da Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim. O convidado da vez é o jornalista, escritor e roteirista de cinema Marçal Aquino. É a chance não apenas para os habituês como para quem já queria ir, mas não podia quando o evento acontecia às noites de segunda-feira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aquino trabalhou como revisor, repórter e redator nos jornais &lt;a title="O Estado de S.Paulo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Estado_de_S.Paulo"&gt;O Estado de S.Paulo&lt;/a&gt; e &lt;a title="Jornal da Tarde" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornal_da_Tarde"&gt;Jornal da Tarde&lt;/a&gt;. Mais conhecido por roteiros de cinema, como os de O Invasor, Os Matadores, Nina e Ação Entre Amigos, ele também é poeta e ficcionista talentoso. Ganhou um prêmio Jabuti com O Amor e Outros Objetos Pontiagudos em 2000. Seu romance mais recente é Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, lançado pela Companhia das Letras, cuja leitura, por sinal, eu recomendo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No Autores e Ideias, Aquino vai falar sobre sua obra, a ficção policial e o trabalho do romance e do roteiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma boa sugestão para alimentar o espírito antes do excelentíssimo Due Cocchi, o envidraçado restaurante com vista panorâmica no último andar do shopping. Ou de uma pizza! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-9057152862237976658?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/9057152862237976658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/nao-perca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/9057152862237976658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/9057152862237976658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/07/nao-perca.html' title='Não perca!'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkykM0u1e9I/AAAAAAAAAlQ/iEHQn104qM8/s72-c/aquino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8555595424413761072</id><published>2009-06-30T14:45:00.000-07:00</published><updated>2009-07-04T04:54:43.121-07:00</updated><title type='text'>A aposta que todos perdemos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkqIBQyR1UI/AAAAAAAAAlA/z0BueBdnncE/s1600-h/eric.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353240662350353730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 79px; CURSOR: hand; HEIGHT: 103px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkqIBQyR1UI/AAAAAAAAAlA/z0BueBdnncE/s320/eric.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Morre o homem que salvava vidas&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quando o dr. Eric Wroclawski me disse, em seu consultório, que eu estava curado do tumor que tivera na bexiga – o que significava apenas fazer uma revisão anual dali em diante -, exultei.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;- Agora, estamos em iguais condições – eu disse. – Podemos fazer uma aposta. Quem morrer primeiro de nós dois, perde. O único problema dessa aposta é que o vencedor não recebe o dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Eu me dava bem com Eric, e vice-versa; durante todo o meu tratamento, ele dizia que achava admirável a maneira com que eu me referia à doença, às dificuldades derivadas dela e a mim mesmo com ironia. O que eu não sabia é que não estávamos em igualdade de condições. Eric descobrira cinco anos antes, mais ou menos ao mesmo tempo que eu, que tinha um tumor na próstata. Mas, ao contrário do meu polipozinho, o tumor dele era incurável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entre outros atos de coragem, Eric decidiu não contar nada a ninguém sobre a doença, o que incluía sua família, os médicos que com ele trabalhavam, os amigos e os pacientes – entre eles, eu. Só quem já passou por isso sabe avaliar quanta força é preciso para lidar com tamanho drama sozinho. Vítima da própria doença que tratava, Eric salvou milhares de vidas ao longo de sua carreira – mas sabia que não salvaria a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele tinha vontade de morrer em casa, mas as dores o levaram ao hospital onde trabalhava e permaneceu internado por mais de um ano, até falecer, há duas semanas. Quando eu soube da doença, escrevi sobre Eric – especialmente a visita que lhe fiz no hospital, na qual li para ele os trechos do meu romance Campo de Estrelas, em que ele aparece somente como Roger – seu nome do meio (leia nos arquivos de &lt;a href="http://www.thalesguaracy.com.br/"&gt;http://www.thalesguaracy.com.br/&lt;/a&gt;, com o título “De onde vem a coragem”). Aqui não quero me repetir - somente acrescento minha consternação diante do inevitável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Algumas pessoas me criticaram, porque naquela coluna eu falava de Eric no passado, quando na realidade ele ainda estava vivo. Eu nunca quis apressar sua morte – apenas me revoltava contra o destino que colhera o homem como eu o havia conhecido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Durante seu período de internação, de fato Eric continuou, mesmo dentro de suas limitações, a ser o homem ativo que sempre foi. Dirigia o consultório e as instituições que representava, graças ao seu cérebro inesgotável e o caráter de ferro que não obstruía o riso e a generosidade vindos do coração. Tomado pela metástase, só movimentava-se na cama com ajuda, mas ainda sabia rir e ser ele mesmo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tinha mais força do que quem estava em pé. Muitos – mesmo médicos – sequer foram visitá-lo no hospital. Para não encará-lo. E encarar seu próprio medo. Mas não se pode fazer juízo – estou certo de Eric também não o faria. Era mesmo difícil. Tanto que fui lá apenas uma vez – fraquejei quando soube que ele havia piorado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca poderemos nos conformar com o destino, ainda que não possamos fazer nada contra ele. Nesses momentos, um grito de revolta enche o peito e pela minha vontade correria as galáxias até atingir o responsável como um raio olímpico. Para mim, a morte é obra do Diabo, porque não consigo admitir recebê-la das mãos do nosso mesmo Criador. É muita maldade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como nas nossas muitas conversas, Eric certamente riria do que estou dizendo, com as mãos pousadas sobre a barriga, girando a cadeira ergométrica levemente. Ele era um médico: para ele, a morte significava meramente um coração ou outra coisa malfeita do organismo que parava de funcionar. E a vida, essa conjunção delicada de mil peças que podem falhar, cessava – muito embora Eric empregasse sua vida e todas as suas forças no sentido de evitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eric morreu, e podia ter sido eu. Salvei-me graças a ele, e ninguém pôde salvá-lo. Venci a aposta, para minha surpresa, mas não recebo nada. Nem mesmo a vida – nos encontraremos, é uma questão de umpouco mais de tempo. Enquanto isso, a força do espírito de Eric permanece comigo, da mesma forma que me acompanhava quando eu, assombrado pela perspectiva da morte, buscava nele amparo para acreditar no futuro, quando nem mesmo ele via algum futuro para si.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fica aquele travo na língua, o vazio no coração, a revolta na alma. Gostaria de ter conservado Eric para sempre, não apenas por mim, como por todas a quem ele ajudou. Em meu romance, resta um pouco dele, cristalizado para a eternidade, mas a literatura não muda a realidade da morte nem apazigua o coração. A literatura não é suficiente. Nada é suficiente. Nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8555595424413761072?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8555595424413761072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/aposta-que-todos-perdemos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8555595424413761072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8555595424413761072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/aposta-que-todos-perdemos.html' title='A aposta que todos perdemos'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkqIBQyR1UI/AAAAAAAAAlA/z0BueBdnncE/s72-c/eric.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-373100379222225710</id><published>2009-06-30T06:51:00.000-07:00</published><updated>2009-06-30T13:31:43.385-07:00</updated><title type='text'>O coelho cor de rosa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkoYxsbRSeI/AAAAAAAAAk4/W2S3LuUW2Ok/s1600-h/futuro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353118349101451746" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 75px; CURSOR: hand; HEIGHT: 108px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkoYxsbRSeI/AAAAAAAAAk4/W2S3LuUW2Ok/s320/futuro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O amor que damos não é o amor que os outros recebem&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje Guinho estava queixoso no café da manhã. Fazendo biquinho, no colo da mãe, reclamava:&lt;br /&gt;- O meu coelho cor de rosa fugiu!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Guinho tem dois anos e meio. Estava realmente sentido, com aqueles olhos meiguinhos e voz chorosa. A mãe observou: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;- Mas, filho, você não tem nenhum coelho cor de rosa!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tenho, sim! – reclamou ele, fazendo bico. – Ele estava sentado aqui na cadeira da cozinha. Eu fui ablaçar ele... E ele fugiu de mim!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Maíde, a babá, percebeu que ele havia tido um sonho. Crianças de dois anos e meio sonham. Coisas que para ela têm algum significado. Mais do que isso, coisas que para elas também são reais. Para Guinho, sonho não tem diferença de lembrança. Para ele, o sonho realmente aconteceu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Talvez Guinho, que vive num mundo meio de sonho, tenha transferido para sua vida no sono algo que também acontece com ele durante o dia. Os cachorros, por exemplo, que ele adora, fogem dele como o diabo da cruz. Um bom exemplo é o Aramis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na casa de minha irmã, onde vive o cachorro que foi de minha mãe, Guinho e o priminho Theo vivem atrás o bichinho, um cocker spaniel sossegadão, que vive arrastando as orelhas. Querem abraçá-lo, beijá-lo, enchê-lo da carinhos. Mas isso significa também pular em cima dele, puxar-lhe o rabo, com uma insistência tão massacrante que Aramis, prevenido, trata de fugir deles quando se aproximam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Guinho quer dar seu amor ao bichinho, mas é um amor sufocante. E não entende Aramis: se sua intenção é das melhores (carinho), por quê o bicho o rejeita, fugindo dessa maneira?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cedo Guinho descobriu algo de que muitos de nós nem mais tarde fazemos conta: o amor que damos não é o amor que os outros recebem. Por vezes, empregamos os nossos melhores esforços, e de maneira sincera. Acreditamos amar muito. Porém, esse amor muitas vezes não supre as necessidades dos outros. O que fazemos não é o que os outros precisam. Pior, há amores que incomodam, invadem, machucam. Fazem com que os outros se afastem de nós.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todo ser amado tem seus momentos de coelho cor de rosa. E todo aquele que ama tem momentos como o de Guinho, porque, como em seu sonho, de alguma forma se sente rejeitado no amor, sobretudo quando o ente querido se afasta. O amado se sente incompreeendido, e quem ama também. Quando o coelho cor de rosa foge, nos sentimos duas vezes mais tristes: pela incompreensão e pelo abandono.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O amor é o sentimento essencial do ser humano, porque é o que nos dá segurança desde a infância e faz com que enfrentemos o mundo. Crianças pequenas que temem a ausência dos pais ou sofrem com a falta de amor tendem a se tornar muito sensíveis. Ela amadurecem quando aprendem que os pais são pessoas diferenets e conseguem se sentir seguras mesmo quando elas estão longe ou não têm o seu amparo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com o tempo, substituímos a presença dos pais por uma rpesença simbólica, como se eles estivessem dentro de nós. Dependemos menos dos outros ao introjetarmos esse amor. É uma preparação necessária, não apenas para lidar com as frutrações da vida, sobretudo as amorosos, como a própria perda futura dos entes queridos. Eu, que perdi minha mãe há seis meses, gosto de pensar que de alguma forma ela está comigo; é um sentimento comfortador.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Existem crianças mais sensíveis, que não conseguem se livrar nunca desse sentimento de perda. Não conseguem proteger a si mesmas dos sentimentos de perda, rejeição, abandono. Cada vez que são rejeitadas pelo coelho rosa, sentem-se solitárias, vazias, abandonadas. No limite, transformam-se em adultos fronteiriços, com tendência para a depressão e até mesmo o suicídio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como os artistas em geral, romancistas são normalmente mais sensíveis. Aumentamos um pouco os sentimentos, ou estamos menos protegidos deles do que outras pessoas que lidam com a vida de maneira mais automática. Refletimos mais porque sentimos mais e tentamos investigar as origens do que nos afeta, porque nos afeta muito. Muitos romancistas fazem do próprio trabalho não apenas entretenimento para os outros, como uma maneira de lidar com seus próprios sentimentos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Meu filho recebe amor, tem a presença da família e é muito bem resolvido. Mas não está imune à regra geral de que o amor que damos não é o que os outros recebem. O que escrevemos não é também exatamente aquilo que os outros lêem; o ponto de vista de cada um faz com que os outros reinterpretem nossas intenções, sentimentos e até mesmo nossas razões segundo sua própria perspectiva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Intuitivamente, Guinho descobriu que, por mais esforço que façamos para nos aproximar dos outros, eles não nos verão como nós mesmos nos vemos, mas somente como o que representamos para eles. E, na medida em que nossas necessidades, desejos e vontades interferem na vida alheia, cada indivíduo ao nosso redor se reserva o direito de se proteger de nós de alguma forma – até mesmo do amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É essa a sensação da solidão inevitável que carregamos, uns melhor, outros nem tanto, ao longo de toda a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-373100379222225710?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/373100379222225710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-coelho-cor-de-rosa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/373100379222225710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/373100379222225710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-coelho-cor-de-rosa.html' title='O coelho cor de rosa'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkoYxsbRSeI/AAAAAAAAAk4/W2S3LuUW2Ok/s72-c/futuro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-2170901804986126950</id><published>2009-06-27T06:18:00.001-07:00</published><updated>2009-06-27T06:35:19.455-07:00</updated><title type='text'>A Flip é que é off</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkYgEVMOpgI/AAAAAAAAAkg/oFYcs0aPKPE/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352000465956414978" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 135px; CURSOR: hand; HEIGHT: 78px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkYgEVMOpgI/AAAAAAAAAkg/oFYcs0aPKPE/s320/images.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muita gente pergunta: "Você não vai à Flip?" O evento literário que começa semana que vem parece quase uma obrigação para quem vive de literatura. Coisas da moda: quem não vai está fora do mapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quem não vai à Flip, tem que ir de alguma forma. Recebi uma porção de convites para participar de uma série de eventos da "Off Flip". O pessoal que não foi convidado pela organização oficial quer aproveitar a afluência de gente interessada em literatura para se misturar à confusão e dar também o seu recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu não vou à Flip. Primeiro, não fui convidado para participar de nada. E também não fico pedindo para participar de nada. Também não vou à Off Flip. Eu estou sempre na contramão. Faço um evento, o Autores e Ideias, que é uma Flip em São Paulo o ano inteiro. (No próximo dia 5, farei mais um encontro, com o escritor e roteirista de cinema Marçal Aquino, como sempre na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim, só que desta vez na noite do domingo). Eu falo de literatura e livro onze meses e três semanas por ano. Para mim, a Flip é que é off.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou aproveitar a grande concentração de cérebros brilhantes em Parati e fugir para um lugar deserto de ideias onde poderei descansar a minha pobre cabecinha. Em janeiro, reservei passagem e hotel para tentar não fazer nada em Fernando de Noronha. Não conheço a ilha. Dizem que há praias lindas. Levarei toda a família. Provavelmente as crianças me manterão ocupado o suficiente para não pensar em livros. Faremos snorkel, tomaremos banhos de sol e jogaremos futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para voltar depois com disposição para o bom combate.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-2170901804986126950?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/2170901804986126950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/flip-e-que-e-off.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2170901804986126950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2170901804986126950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/flip-e-que-e-off.html' title='A Flip é que é off'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkYgEVMOpgI/AAAAAAAAAkg/oFYcs0aPKPE/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-8688728769069147637</id><published>2009-06-23T16:36:00.001-07:00</published><updated>2009-06-23T16:51:16.918-07:00</updated><title type='text'>Os bons princípios da redação</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkFnWdy2liI/AAAAAAAAAkQ/jJSLMiaExyU/s1600-h/lampiao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350671467945563682" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 72px; CURSOR: hand; HEIGHT: 106px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkFnWdy2liI/AAAAAAAAAkQ/jJSLMiaExyU/s320/lampiao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Escrever bem nunca foi tão importante como agora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O crescimento da internet como meio de informação e também de manifestação do indivíduo aumentou a necessidade e a oportunidade de ler e, sobretudo, de escrever. Com isso, aumentou também muito o interesse pela prática da boa redação. Escrever é importante em nossa vida pessoal como um meio de plena expressão. E é fundamental no exercício de qualquer profissão, sobretudo o jornalismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não importa se alimentamos um blog, redigimos um e-mail, fazemos um paper para uma reunião de diretoria ou escrevemos um texto para internet, jornal ou revista. Os princípios de uma boa redação são sempre os mesmos, não importa o tamanho e a finalidade do texto ou onde ele será veiculado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrever bem não é meramente uma questão técnica. Implica não só no trabalho de redigir o texto, como tudo o que está por trás dessa tarefa - da qualidade do conteúdo à maneira como se conquista a atenção e o interesse do leitor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não é possível se transferir a alguém o dom ou a faculdade de escrever bem. O que se pode mostrar é a maneira mais correta de escrever. O tempo, a dedicação e o talento individual completam o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo para aqueles que não desejam escrever profissionalmente, é possível escrever textos gramaticalmente corretos, interessantes do ponto de vista estilístico e importantes pelo seu conteúdo. De um simples bilhete a uma tese de doutorado, o essencial para superar as dificuldades normais da pessoa que escreve é encontrar o foco do texto, desenvolvê-lo e terminá-lo de maneira memorável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na imprensa, o esforço cotidiano de escrever não chega ao seu melhor sem outro ingrediente: um certo idealismo, tanto mais necessário quanto menos se dissemina no mundo contemporâneo. É preciso estimular de modo permanente um jornalismo no qual não se abandona os ideais da imprensa diante das pressões inerentes à atividade. Deve-se com o mesmo empenho sustentar a qualidade diante da inércia e da rotina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A busca pela informação correta e sua transmissão de forma transparente pede um trabalho diligente e incansável. A credibilidade, princípio fundamental da independência jornalística, é o maior patrimônio de um veículo de comunicação e seus profissionais. Para construí-la e manter a confiança do público é necessária uma série de pequenas ações cotidianas ao longo do tempo. Para perdê-la, basta um único deslize.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa escola, que vem na tradição da grande imprensa livre mundial, sobretudo depois do seu período de profissionalização, finca-se na idéia de que o patrão do veículo de comunicação é o leitor. É para ele que trabalham o jornalista e o editor. Na busca pelo serviço prestado a cada indíviduo, há também um compromisso permanente com a sociedade democrática.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo para aqueles que não desejam seguir a carreira jornalística, é bom ter claro estes princípios, ainda mais agora, em que não se exige mais o diploma específico para o exercício do jornalismo, numa decisão infeliz do Supremo Tribunal Federal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez a disseminação desses bons princípios ajude a nortear aqueles que desejam se aventurar no mundo da informação qualificada. E ganhar leitores com o mesmo receituário com que a imprensa tradicional fez sua História: uma leitura clara, instigante, com conteúdo importante, surpreendente e de credibilidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-8688728769069147637?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/8688728769069147637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/os-bons-principios-da-redacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8688728769069147637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/8688728769069147637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/os-bons-principios-da-redacao.html' title='Os bons princípios da redação'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SkFnWdy2liI/AAAAAAAAAkQ/jJSLMiaExyU/s72-c/lampiao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-7804153630550110688</id><published>2009-06-21T18:21:00.000-07:00</published><updated>2009-06-22T04:29:13.208-07:00</updated><title type='text'>A democracia ameaçada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sj9qv-4PTkI/AAAAAAAAAkI/DeKFvrZNwXA/s1600-h/maquina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350112254904716866" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 108px; CURSOR: hand; HEIGHT: 89px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sj9qv-4PTkI/AAAAAAAAAkI/DeKFvrZNwXA/s320/maquina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Não é apenas a profissão do jornalista que está em risco&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em seu arrazoado em defesa da extinção do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, fez uma bela comparação. Disse que qualquer um pode trabalhar na cozinha de um restaurante sem diploma. E que no jornalismo seria da mesma forma: como se jornalismo fosse como fazer um coq au vin ou um virado de feijão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez o ministro Gilmar Mendes tenha uma certa razão. Se não é preciso qualificação para ser presidente do Supremo Tribunal Federal, porque ela seria necessária no caso de um simples jornalista?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao determinar o fim do diploma, num retrocesso de décadas, o STF consagra a tese dos donos de jornais e revistas no Brasil. Os patrões da imprensa encontram sempre um motivo nobre para ocultar seus interesses comerciais – o chamado vil metal. Alegam que a necessidade de diploma para o exercício do jornalismo cerceia a liberdade de expressão. Uma coisa, porém, não tem qualquer relação com a outra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Liberdade de expressão é o direito de cada um dizer o que pensa. Ninguém pode ser preso ou discriminado por suas idéias – nem mesmo um nazifascista. A liberdade de expressão é uma conquista da civilização moderna, da qual a imprensa é apenas uma parte. A imprensa livre e profisisonalizada deve-se abrir a opiniões e pontos de vista contrários, à palavra do cidadão, do cronista, do comentarista. Mas não pode abrir mão da profissionalização.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A liberdade de expressão foi alcançada também muito com a ajuda da imprensa profissionalizada, que abre espaço para opiniões diferentes e respeita princípios éticos, pilares da imprensa livre e da própria democracia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;As faculdades de jornalismo foram criadas para fazer com que o futuro profissional do jornalismo passe necessariamente pelo aprendizado desses princípios, além da técnica. A necessidade do diploma específico reafirma a responsabilidade do jornalista, assim como o diploma de engenheiro é pré-condição para alguém fazer ou executar o projeto de uma ponte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O problema é que quando uma ponte cai, a responsabilidade do profissional que causou o desastre fica evidente, assim como suas consequências. O dano causado por maus jornalistas não é tão evidente. Porém, não pode ser considerado menor. Um mau jornalista pode, inclusive, causar mortes. Fazer caírem pontes. E causar confusões ainda piores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Num momento de transição da mídia em papel para o meio eletrônico, o que os veículos querem é apenas abrir as portas do mercado para rebaixar salários. Esquecem que assim rebaixam também a qualidade dos profissionais, justo num momento em que mais se pede a disseminação do bom jornalismo, agora que a informação vem se expandido na forma de blogs e outros veículos de informação pela internet. Assim, enquanto miram numa vantagem financeira imediatista, os editores cavam sua própria sepultura nesse tipo de negócio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O fim do diploma do jornalista coincide, também pelas mãos do STF, com o fim da lei de imprensa. É certo que ela foi redigida no tempo da ditadura militar, mas o fato é que a imprensa se torna no Brasil cada vez mais uma terra sem lei. O STF argumenta que a imprensa deve criar um sistema auto-regulatório, como ocorre com a propaganda, que coibe abusos por meio de um conselho, o Conar. Esse caso, porém, não é assim tão simples.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nenhuma regulamentação de qualquer atividade profissional suprime o que está na Constituição – é apenas a regulamentação de uma atividade profissional. Não se pode misturar as duas coisas. O diploma do jornalista nunca foi impedimento para a liberdade de expressão, muito pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Da mesma forma, não se pode ficar sem uma lei de imprensa, alegando que se trata de um “resíduo ditatorial”. Não se pode imaginar um mundo perfeito em que a liberdade plena jamais causará danos a terceiros de maneira eventualmente injusta. É preciso preservar a liberdade de imprensa, mas não se pode permitir que ela seja uma plataforma de defesa para a prática do achaque, da calúnia, ou da interpretação de fatos em benefício de interesses privados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por outro lado, não se pode prmitir tambem que a imprensa livre seja coibida por uma onda de processos sem cabimento. A ausência da lei específica deixa margem ao seu cerceamento por via judicial, com aliás já vem ocorrendo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desse jeito, aquilo que se apresenta como o regime de liberdade total vira terra de ninguém, zona de bandoleiros, em que o cidadão está à mercê de quem detém o poder dos meios de comunicação – contra os quais nada se pode fazer. E, agora, também de jornalistas de qualidade indistinta que não passaram necessariamente pelo crivo elementar da educação. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Assim como a liberdade de expressão, é parte da democracia também o direito de defesa, de proteção da privacidade e da honra. Democracia não quer dizer liberdade total, mas um sistema de direitos e deveres no qual a liberdade de um é limitada, sim, pelos direitos do outro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Liberdade total é a anarquia. Se não podemos recorrer ao STF para evitá-la, porque o ministro Mendes não se importa com quem está cozinhando as notícias, a quem apelar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem vindos, amigos, aos tempos do faroeste nos meios de comunicação, com imprevisíveis consequências.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-7804153630550110688?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/7804153630550110688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/democracia-ameacada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7804153630550110688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7804153630550110688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/democracia-ameacada.html' title='A democracia ameaçada'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sj9qv-4PTkI/AAAAAAAAAkI/DeKFvrZNwXA/s72-c/maquina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-35370742806707722</id><published>2009-06-19T15:36:00.000-07:00</published><updated>2009-06-19T16:55:19.629-07:00</updated><title type='text'>O jogo do contente</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjwlX3G1ngI/AAAAAAAAAj4/STeBNxKKdR4/s1600-h/palha%C3%A7o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349191549269155330" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 98px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjwlX3G1ngI/AAAAAAAAAj4/STeBNxKKdR4/s320/palha%C3%A7o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por que a sinceridade nunca entra em moda&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorei a descobrir o jogo do contente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Demorei a descobrir, não. Na verdade, sempre relutei a aceitá-lo, entendê-lo ou usá-lo, e mesmo a respeitar quem o utiliza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para quem não sabe do que estou falando, fazer o jogo do contente é sempre dizer que está tudo ótimo, mesmo quando as coisas vão mal. Contar vantagem, mesmo quando se está por baixo. Exibir um ótimo retrato da vida, mesmo quando a realidade não confere.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Quem consagrou a definição do “jogo do contente” foi a escritora americana Eleanor Hodman Porter, em seu romance Polyanna, lançado em 1912. Polyanna, por sinal, se tornou um adjetivo para todas aquelas pessoas que fingem que estão sempre bem. Sobretudo quando as coisas não são bem assim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O jogo do contente serve para todo tipo de situação. A vida no trabalho. O casamento. A saúde. Não se trata de uma visão otimista do mundo, mas uma forma de jamais acusar os golpes. E, sobretudo, de manter o status quo, isto é, deixar as coisas como estão, por comodismo, conveniência, ou outros fatores que parecem mais importantes que os nossos sentimentos, a nossa vontade e a nossa própria felicidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O jogo do contente não é apenas uma maneira de enganar os outros. É também uma forma de enganarmos a nós mesmos. A vida é uma eterna convivência com problemas. Ele se propõe a nos ajudar a conviver melhor com os problemas que não podem ser resolvidos. E oferece uma saída mais fácil para poder desfrutar das coisas boas que muitas vezes estão misturadas à ruins.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu sempre fui a favor do realismo, da honestidade, da franqueza. Nunca procurei acobertar problemas e deixá-los para lá. Meu método sempre foi o de resolver o que estava ruim. Mesmo coisas pequenas. E, para resolver, não se pode perder o realismo. A clareza começa por não esconder os problemas de nós mesmos. Este é o primeiro passo para enfrentá-los. Para mim, a recusa do jogo do contente sempre foi motivo para enfrentamentos, crises e separações. Mesmo assim, nunca cedi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muita gente acredita que o jogo do contente é uma forma de maturidade. De aceitar o fato de que existem coisas que não podem ser resolvidas. Assim, a melhor maneira de enfrentá-las seria simplesmente acomodar as coisas. Fazer de conta que está tudo bem. O jogo do contente é uma forma de flexibilidade. Sem isto, o mundo certamente teria mais conflitos. Mas eu me pergunto se ele seria pior. Eu me pergunto se o jogo do contente é uma forma de maturidade, entendida como o final das ilusões, ou uma aceitação da nossa derrota.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não podemos subestimar ninguém. As pessoas não deixam de enfrentar as dificuldades por fraqueza, mas muitas vezes pela compreensão de que há barreiras acima de suas forças. Elas precisam inventar uma realidade melhor si mesmas, de forma a aceitá-la. Sepultar as ilusões é muito difícil. É uma derrota para toda a vida. Nesse caso, o autoengano é a única maneira de felicidade. A realidade não muda, mas assim se pode aceitá-la melhor. É a felicidade possível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhe ao seu redor e verá metade da Humanidade fingindo que está tudo bem, enquanto a outra finge que está acreditando. O jogo do contente está em toda parte. E assim se tece a teia da hipocrisia social. No fundo, porém, a nossa realidade não faz muita diferença para os outros. Por quê revelar problemas, mostrar as dificuldades, quando ninguém de fato pode ajudar? O jogo do contente resolve tudo. Os problemas continuam a não ser resolvidos. Mas mostramos para os outros uma face muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como o palhaço no circo, quem faz o jogo do contente exibe na face muitas vezes o riso depois de chorar no camarim. É difícil viver com as frustrações secretas; e eu me pergunto se aceitá-las e mantê-las só para nós é mesmo a maneira mais sábia de lidar com o que ela nos oferece ou o primeiro passo para a desistência da vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cada um escolhe a resposta que preferir. E ela será válida. Hoje vejo que meu preconceito contra o jogo do contente sempre foi também uma certa falta de respeito. O jogo do contente para mim sempre foi falsidade, enganação, uma mistificação absurda da realidade, uma forma de deplorável de cinismo. Mas compreendo agora, tardiamente (como tudo), que é uma opção tão justificável quanto as outras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda sou a favor da honestidade, da franqueza, do enfrentamento direto de problemas. Mas reconheço o peso de estar sempre lutando contra o mundo. Reconheço que meu jeito levou a muitos confrontos não apenas incapazes de produzir soluções reais, como me fez perder muito do que havia de bom nos relacionamentos e no trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E mais: descobri como a busca pela verdade pode ser malvista. Porque quem faz o jogo do contente não gosta daqueles que vivem atrás da verdade. Eles não querem a verdade. Preferem quem faz o mesmo jogo. Dessa forma, não se sentem tão medíocres, ou derrotados. Sentem-se não infelizes, mas apenas iguais aos outros. Sentem-se simplesmente humanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É por isso que a sinceridade nunca entrou na moda. Os integrantes do jogo do contente são a quinta coluna da verdade. Em silêncio procuram desbaratá-la, assim como os “tolos” que insistem em trazê-la à tona. São aqueles chatos incapazes de entender que a derrota é inevitável. E que deveriam viver a vida de um jeito mais leve, em vez de ficar mexendo onde não se deve.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda tenho dificuldade de fazer o jogo do contente, mas sou mais tolerante com ele. Pode ser a idade, ou a visão mais madura dos sonhos de juventude, aqueles que nos fazem acreditar que podemos tudo. Ou pode ser a aceitação também de algumas derrotas. Quem faz o jogo do contente já abandonou os sonhos; tenta fazer parecer melhor aquilo que sabe que nunca irá melhorar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu sempre me recusei a desistir dos sonhos, de tentar uma vida melhor, de acreditar que a vida comporta todas as nossas realizações pessoais. Eu semprer achei que não se deve desistir jamais. Mas o espectro das derrotas sempre está lá, à nossa espreita, como a carpideira à espera do próximo enterro. Atrás dela, estão todos os rendidos que desejam ver também a nossa rendição. E os anjos de asas negras que vivem a nos lembrar como desistir é sempre mais fácil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-35370742806707722?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/35370742806707722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-jogo-do-contente.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/35370742806707722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/35370742806707722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-jogo-do-contente.html' title='O jogo do contente'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjwlX3G1ngI/AAAAAAAAAj4/STeBNxKKdR4/s72-c/palha%C3%A7o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-6388250587306777988</id><published>2009-06-16T17:55:00.000-07:00</published><updated>2009-06-16T18:00:59.738-07:00</updated><title type='text'>O valor dos romances</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjhAP8AZu7I/AAAAAAAAAjg/d-EBBCPj9GQ/s1600-h/Milton.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348095200052493234" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 101px; CURSOR: hand; HEIGHT: 98px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjhAP8AZu7I/AAAAAAAAAjg/d-EBBCPj9GQ/s320/Milton.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Milton Hatoum no Autores e Ideias&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Diante da platéia no auditório envidraçado onde uma vez por mês acontece o Autores e Ideias, entrevista com a participação do público que conduzo da Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim, o romancista Milton Hatoum não perdeu sua fleuma aristocrática. O manauara de 57 anos, com dois prêmios Jabuti na bagagem, é uma estrela do romance brasileiro há já uma década. Nesse período, acostumou-se a platéias, como me contara pouco antes, no café da livraria, em uma conversa preliminar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Autores e Ideias tem a finalidade de dar destaque para quem tem algo importante a dizer no Brasil hoje – e Hatoum é uma dessas pessoas. Notabilizado por seus romances, pouca gente ainda conhece sua vida, o trabalho por trás de sua obra e suas idéias, algumas delas apenas permeadas em seus livros. Como os poemas que ele gosta de disfarçar dentro de sua prosa. “O romancista é um poeta frustrado”, diz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A literatura de Hatoum é colorida pelas memórias de descendente de libanês no universo da antiga Manaus em seus tempos provincianos. A isso, ele agrega um pouco das lendas indígenas, mitologia que empresta um certo toque mágico ao cotidiano, como no mais recente de seus romances, Orfãos do Eldorado, escrito originalmente para uma editora inglesa dentro de uma coleção dedicadas a mitos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os romances de Hatoum parecem monotemáticos, talvez fruto de uma obsessão. Seu desfecho às vezes pode ser previsível e a trama pouco engenhosa ou truncada, como em Cinzas do Norte, em que a fluidez da leitura é interrompida pelas memórias do Tio Ran, um personagem também recorrente em sua obra. Hatoum enfrenta bem a crítica. Acredita que cada leitor vê suas qualidades e defeitos de uma maneira muito particular – o que desagrada a uns, agrada a outros. E tem um trunfo inquestionável. Muito mais que na trama, é na maneira como ele escreve que reside seu magnetismo. “O que mais atrai num romance é a linguagem”, acredita. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hatoum trabalha numa edícula, nos fundos do gabinete de um dentista. O barulho da broca diante de bocas abertas lhe dá a certeza aliviadora de que há gente no mundo em pior situação que a do romancista quando escreve. “Escrever não me faz sofrer”, disse ele. “Dá trabalho, nos leva ao limite, mas é o que eu sempre quis fazer na vida. Eu sofro, isto sim, quando vejo uma criança pedindo dinheiro no sinal de trânsito.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ex-professor de literatura em Manaus, que morou quatro anos na França e chegou a ter a “pretensão” de escrever em francês, Hatoum é um crítico da vida contemporânea, sobretudo das grandes urbes que se transformaram em imensas zonas de pobreza. A começar pela sua cidade natal, hoje bastante diferente da Manaus de sua infância e que agora existe somente na sua literatura. Hatoum alinha-se entre os céticos, desanimado com os rumos da “selvageria” da qual para ele não escapam sequer os países europeus, mas não deixa de fazer o seu papel. “Para mim, o mais importante nos livros são os valores que neles expressamos”, afirma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hatoum ganhou um prêmio Jabuti logo em seu romance de estréia, Relato de Um Certo Oriente, que no entanto vendeu “apenas 3.000 exemplares” – número que, no Brasil, já faz qualquer romance ser considerado um sucesso, embora tal cifra possa ser considerada uma vergonha num país com 200 milhões de habitantes, com mais de 150 milhões de leitores potenciais. Teve melhor resultado com seu segundo romance, Dois Irmãos, que além de premiado caiu no gosto dos professores de literatura nas universidades e nos “círculos de pessoas que gostam de ficção”, combinação à qual ele atribui sua independência financeira como profissional da literatura, com mais de 200.000 livros vendidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Órfãos do Eldorado é um romance curto, “quase uma novela”, que contém todos os elementos de sua prosa – incluindo uma trama que sempre leva a uma teia um tanto inexplicável de amores e relações dramatizadas pela consanguinidade. “A família não é um tema proposital em minha obra, ela está em toda a literatura”, afirma. Hatoum por vezes parece a negação de si mesmo. Afirma que em determinada passagem de determinado romance emocionou-se porque fora inspirada na vida de seu pai. Em outro momento, diz que nenhum de seus personagens tem relação com sua família ou mesmos pessoas reais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É possível que, como muitos escritores, nem ele saiba ao certo de onde vem sua literatura – a motivação em geral está em razões ocultas que nem o exercício psicanalítico da escrita consegue por vezes desvendar. Isso explica também o processo tortuoso de escrever vários livros ao mesmo tempo (“ao menos um deles acaba dando certo”, explica). Hatoum joga fora boa parte do escreve, num esforço de garimpagem, e já atrasou o lançamento de dois livros por mais de dez meses para atender recomendações dos editores, que sempre “melhoraram” o que ele faz. “Sou flexível, aceito sugestões, essa é uma de minhas qualidades”, explica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando jovem, Hatoum morava na mesma pensão do cantor e compositor Arrigo Barnabé – ele vindo do Amazonas, Barnabé do Paraná. Trocavam confidências, dizendo um ao outro o que desejariam ser no futuro: um escritor, o outro músico. Hatoum publicou seu primeiro romance aos 47 anos, prova de como é difícil ingressar no ramo – e de como a maturidade pode fazer bem à literatura. Barnabé teve seus tempos de sucesso junto ao público universitário nos anos 1980, que fizeram dele um autor cult.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ninguém sabe ao certo o que leva à concretização dos nossos sonhos – mesmo quando eles já estão realizados. “Confesso que não sei extamente o que deu tão certo nos meus livros”, diz Hatoum. Ele é mais uma prova de que a literatura não serve como busca pelo sucesso ou por dinheiro, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. É muito mais a realização de uma promessa de fidelidade àquillo que desejamos fazer de nossa vida, desde a juventude. E de que, às vezes, isso também pode ser coroado com algo mais.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-6388250587306777988?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/6388250587306777988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-valor-dos-romances.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6388250587306777988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/6388250587306777988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-valor-dos-romances.html' title='O valor dos romances'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjhAP8AZu7I/AAAAAAAAAjg/d-EBBCPj9GQ/s72-c/Milton.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-3658758482248501086</id><published>2009-06-13T04:35:00.000-07:00</published><updated>2009-06-13T10:34:38.070-07:00</updated><title type='text'>Uma vida que não acaba</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjOUMYjCQfI/AAAAAAAAAjI/4Zmy0l9S33c/s1600-h/fernanda.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346780123087651314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjOUMYjCQfI/AAAAAAAAAjI/4Zmy0l9S33c/s320/fernanda.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fui assistir “Viver sem Tempos Mortos”, monólogo de Fernanda Montenegro, montado sobre textos de Simone de Beauvoir, expoente do existencialismo e ícone da revolução do comportamento dos anos 1960. Um espetáculo forte, graças à interpretação de Fernanda, com os cabelos presos, a roupa presbiteriana e as mãos torturadas que reproduzem muito bem o estilo da célebre filósofa francesa. Com a energia contida e sóbria de sua personagem, sentada numa cadeira negra num cenário negro, Fernanda tira qualquer distração e destaca o poder de suas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda nos faz lembrar as idéias de Simone, cujo conteúdo filosófico não invalida certa beleza poética e uma dureza pragmática. (“O homem não é nada, até fazer de si mesmo alguma coisa”). Por meio de Fernanda, vemos Simone narrar a própria vida, seus amores, seus dilemas e convicções. Há muito sobre seu relacionamento com Sartre, um amor para o qual foi atraída pela inteligência daquele pensador “baixinho e feio”, mas que exercia sobre ela magnetismo irresistível graças “às palavras”, com as quais preparava até mesmo o sexo, e algo para ela essencial: ele a tratava como igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás da vida de Simone, há essa preocupação essenciale obsessiva. Inteligência brilhante, ela assustava os homens e julgava que jamais teria um relacionamento comum para os padrões da época, nos quais a mulher tinha de se submeter à vontade masculina. Adepta do amor livre, mesmo quando desfrutava de outros homens sentia-se à vontade apenas no relacionamento com Sartre, cuja mente era tão privilegiada que podia dispensar a competição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando viviam um casamento “aberto”, ou mais tarde, quando deixaram de ter relações sexuais, eles mantiveram uma cumplicidade rara, que durou pelo tempo de suas vidas, importante a ponto de fazer Simone, na noite da morte de Sartre, dormir com seu cadáver, gangrenado e coberto de escaras. Estiveram, assim, juntos por uma última noite, no leito de morte de Sartre, antes que seu corpo fosse levado por uma multidão ao cemitério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simone se tornou mais conhecida por livros como o “Segundo Sexo”, obras que marcaram o feminismo e o período de emancipação da mulher, assim como pelo seu relacionamento com Sartre. Tal qual ele, que lutou na segunda grande guerra, foi ativista da resistência francesa e tinha uma influência política importante na França e mesmo fora dela, ela era uma intelectual de ação. Sua filosofia se caracterizava por ser mais que o simples pensamento: era uma afirmação de que as idéias só têm importância quando se transformam em prática – aí, têm capacidade de mudar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engajada na vida e na política, num tempo em que as mulheres apenas adquiriam o direito ao voto, Simone dizia que sua a emancipação política do “segundo sexo” não se dava apenas pela participação nas urnas, mas em todas as áreas da vida – no igual direito ao trabalho, à participação nos sindicatos e em todas as formas de vida social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simone fazia da filosofia a sua vida, intelectual de seu tempo, participativa e ao mesmo tempo sensível. Como Sartre, era uma ensaísta lúcida e ousada, mas utilizava também a literatura como meio de expressão para suas idéias filosóficas, o que melhorava ambas as coisas – a filosofia e a ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de Os Mandarins, original pelo estilo – é na verdade um grande diálogo -, Simone deveria ser lembrada por outro romance que, a meu ver, é sua melhor obra. Pérola da ficção existencialista, ao lado de O Estrangeiro, de Camus, e A Idade da Razão, de Sartre, o romance Todos Os Homens São Mortais conta a história de uma moça que conhece, como hóspede no mesmo hotel onde se encontra, um homem imortal. Ali, ele lhe conta sua longa, aventuresca e intrigante história. Sequiosa de vida, a moça pede ao Imortal que ele ao menos se lembre dela para sempre – uma maneira de fazê-la também não morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São tantos os anos e pessoas que com ele cruzaram em sua interminável existência, porém, que nem mesmo a lembrança é possível. Épocas, datas, nomes, tudo vai perdendo importância. Para o Imortal, a vida segue como uma sequência dolorosa de perdas de entes queridos, que ao longo do tempo vai se transformando numa sucessão tediosa de rostos, numa repetição das mesmas coisas. Em vez de um privilégio invejável por qualquer ser humano, a imortalidade se transforma numa verdadeira maldição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simone diz em Todos os Homens São Mortais que a morte dá sentido à vida. Não fosse finita, a vida se perderia. Com seu Imortal, ela ilustra com clareza não apenas a importância da morte, como o fato de que vida e morte são a mesma coisa: dois lados da mesma moeda. Vivemos com a morte, mas com a morte podemos também viver. E ao morrer, ato final, Simone também fez de sua vida e sua obra algo ainda vivo nos dias de hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-3658758482248501086?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/3658758482248501086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/uma-vida-que-nao-acaba.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3658758482248501086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3658758482248501086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/uma-vida-que-nao-acaba.html' title='Uma vida que não acaba'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjOUMYjCQfI/AAAAAAAAAjI/4Zmy0l9S33c/s72-c/fernanda.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-3296544656844778116</id><published>2009-06-13T04:17:00.001-07:00</published><updated>2009-06-13T21:40:30.172-07:00</updated><title type='text'>O que é ser homem</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjR_NiO5-RI/AAAAAAAAAjQ/sgdacJvcuGk/s1600-h/kid.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347038528099973394" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 133px; CURSOR: hand; HEIGHT: 88px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjR_NiO5-RI/AAAAAAAAAjQ/sgdacJvcuGk/s320/kid.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Lições em verso para um adolescente&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tenho um rapazinho de treze anos em casa a quem eu tento dar bons exemplos e alguma educação. É meio inútil, sobretudo hoje em dia, em que tanto o exemplo quanto a educação parecem não ter grande efeito, ou um efeito ainda menor do que quando eu mesmo era adolescente. Mas eu sou teimoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todo adolescente, este aqui anda numa fase meio preguiçosa, deixando para trás os deveres para ficar com a diversão. Tem argumento para tudo, sobretudo questionar decisões de adultos. O que lhe sobre de argúcia falta em responsabilidade, das coisas maiores às mais simples. Sabe a Teoria da Relatividade, mas precisa que lhe mandem entrar no banho (e sair do banho também).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazer qualquer coisa, é preciso repetir, repetir, repetir. Dizem que lá no fundo, nós adultos somos escutados. Não é educação, é inculcação. Tenho ao menos a esperança de que o que digo hoje valha para ele daqui a vinte anos, quando chegar a idade da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É paradoxal a adolescência. Justo no momento em que o adulto começa a se formar, ele se mete a rebelde. Quando mais precisa aprender, menos escuta os pais ou responsáveis. Acha que sabe e pode tudo sozinho. Quanto mais corre perigo – e hoje o mundo parece tão perigoso –, mais quer se arriscar, como uma forma de emancipação, o primeiro gosto da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma fase complicada, que exige dos pais muito equilíbrio. E uma paciência de Jó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso sempre foi assim, mas hoje é mais. Porque, fruto da sociedade contemporânea, que atingiu o ápice do conhecimento e do individualismo, o adolescente hoje tem mais informação, mas tem menos valores; tem mais certezas, e menos sabedoria; mais autoconfiança, e menos respeito; mais interesses, e menos causas; mais objetivos, e menos ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que seja tarde, tenho tentado explicar o que vem a ser um homem, conceito meio perdido nestas circunstâncias, mas que eu procuro resgatar. O que é ser homem, afinal? Não se trata apenas de um ser do sexo masculino, resumido a um detalhe anatômico. Ser homem implica uma noção geral de caráter e comportamento que idealizamos desde crianças, quando queremos crescer e sermos alguma coisa da qual poderemos nos orgulhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer o que é ser homem pode parecer simples, mas é a coisa mais difícil do mundo. Primeiro, porque parte desse código implica que homens de verdade não gostam muito de falar do assunto. Um homem não se pergunta a toda hora o que é ser homem; ele é um homem, e ponto. O que distingue o homem não é a quantidade de cabelos no peito, músculos e testosterona. É uma certa atitude perante a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem lida de um jeito diferente com os problemas e o medo. Tem que ter uma certa coragem desprendida. Uma maneira de rir da dificuldade – e da da facilidade também. Uma maneira de lidar com as mulheres – e de amá-las. Uma maneira de comportar-se. De pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem é uma junção de detalhes, dos quais tento me lembrar. E, quando tento me lembrar, recordo a melhor fonte para isto. Está tudo, ou quase tudo, num velho poema de Rudyard Kipling, o romancista britânico que se tornou mais conhecido como o autor do Livro das Selvas, origem do desenho animado Mowgli, O Menino Lobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois Kipling, um clássico da literatura juvenil, também era poeta – e escreveu em forma de poema a melhor definição do que é ser homem que eu já vi. E a versão para o português feita pelo nosso Guilherme de Almeida, quase uma recriação dos versos originais, na minha opinião ficou ainda melhor que no inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se “If”. Ou, em português, “Se”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“SE”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se és capaz de manter a tua calma quando&lt;br /&gt;todo o mundo ao redor já a perdeu e te culpa;&lt;br /&gt;de crer em ti, quando estão todos duvidando&lt;br /&gt;e para estes, no entanto, achar uma desculpa;&lt;br /&gt;se és capaz de esperar sem te desesperares,&lt;br /&gt;ou, enganado, não mentir ao mentiroso,&lt;br /&gt;ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,&lt;br /&gt;e não parecer bom demais, nem pretensioso;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se és capaz de pensar -- sem que a isso só te atires;&lt;br /&gt;de sonhar -- sem fazer dos sonhos teus senhores;&lt;br /&gt;se, encontrando a derrota e o triunfo, conseguires&lt;br /&gt;tratar da mesma forma a esses impostores;&lt;br /&gt;se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas&lt;br /&gt;em armadilhas as verdades que disseste,&lt;br /&gt;e as coisas por que deste a vida estraçalhadas&lt;br /&gt;e refazê-las com o bem pouco que te reste;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se és capaz de arriscar numa única parada&lt;br /&gt;tudo quanto ganhaste em toda tua vida,&lt;br /&gt;e perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,&lt;br /&gt;resignado, tornar ao ponto de partida;&lt;br /&gt;de forçar coração, nervos, músculos, tudo,&lt;br /&gt;a dar, seja o que for, que neles ainda existe;&lt;br /&gt;e a persistir assim enquanto exaustos, contudo&lt;br /&gt;resta a vontade em ti, que ainda ordena: persiste!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes&lt;br /&gt;e, entre reis, não perder a naturalidade;&lt;br /&gt;E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes;&lt;br /&gt;se a todos podes ser de alguma utilidade;&lt;br /&gt;e se é capaz de dar, segundo por segundo,&lt;br /&gt;ao minuto fatal todo valor e brilho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua é a terra com tudo o que existe no mundo&lt;br /&gt;e -- o que é muito mais --, és um homem, meu filho.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Se você tem um menino em casa, a caminho de ser homem, dê-lhe isto. Não servirá para nada, ao menos por enquanto. Mas se um dia, quando talvez ele tiver seus próprios filhos, e encontrar o velho poema entre seus guardados, junto com uma bola velha de futebol, um boné do seu clube preferido e um videogame cuja carcaça ficou de recordação, ele lembrará do dia em que ganhou isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entenderá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-3296544656844778116?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/3296544656844778116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-que-e-ser-homem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3296544656844778116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/3296544656844778116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-que-e-ser-homem.html' title='O que é ser homem'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjR_NiO5-RI/AAAAAAAAAjQ/sgdacJvcuGk/s72-c/kid.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-7028150509208381449</id><published>2009-06-11T05:54:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T15:14:20.335-07:00</updated><title type='text'>O homem que queria saber tudo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjD-17e_TnI/AAAAAAAAAi4/omGdjZtENKc/s1600-h/getulio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346052960142970482" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 96px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjD-17e_TnI/AAAAAAAAAi4/omGdjZtENKc/s320/getulio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre em uma sala de aula de uma faculdade de jornalismo, pergunte aos estudantes: quem já ouviu falar em Getúlio Bittencourt? E eles ficarão quietos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O jornalista é como a notícia que ele publica: no dia seguinte, é página virada. Mas eu vou dizer alguma coisa sobre Getúlio Bittencourt, que eu conheci há mais de vinte anos, na redação da Gazeta Mercantil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Getúlio pousara na Gazeta como uma estrela do jornalismo. Ganhara ainda mais prestígio com um prêmio Esso que lhe fora conferido por uma entrevista com o presidente João Figueiredo, homem avesso à imprensa, de cujas idéias ele fizera um impressionante retrato, celebrizado pela declaração do general-presidente de que ele preferia aos homens o cheiro dos cavalos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que pouca gente sabe é que Getúlio tinha sido protocolarmente proibido de gravar a conversa. Dono de uma memória prodigiosa, transcrevera a longa entrevista de cabeça. E, das páginas inteiras de jornal que rendera o encontro, nenhuma palavra foi contestada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nascido pária, Getúlio era autodidata. Vivia aprendendo e gastava a maior parte do ganhava com livros, de maneira obsessiva, até perdulária. Baixinho, de voz fina, com cabelinho pixaim, era uma figura que poucos levariam a sério à primeira vista, o que o ajudava a prestar atenção em tudo, principalmente em conversas alheias, sem ser notado. Em circunstâncias que reuniam muitos jornalistas em busca de notícias, estava sempre longe das aglomerações, conversando com uma fonte ao pé do ouvido. Era esse o seu estilo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma atitude definia bem seu jornalismo. Quando um entrevistado lhe perguntava o que ele queria saber, respondia, simplesmente: “tudo”. Era um concorrente difícil, sobretudo para mim, repórter principiante, que na época da Gazeta apenas começava a disputar com ele diariamente o espaço da primeira página do jornal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Getúlio não foi apenas jornalista, mas uma figura ambivalente, que como muitos outros repórteres políticos acabou sendo envolvida pelo mundo do poder. Aproximou-se do ex-presidente José Sarney, graças não apenas à sua inteligência e qualidades profissionais como pelo interesse comum nos mistérios infensos à Razão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cerebral, Getúlio estudava astrologia como um pequeno cientista, o que para ele não era uma contradição. Chegou a escrever um livro, No Azul do Céu Profundo, em que expunha mapas astrológicos de políticos célebres e estabelecia relações entre o zodíaco e a política. A empresa por meio da qual recebia seus rendimentos chamava-se "Júpiter", elemento do sistema solar ao qual associava o sucesso financeiro que ele, gastador compulsivo, jamais alcançou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como a crença muitas vezes é que move a realidade, a astrologia de Getúlio realizou proezas bem concretas. Por suas previsões, transmitidas a Tancredo Neves pelo deputado Thales Ramalho, teria sido modificado o horário de funcionamento do colégio eleitoral que elegeu o primeiro presidente civil do Brasil depois da ditadura militar, em janeiro de 1985.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Levado ao Planalto, Getúlio foi um jornalista que salvou um jornal. Por sua influência astrológico-corporativa no governo, saiu um empréstimo do Banco do Brasil à Gazeta Mercantil, então em dificuldades financeiras, que lhe valeria anos de sobrevivência - e um lugar para Getúlio como correspondente do jornal nos Estados Unidos, onde ficou por uma década, depois de encerrada a gestão Sarney, como se faz com um benfeitor que merece uma boa embaixada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A vida é cruel quando atinge as pessoas onde está seu dom. Tira as mãos de um pianista, como fez com o hoje maestro João Carlos Martins, ou a voz de um locutor, como aconteceu com Osmar Santos. A vida parece feita para testar o ser humano no seu máximo. E deu a Getúlio um tumor no cérebro, que nele não era apenas o escritório, um local de trabalho, como um centro de recolhimento, um mundo próprio, muitas vezes tortuoso e obscuro, onde se pode dizer que funcionava também seu coração.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Faleceu Getúlio Bittencourt, com apenas 57 anos. Uma página do jornalismo brasileiro foi virada. Amanhã, serão outras as notícias do jornal. Mas fica alguma coisa para a história, que registra uma perda importante, sobretudo pela falta de alguém que sabia muito bem contá-la. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-7028150509208381449?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/7028150509208381449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-homem-que-queria-saber-tudo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7028150509208381449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7028150509208381449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/o-homem-que-queria-saber-tudo.html' title='O homem que queria saber tudo'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SjD-17e_TnI/AAAAAAAAAi4/omGdjZtENKc/s72-c/getulio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-2195530740470486970</id><published>2009-06-04T19:42:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T19:53:20.986-07:00</updated><title type='text'>Pensar é perigoso</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiiIk3u6LAI/AAAAAAAAAiY/y3bhU-_vKtw/s1600-h/caracol.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343671124892462082" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 106px; CURSOR: hand; HEIGHT: 131px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiiIk3u6LAI/AAAAAAAAAiY/y3bhU-_vKtw/s320/caracol.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Reflexos na vida cotidiana desse hábito revolucionário&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu levantava algumas dúvidas sobre a vida e questionava nosso relacionamento, minha primeira mulher olhava para mim, com seus olhos cinzentos, e dizia, com uma ponta de desdém: “Você pensa demais”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Levei algum tempo para entender o que ela queria dizer. Só hoje percebo melhor o alcance e as consequências do fato de que minha vida é pensar. Pensar, mas não apenas pensar: pensar para a ação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por pensar demais, deixei para trás uma porção de simplificações – a começar pelas da minha ex-mulher. Hoje entendo que por trás da crítica ao intelectual, interpretado como um mero e inútil criador de caso, havia algo mais. Melhor do que eu, minha ex-mulher intuía algo bem concreto. Pensar é perigoso. No fundo, creio é que ela tinha medo disso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pensar é perigoso porque o indivíduo que pensa se abre a possibilidades. Analisa, compara, estuda mudanças, novos caminhos. E é mais perigoso ainda quando quem pensa levar a sério o resultado do seu pensamento, transformando idéias e sentimentos em atitudes muito práticas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem pensa - e age em função dessa força inquietante - é uma perturbação para quem precisa de segurança, sobretudo aqueles que dependem ou estão ligados a nós de forma permanente, como supostamente deve ser o casamento. Pensar é um hábito revolucionário. É o princípio das revoluções, das políticas às mais pessoais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um romancista é um pensador, um indivíduo sempre nômade, que analisa e explora possibilidades. Na pele de seus personagens, fala coisas diferentes do que diria na vida normal, passa por outras experiências e testa suas consequências num empirismo imaginário.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não se trata apenas de fantasia. A ficção é invenção, mas a emoção colocada nos personagens é real, assim como os problemas da vida que os envolvem. Como um ator que se transforma em assassino, estuprador, vigarista, ou travesti, o romancista vive diversas vidas e procura encontrar o que há dentro dele algo que torne verossímil a sua criação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa experiência pode ser perturbadora, não apenas para quem cria, como para aqueles à sua volta. A maioria das pessoas não quer ver destruído o mundo organizado a duras penas no qual elas se sentem mais seguras, confortáveis e por vezes mais felizes. A idéia de que é melhor não saber para nao ter que mudar é um padrão de muita gente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para os mais conservadores, a sensação é de que nunca se conhece realmente o indivíduo que pensa. Porque quem pensa pode sempre mudar, quebrar regras, subverter os padrões. Não se sabe exatamente em que mundo ele está ou a que tipo de ação suas divagações podem levar. O pensador é uma encarnação de variáveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pensar – isto é, admitir mudanças – não significa que faremos coisas contra o bom senso, que mudaremos mesmo, ou que estaremos em mudança permanente. Mas pensar, em si, é uma forma de trair, pela simples aceitação das alternativas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Existe uma diferença entre pensar e fazer, ou pensar e ser. Não há nada melhor do que pensar e não mudar, o que seria uma escolha mais consciente pela estabilidade, mas a natureza do pensador assusta, assim como onde seu pensamento pode parar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um exemplo. Há pessoas que leram meus romances e já me disseram coisas do tipo: “Como você pôde pensar naquilo, é tão cruel!” Como se alguém capaz de pensar em uma situação onde a crueldade se manifesta de maneira chocante faça parte de quem a criou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Romancistas tiram da realidade a maior parte das coisas que não conhecem, não sentem ou não lhe pertencem, como um empréstimo. Eles não são seus personagens, elementos construídos para fazer sentido em si mesmos. Porém, a partir do momento em que aquilo foi recriado dentro de um livro, passou também a pertencer ao seu criador. E a simples ligação da criatura com seu criador, o fato de um ter saído do outro, já é suficiente para assustar outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mente inquisitiva não pode ser vista apenas como uma ameaça que carregamos ao entes queridos e pessoas próximas. A mudança é também o que nos faz melhorar, criar coisas boas e atrair para as pessoas de que gostamos algo melhor – inclusive de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por trás das boas mudanças do mundo, desde as revoluções libertárias aos grandes engenhos, há uma história do pensamento e de pensadores que utilizaram sua inquietação permanente para fazer o mundo melhor. Isso funciona também no microcosmo onde vivemos. Um pensador procura, antes de tudo, se tornar um ser humano melhor. E isso faz com que todos os que estão à sua volta, de uma forma ou outra, acabem por se beneficiar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem não aceita o pensamento escamoteia o fato de que a vida é mutante. E, na tentativa conservadora ou amedrontada de congelar no tempo, renuncia à vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-2195530740470486970?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/2195530740470486970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/pensar-e-perigoso.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2195530740470486970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2195530740470486970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/pensar-e-perigoso.html' title='Pensar é perigoso'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiiIk3u6LAI/AAAAAAAAAiY/y3bhU-_vKtw/s72-c/caracol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-7353860633510934658</id><published>2009-06-02T18:03:00.000-07:00</published><updated>2009-06-02T18:11:16.039-07:00</updated><title type='text'>Levantados do chão</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiXMbjXS_7I/AAAAAAAAAiQ/RAp1aAJZdas/s1600-h/reco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342901306666450866" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 104px; CURSOR: hand; HEIGHT: 154px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiXMbjXS_7I/AAAAAAAAAiQ/RAp1aAJZdas/s320/reco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Recomeços, de Lina de Albuquerque (Versar/Saraiva, 159 pág.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Muita gente compra livros de auto-ajuda em busca de soluções fáceis para problemas pessoais. Se na era atual tudo é feito para tornar a vida mais fácil, da pizza delivery à lipoaspiração como forma de emagrecer sem exercício ou dieta, por quê não o livro? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ocorre que a vida muitas vezes não é fácil; não há respostas iguais para pessoas diferentes, lições que sempre funcionam, saídas simples e indolores. O que mais ensina é a experiência humana: histórias verdadeiras, que tratam de problemas de todos nós, e se tornam inspiradoras, pois as respostas que ali encontramos são resultado da vida real em toda a sua complexidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É nesse segmento que se insere o recém-lançado Recomeços, coletânea de depoimentos recolhidos pela jornalista Lina de Albuquerque (Versar/Saraiva, 159 pág.). São relatos de 26 pessoas - algumas conhecidas, outras não – que tiveram de recomeçar a vida de certa forma. Na realidade, pode-se dizer que são 27 relatos, já que a própria Lina é um caso confesso, em função de uma tragédia pessoal: perdeu sua família num acidente de carro, no qual morreram seu pai, mãe e único irmão, além de um amigo da família.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há recomeços provocados por tragédias, e outros não tão trágicos, porém importantes. Em todos os casos, o que há em comum é a sensação de que sair do fundo do poço ou levantar a poeira não depende exatamente da gravidade do que aconteceu ou do que está em volta, mas da capacidade individual de reação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma pessoa pode sair de um drama pessoal destruída para sempre, assim como pode usar o que aconteceu como o próprio alimento para levantar-se. Nesse ponto, Recomeços é muito ilustrativo. Mostra de onde vem a energia vital, a fonte do espírito de luta que nos faz ter uma vontade de viver ainda maior, mesmo depois de grandes decepções, derrotas ou catástrofes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As histórias são díspares: há melhores, há piores. Entre as piores, está a da apresentadora de TV e política Soninha Francine, que revela ter sido rejeitada pelas próprias filhas como mãe e afirma tê-las recuperado, porém sem contar de que jeito. Há histórias excelentes, mas já muito conhecidas, como a do pianista João Carlos Martins, que se tornou maestro e recuperou sua vida na música, depois da série de acidentes que, beirando a maldição, lhe tiraram boa parte do movimento das mãos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As melhores histórias de Recomeços estão talvez onde menos se podia esperar. É tocante o depoimento da ex-chacrete Rita Cadillac, que revela no livro sua passagem pela prostituição, a incursão psicologicamente funesta pelo cinema pornô e por fim, já na maturidade, a recuperação da dignidade e do amor-próprio, ainda que temperados com uma dose um tanto dolorida de autoironia – como o desejo de ser sepultada de bruços, para ser reconhecida também na entrada do Paraíso graças à parte da anatomia que lhe deu fama.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há também a história pungente de amor de dona Lily Marinho, que teve um casamento feliz na terceira idade com Roberto Marinho. Secreto apaixonado por Lily, o “doutor Roberto” esperou que ela enviuvasse de um grande amigo décadas a fio para declarar o seu amor. Lily narra as delícias de ter um grande amor, sobretudo numa fase da vida em que para muitos nada disso parece possível. E conta como lida com a perda na sua segunda e inestimável viuvez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Prepare-se para emoções – e para pensar nos seus próprios desafios, fracassos e derrocadas, pois as comparações são inevitáveis. Mas é bom lembrar que, enquanto há vida, existe uma saída para tudo – basta dar o primeiro passo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-7353860633510934658?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/7353860633510934658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/levantados-do-chao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7353860633510934658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7353860633510934658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/levantados-do-chao.html' title='Levantados do chão'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiXMbjXS_7I/AAAAAAAAAiQ/RAp1aAJZdas/s72-c/reco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-2015166393041751914</id><published>2009-06-02T10:36:00.000-07:00</published><updated>2009-06-02T11:19:42.926-07:00</updated><title type='text'>HAL e o Airbus</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiVnZEOPTmI/AAAAAAAAAiI/4EotyC0lAyU/s1600-h/airfrance.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342790213272817250" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 103px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiVnZEOPTmI/AAAAAAAAAiI/4EotyC0lAyU/s320/airfrance.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O perigo que a tecnologia representa para nossa segurança&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabe ainda o que aconteceu com o Airbus A330-200 da Air France, com 228 pessoas a bordo, que desapareceu no meio do Oceano Atlântico, no trajeto do Rio de Janeiro para Paris. Os especialistas ainda tentam entender como um avião moderno, projetado para suportar condições as mais extremas pode simplesmente ter desaparecido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que se sabe é que o avião transmitiu diversos sinais automáticos de que estava enfrentando problemas com seus sistemas elétricos e pressurização da cabine, embora não como mensagens de emergência. Isso leva a uma preocupação bem própria destes nossos tempos. Ainda que o acidente com o Airbus não tenha qualquer relação com uma pane técnica, faz pensar no perigo que a tecnologia representa hoje para nossa segurança.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hans Weber, presidente da Tecop, uma consultoria aeronáutica de San Diego, levantou em entrevista no New York Times um problema gerado pelos aviões informatizados, dos quais o Airbus representa a última geração. Weber já trabalhou na análise de dois casos ocorridos em Airbus da companhia aérea australiana Qantas, no ano passado, que perderam altitude violentamente, embora sem consequências trágicas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Airbus A330 é um avião altamente digitalizado. No lugar do antigo manche, é controlado por um joy stick semelhante aos de videogame. Seu sistema de comando é chamado de "fly-by-wire", isto é, no lugar do antigo sistema mecânico e hidráulico, ele muda a direção e inclinação da aronave por sinais eletrônicos, enviados nos cabos ligados aos motores instalados nas asas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como o controle do Airbus é quase todo automatizado, ele reduz muito a margem de manobra do piloto, que depende inteiramente do sistema eletrônico para operá-lo. E, quando o sistema eletrônico falha, o piloto pode se tornar também um mero um passageiro. Todo mundo que tem um computador em casa sabe que computadores dão pau. O Airbus é um computador que voa. E, nesse caso, o “pau” pode significar o fim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O sistema fly-by-wire não apenas conduz o avião como é programado para agir por conta própria em caso de pane. Em alguns deles, o piloto não pode simplesmente cancelar esse mecanismo de proteção – no caso, por exemplo, do computador estar lendo errado informações em uma situação de emergência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na prática, piloto e passageiros se tornam reféns de um verdadeiro HAL, o computador que no filme 2001, Uma Odisséia no Espaço, passa a controlar a nave e, quando tentam desligá-lo, começa a assassinar seus ocupantes – o clássico de ficção científica de Stanley Kubrick que vai se tornando cada vez menos ficção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Há sinais de que o Airbus já sofreu algumas vezes com o que os especialistas têm chamado de “autoengano”. No acidente com o aparelho da TAM em Congonhas, o manche estava na posição de desaceleração, mas as imagens mostravam a turbina direita acelerando cada vez mais, num episódio que, a meu ver, ainda não foi totalmente esclarecido. Semana passada, outro Airbus da TAM mergulhou durante uma turbulência, ferindo passageiros e tripulantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dois vôos da Qantas analisados pela Tecop, de acordo com o New York Times, os sensores inerciais do avião enviaram informações incorretas aos computadores de vôo, o que fez com que estes tomassem medidas de emergência para corrigir problemas inexistentes. Por conta disso, mergulharam sem nenhuma razão. Fatores climáticos, como uma determinada combinação de correntes de vento durante uma turbulência, podem dar margem ao “autoengano” dos computadores, segundo Weber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil ligar o acidente da Airbus a esses fatores, e talvez nunca se saiba exatamente o que aconteceu, mas os casos anteriores já são motivo suficiente para despertar cuidados. Ainda que esse tipo de investigação possa representar uma ameaça a um projeto de engenharia do qual depende a própria sobrevivência da companhia francesa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acima de tudo, está a segurança. À sensação de vazio sempre deixada pela morte absurda de tanta gente que literalmente parece ter desaparecido no ar e à tristeza das famílias que vai se tornando cada vez mais frequente, sucede-se o medo de todos aqueles que hoje ainda precisam embarcar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-2015166393041751914?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/2015166393041751914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/hal-e-o-airbus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2015166393041751914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2015166393041751914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/06/hal-e-o-airbus.html' title='HAL e o Airbus'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiVnZEOPTmI/AAAAAAAAAiI/4EotyC0lAyU/s72-c/airfrance.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-348551551207240182</id><published>2009-05-30T11:26:00.000-07:00</published><updated>2009-05-30T11:41:44.137-07:00</updated><title type='text'>O futuro do jornal e do livro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiF6pUdQGaI/AAAAAAAAAh4/JaTrJdNikMo/s1600-h/peixe.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341685483322743202" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 115px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiF6pUdQGaI/AAAAAAAAAh4/JaTrJdNikMo/s320/peixe.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O que muda - e o que vai melhorar&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os catastrofistas gostam de achar que a decadência dos jornais pelo mundo será o fim da imprensa. Assim como muitos apontam que a era digital nunca substituirá o livro. Em geral, os catastrofistas acertam apenas quanto a si mesmos. É preciso pensar o que a era digital pode trazer de bom para a imprensa e o livro. Ela pode.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Daqui a alguns anos, o jornal em papel certamente será lembrado como um anacronismo igual ao que é hoje a velha máquina de escrever. O custo de esperar a árvore crescer para fazer o papel, industrializá-lo, imprimi-lo e distribui-lo é incomparavelmente maior que o do meio eletrônico. É a única razão pela qual o jornal desaparecerá e isso não está longe, já que a internet tem agora um alcance suficiente para cobrir os leitores que antes só tinham acesso à imprensa da maneira convencional, em bancas ou assinaturas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Quando quebraram as mãos do jornalista Antonio Maria por conta do que escrevia, ele disse: “Tolos, pensam que a gente escreve com as mãos”. O mesmo se pode dizer da imprensa. São tolos os que pensam que a imprensa se faz com o papel. Não importa o meio onde ela se propaga, mas os seus princípios: informação com credibilidade, facilidade de acesso, defesa da liberdade de expressão e de opinião. A internet traz também vantagens nessa área. Permite atualização constante e consulta permanente ao que já foi publicado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se os veículos de imprensa hoje estão em dificuldades, é porque estão em sua fase de transição – enquanto entram na era digital, ainda têm de carregar o velho negócio em papel. Em vez de investir no novo, precisam empregar esforços em sustentar o decadente. É difícil a decisão de simplesmente acabar com o jornal impresso e ficar só na internet. A sensação é de diluição no mar virtual. Porém, quem tem um serviço de qualidade, e uma marca de prestígio, tem mais chances de consolidação no mercado de informação virtual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mesmo deve acontecer com o livro. Já tive a oportunidade de manusear o Kindle, o livro eletrônico da Amazon, o mais conhecido do gênero. Ele ainda é caro (cerca de 700 dólares nos Estados Unidos), ainda não há uma plataforma para produzi-lo com obras em português, e não sabemos se as pessoas comprarão um aparelho exclusivamente para ler livros ou jornais. Ele tem, porém, uma série de vantagens incomparáveis sobre o livro convencional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para começar, ao contrário do que dizem os preconceituosos, ele é mais amigável . Como um palmtop um pouco maior, pode ser segurado com uma única mão, ao contrário do livro, que a gente tem de abrir – e por vezes administrar as duas partes, que tendem a fechar-se novamente. É possível fazer marcações no texto. E, sobretudo, ali cabe uma biblioteca inteira. Assim, você pode ir para a praia levando não apenas o livro da vez, como toda sua biblioteca. E ler ainda o jornal do dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim como no caso dos jornais, o livro eletrônico elimina enormes custos de produção e armazenagem de volumes impressos. Mesmo o custo do aparelho é relativo: basta pensar que sai muito mais barato do que comprar uma biblioteca de 3.000 livros, sua capacidade de instalação. Com a erradicação dos custos de papel, impressão e estocagem, o livro novo pode ser barateado, e muito. Isso com certeza difundirá a leitura ainda mais, já que o principal impedimento da expansão do mercado, sobretudo no Brasil, é o preço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Claro, há dúvidas. Uma ameaça é a pirataria. Se as editoras e autores forem atropelados pelos piratas, com a distribuição gratuita das obras, não haverá muito mais gente disposta a escrever, produzir e divulgar livros. Os direitos autorais não podem ser reduzidos, mesmo em face da queda no preço unitário do livro, sob a mesma pena de eliminar o seu produtor. Isso já tem acontecido na música com a troca do CD pelo Ipod.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pode ser que a literatura, assim como a música, deixem de ser atividades profissionais, para se tornarem novamente produto do diletantismo de pessoas que fazem outras coisas na vida e escrevem, compõem ou tocam como uma atividade secundária, por prazer ou necessidade pessoal. Se isso acontecer, teríamos um grande retrocesso. Cabe aos cérebros digitais estudar como evitar melhor a pirataria e o desmanche de uma indústria fundamental para a educação e o entretenimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não importa o veículo onde se coloque a imprensa e a arte; ambas são uma necessidade da sociedade e do indivíduo; por isso, sempre existirão. A profissionalização de ambas é que garante sua qualidade e por isso deve ser respeitada e incentivada, em vez de destruída. A boa imprensa e o bom livro são indispensáveis e parte da vida contemporânea, contraponto do barbarismo das civilizações antigas que perseguiam iconoclastas e queimavam livros para manter o povo na obscuridade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A era digital tem, acima de tudo, essa virtude: o acesso a tudo, por qualquer um, em qualquer tempo. É um enorme passo para um futuro melhor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-348551551207240182?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/348551551207240182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/o-futuro-do-jornal-e-do-livro_30.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/348551551207240182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/348551551207240182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/o-futuro-do-jornal-e-do-livro_30.html' title='O futuro do jornal e do livro'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/SiF6pUdQGaI/AAAAAAAAAh4/JaTrJdNikMo/s72-c/peixe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-2117510961043459462</id><published>2009-05-30T11:06:00.000-07:00</published><updated>2009-05-30T11:25:26.854-07:00</updated><title type='text'>Casa de escritor</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-43f0b28135777946" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" 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href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/2117510961043459462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/casa-de-escritor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2117510961043459462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2117510961043459462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/casa-de-escritor.html' title='Casa de escritor'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1515018800617384927</id><published>2009-05-28T18:29:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T03:21:03.679-07:00</updated><title type='text'>As palavras e o amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh86ysda0CI/AAAAAAAAAfY/fcH7158iOV8/s1600-h/escada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341052325687119906" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 98px; CURSOR: hand; HEIGHT: 91px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh86ysda0CI/AAAAAAAAAfY/fcH7158iOV8/s320/escada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por que casais não conseguem falar sobre o relacionamento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os muitos e-mails que recebo comentando o que aqui vai publicado chegam, um pouco para meu espanto, muitos agradecimentos de mulheres. Elas dizem que aqui, assim como em meus romances, aprendem mais sobre como os homens pensam e sentem. E que isso as ajuda em sua vida pessoal.&lt;img class="gl_italic" alt="Itálico" src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último desses contatos foi de uma moça que elogiava o texto confessional que escrevi sobre minha visita com o pequeno André a um estádio de futebol e a relação de amor entre os homens tendo o esporte como intermediário. Segundo ela, o que escrevi a teria feito entender afinal a maneira como seu pai procurava relacionar-se com ela. E diz que isso colaborou para entendê-lo melhor – e entender-se com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vêm somente daí os sinais de que os homens permanecem um mistério para as mulheres. Outro dia, durante o Autores e Idéias, debate que promovo uma vez por mês no auditório da Livraria de Vila no Shopping Cidade Jardim, a jornalista Marília Gabriela queixou-se perante a platéia lotada de que sempre gostou de conversar sobre o relacionamento – e os homens, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Homens não gostam de falar sobre o que estão sentindo, enquanto eu falo até demais”, disse ela. Com um sorriso, acrescentou que tivera um marido que pelo menos “sabia lidar” com ela. Desviava de suas tentativas de botar a vida em pratos limpos com alguma frase com aquele velho sentido: “...Lá vem você de novo criando caso à toa...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marília é uma pensadora, uma mulher inquisitiva e inquieta – o que provavelmente colaborou para que se tornasse a melhor entrevistadora de TV do país. Diante da platéia, ela perguntou o que eu achava. “Não posso achar que os homens não gostam de falar sobre relacionamentos”, respondi. “Como romancista, é só o que eu faço.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de que homens não gostam de falar sobre a vida amorosa é equivocada, mas vastamente difundida. Falar de amor não é peculiaridade feminina. É verdade que homens muitas vezes manifestam seu afeto de uma forma não verbal, especialmente com outros homens, como é o caso da camaradagem do futebol. Isso não significa, porém, que evitem o assunto por princípio – principalmente com suas próprias mulheres. E elas também demonstram afeto de maneiras não verbais, à sua maneira: quando preparam uma comida especial, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que homens não falam sobre questões afetivas é o mesmo que acusá-los de não ter coração – não se preocupar nem se ocupar do amor como deveriam. Homens, porém, amam tanto quanto as mulheres. E podem falar sobre a vida afetiva com a mesma vontade ou desembaraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há qualquer razão para se acreditar que homens protegem seus sentimentos como algo secreto. Basta dizer que, se fizermos um recenseamento entre os romancistas, verificaremos que não há um número menor de homens que de mulheres a contar histórias cuja base é afetiva e emocional. E o fazem da maneira mais pública e aberta possível – eu diria, até, bastante corajosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diálogo honesto sobre a vida emocional é uma condição essencial para os relacionamentos, sobretudo os de longo prazo. Viver a dois é difícil e exige atenção permanente. E o bloqueio do parceiro em falar sobre problemas afetivos, seja de qual sexo for, é em geral consequência, e não causa das dificuldades de relacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na maioria dos relacionamentos duradouros, o grande desafio é fazer com que a rotina e as dificuldades do dia a dia não desgastem o amor. Quando amamos, o outro sempre está em primeiro lugar. Damos o melhor de nós, e isso implica muitas vezes em ceder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do tempo, porém, o cansaço vai trazendo o que há de pior em nós. A antiga flexibilidade vai desaparecendo. As pessoas vão se lembrando mais de suas necessiddes, principalmente as não atendidas. Passamos a querer mais atenção para nós do que estamos dispostos a dar. Isso se confunde com o esvaziamento do amor. Sentimos falta da antiga liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando isso acontece, o indivíduo se fecha para o diálogo. Não aceita fazer mais do que recebe. Quando lhe fazem uma solicitação, pensa no que estão lhe devendo. Deixa de querer escutar. O que frustra os ralacionamentos não é quando deixamos de falar, mas este momento, quando deixamos de ouvir, de levar em consideração as necessidades do outro, colocando as nossas de novo em primeiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse cenário, o diálogo perde o sentido: não adianta falar, se sabemos que não seremos ouvidos, que não adianta, que nossos sentimentos não estão sendo considerados ou respeitados, que nada vai mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que se queixam de que o parceiro não conversa deveriam, em primeiro lugar, pensar no que estão deixando de escutar. Poderiam primeiro se interessar em ouvir, a melhor forma de se ir ao encontro de alguém que mereceu o nosso amor. Apenas falar não é provocar o diálogo, mas impôr e aumentar a distância. Ouvir é o primeiro caminho para sermos ouvidos – e assegurar uma felicidade mais duradoura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1515018800617384927?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1515018800617384927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/as-palavras-e-o-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1515018800617384927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1515018800617384927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/as-palavras-e-o-amor.html' title='As palavras e o amor'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh86ysda0CI/AAAAAAAAAfY/fcH7158iOV8/s72-c/escada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-7460471324971372599</id><published>2009-05-28T18:28:00.000-07:00</published><updated>2009-05-30T04:42:09.609-07:00</updated><title type='text'>Lição para o futuro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh86c2OokkI/AAAAAAAAAfQ/_EE9CizQJCc/s1600-h/gazeta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341051950352339522" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 143px; CURSOR: hand; HEIGHT: 115px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh86c2OokkI/AAAAAAAAAfQ/_EE9CizQJCc/s320/gazeta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O fim de um jornal melhor que os seus donos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A imprensa anda de luto pela Gazeta Mercantil, o jornal que estertorou nas mãos da CBM, Companhia Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure. Seu fim não se dá pela crise da imprensa, que vai abalando grandes jornais do mundo, a começar pelo New York Times, nos Estados Unidos, com a prevalência crescente da internet sobre a mídia impressa. É apenas um caso de má administração e incompreensão da natureza de um negócio. Com a Gazeta, vai se encerrando parte da história do jornalismo brasileiro, mas ela ainda nos dá uma lição, sua última contribuição para o futuro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Comecei a trabalhar na Gazeta em 1986, recém-saído da faculdade, depois de rápido estágio na TV Bandeirantes. Instalada num edifício da rua Major Quedinho, a Gazeta era um jornal venerável, considerado leitura obrigatória no mundo profissional. Sua circulação era menor que a da Folha de S. Paulo e de O Estado de S. Paulo, porém seu público era mais qualificado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Possuía também um braço na TV, o programa Crítica e Autocrítica, capitaneado pelo seu diretor editorial, Roberto Muller, que ia ao ar no domingo à noite. Era uma alternativa para o público que queria ver uma conversa mais séria, ainda que às vezes meio sonolenta, em lugar das mesas redondas de futebol.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na redação do jornal, havia uma constelação de estrelas do jornalismo, a começar pelo seu diretor, Matias Molina, o secretário de redação, Alexandre Gambirasio, e um time de repórteres tratados como primas-donas: Celso Pinto, José Casado, Getúlio Bittencourt, entre outros - todos premiados e com vasta folha de serviços prestados ao jornalismo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Gazeta era não apenas um grande jornal de negócios, como uma escola de jornalismo. Isso incluía princípios como a imparcialidade e a honestidade absolutas; a obsessão pela informação correta, segundo elemento essencial para a credibilidade; a busca incansável pela notícia exclusiva, que fazia a diferença.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A disputa aberta e estimulada entre os repórteres pelo espaço da primeira página era uma forma de garantir a perseguição permanente pela qualidade, num mercado em que ainda não havia concorrentes importantes. A Gazeta valorizava o jornalista, que assinava todas as suas reportagens e era tratado como patrimônio da casa, a própria essência do negócio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parecia uma fortaleza inexpugnável, e teria sido, não fossem os seus proprietários: a familia Levy, cujo patrono, o deputado federal Herbert Levy, deixara a administração do jornal ao filho Luiz Fernando para cuidar de suas atividades políticas. A gestão fez da Gazeta Mercantil o único órgão de imprensa em que trabalhei a atrasar salário. Porto seguro para a publicidade de bancos e outras empresas que tinham no jornal um veículo perfeito, o uso dos recursos fazia com que volta e meia a empresa entrasse em dificuldades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por sorte, naquela época, havia um grupo de empresários que, nos momentos mais difíceis, socorriam o jornal. Sabiam que ele era melhor que os seus donos. Agiam não por amizade, compromisso, ou mesmo medo, mas pelo entendimento de que o serviço prestado pela Gazeta era importante e insubstituível para a comunidade de negócios e o país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assim, o jornal prosseguiu não por causa de seus criadores, mas apesar deles; pertencia não a uma família, mas à sociedade. Sempre foi respeitado muito graças ao espírito de corpo dos jornalistas que nele trabalhavam, enquanto seus proprietários eram tratados com reserva.&lt;br /&gt;Lembro de certa tarde em que eu, ainda um repórter principiante, fui fazer uma entrevista com o então diretor do Banco Central, Wadico Bucchi, em São Paulo. Encontrei Luiz Fernando Levy já na ante-sala, à espera de uma audiência. Levy continuou esperando, enquanto eu entrei na sua frente, atendido primeiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para Bucchi, o repórter principiante merecia preferência em relação ao dono do próprio jornal onde trabalhava. Ele sabia que eu estava ali em busca de notícia, fazendo meu serviço para uma publicação de prestígio. Levy estava lá para pedir alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando o mercado se torna mais difícil, uma má gestão fica mais evidente e faz a diferença, sempre para pior. Surgiu o Valor Econômico, um concorrente que tomou da Gazeta boa parte de seu principal ativo: os jornalistas. A empresa mergulhou em dívidas e mesmo os seus mais antigos defensores desistiram de salvá-la. Acossado pelos credores, Levy entregou o título a Nelson Tanure, empresário do ramo de transportes, que resolveu investir em comunicação e cobriu-lhe dívidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tanure não tem a mesma familiaridade com as qualidades que fizeram da Gazeta um grande veículo e poderiam recuperá-la. E anunciou que fecharia o jornal por conta da cobrança na Justiça de dívidas trabalhistas anteriores à sua gestão e que, segundo explicou no próprio jornal, não lhe dizem respeito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há hoje uma onda de empresários que arriscam tornar-se editores sem compreender a dependência desse negócio de sua matéria-prima essencial – gente. A Gazeta teve seus quadros reduzidos, os salários aviltados. A qualidade do jornal era até miraculosa, dadas as condições de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que assusta hoje na imprensa não é a mudança da mídia impressa para a digital. A verdadeira ameaça ao negócio é a entrada de gente com dinheiro e ousadia, mas sem conhecimento do riscado – sobretudo, da importância da separação entre Igreja e Estado. Para mercadores vindos de outras áreas, é difícil aceitar que não se barganha conteúdo jornalístico por dinheiro, e que a credibilidade, que exige o sacrifício do ganho fácil, é a fonte do sucesso duradouro nesse tipo de negócio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Gazeta virará agora uma embrulhada jurídica para que se saiba quem pagará as contas, se Levy ou se Tanure – um tipo de disputa à qual ambos, por sinal, estão habituados. Esse, porém, não é o verdadeiro fim da história. Jornal que sempre analisou em suas reportagens as causas do sucesso e do fracasso empresarial, a Gazeta fez de sua própria trajetória uma parábola do assunto que explorava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em sua agonia, a Gazeta deixa como ensinamento o que é capaz de levantar e também derrubar um negócio de comunicação, não importa qual seja sua plataforma – o papel, a TV ou o mundo virtual. E, nesses tempos tão cheios de dúvidas sobre o futuro do negócio da informação, reafirma a convicção de que, enquanto os bons princípios do jornalismo forem praticados, sempre haverá uma imprensa livre e economicamente forte para proteger a sua e a nossa liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-7460471324971372599?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/7460471324971372599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/licao-para-o-futuro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7460471324971372599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7460471324971372599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/licao-para-o-futuro.html' title='Lição para o futuro'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh86c2OokkI/AAAAAAAAAfQ/_EE9CizQJCc/s72-c/gazeta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-2147859092014579353</id><published>2009-05-28T18:26:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T18:27:45.628-07:00</updated><title type='text'>Vastas emoções</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh858hrq5-I/AAAAAAAAAfI/xOrh-VPjiOU/s1600-h/jivago.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341051395081168866" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 92px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh858hrq5-I/AAAAAAAAAfI/xOrh-VPjiOU/s320/jivago.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Doutor Jivago lembra do que são feitos os grandes romances&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Revi na TV, domingo passado, o grande Doutor Jivago, clássico de Pasternak, tão belamente transposto para o cinema - a história de amor impossível protagonizada por um médico e poeta tragado pela revolução bolchevique na Rússia. Para mim, a mais bela cena do filme é a noite que ele e Lara passam em uma velha dacha, nos campos cobertos de neve da estepe russa, feita de amor pleno, sem saber que em breve serão separados para sempre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No meio da madrugada, ele se levanta, acordado pelo uivo dos lobos; sai na noite gelada e espanta os animais, breve metáfora de alguém que decide esquecer o medo e as ameaças. A luz de uma vela tremula quando ele entra em casa e senta-se à mesma mesa onde aprendeu a escrever na infância. Atravessa a noite escrevendo poemas num país que condenou a poesia em nome de uma ideologia onde não se permite mais a individualidade. Sim, na Rússia revolucionária, a poesia era perseguida como a feitiçaria pela Inquisição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pela manhã, ao acordar, Lara encontra sobre a mesa aqueles papéis. Ela os lê e diz que o retrato pintado por ele é melhor do que ela; ele reafirma o que escreveu, lendo o nome de Lara, que é também o título do poema; é como ele a vê. Naquele mesmo dia eles voltarão a se separar, ameaçados pela chegada de revolucionários, e Lara levará no ventre um bebê em gestação; deixa para trás o amor de sua vida, salva por outro homem, aquele a quem mais odeia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eles desaparecem para sempre, mas seu amor tumultuado, entrecortado, proibido e pecador sobrevive nos poemas que, apesar da perseguição, resistem graças à paixão do povo russo pelo verso. A poesia sobrevive ao comunismo, assim como a religião. Está também na balalaica levada às costas pela moça que jamais conheceu os pais, herança que somente o tio compreende plenamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isto, mais aquela música que quase leva a gente a chorar, ainda faz de doutor Jivago um grande romance em todos os sentidos; vi o filme e pensei que sempre quis escrever grandes histórias, romances que trouxessem estas vastas emoções, abarcassem a vida, atravessassem ao mesmo tempo o Tudo e o Nada. Doutor Jivago é algo assim, não uma reprodução da vida, mas o mais próximo que se pode chegar disso, e da forma mais sublime.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-2147859092014579353?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/2147859092014579353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/vastas-emocoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2147859092014579353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/2147859092014579353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/vastas-emocoes.html' title='Vastas emoções'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh858hrq5-I/AAAAAAAAAfI/xOrh-VPjiOU/s72-c/jivago.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-7224600597386243703</id><published>2009-05-28T18:03:00.001-07:00</published><updated>2009-05-28T19:19:29.523-07:00</updated><title type='text'>A força da poesia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh9FdB5pe0I/AAAAAAAAAgI/JbpC_yyQK5s/s1600-h/mae.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341064048113449794" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 82px; CURSOR: hand; HEIGHT: 108px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh9FdB5pe0I/AAAAAAAAAgI/JbpC_yyQK5s/s320/mae.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Poucas palavras para grandes sentimentos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouca gente compra ou lê poesia. Esta é, para mim, a mais sublime das artes. Não é minha especialidade, mas eu a uso para extravasar sentimentos que pedem uma ação rápida. Por natureza, a poesia é extrema. Sua virtude está em colocar em poucas palavras grandes sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver Doutor Jivago me deu de repente vontade de escrever poesia. Mas ando vazio. Com a morte de minha mãe, escrevi o último de meus poemas ano passado, justamente sobre ela. Divido-o aqui com vocês. E acrescento dois poeminhas anteriores, que mostram bem a relação entre a poesia e o estado de espírito de quem os escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amor que fica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é tão sem tempo&lt;br /&gt;Que começa quando acaba&lt;br /&gt;Assim ao menos que parece&lt;br /&gt;Na parede da memória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é tão sem tempo&lt;br /&gt;Que constrói quando desaba&lt;br /&gt;A gente nunca esquece&lt;br /&gt;Uma saudade com história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permanente é o amor&lt;br /&gt;Que é fruto da estação&lt;br /&gt;Na primavera ele é flor&lt;br /&gt;E tempestade de verão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ama, tudo quer&lt;br /&gt;Amor de mãe e protetora&lt;br /&gt;Amor de filha e mulher&lt;br /&gt;Amor de amiga e professora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse amor que enche a gente&lt;br /&gt;Não tem dia nem tem hora&lt;br /&gt;O que termina está presente&lt;br /&gt;Faz da gente o que é agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos erros neste mundo&lt;br /&gt;Ainda há por reparar&lt;br /&gt;Se eu tivesse um segundo&lt;br /&gt;Eu fazia o amor ficar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse o poder&lt;br /&gt;De criar vida, fazer luz&lt;br /&gt;Se pudesse mesmo ser&lt;br /&gt;O Deus que nos conduz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia mais gente assim&lt;br /&gt;De sonho e pé de feijão&lt;br /&gt;E deixaria o amor pra mim&lt;br /&gt;Pra salvar meu coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quero&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero um pouco de muito amor&lt;br /&gt;De uns arroubos de voar&lt;br /&gt;De palavras furta-cor&lt;br /&gt;De acertar de tanto errar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de muito e tudo&lt;br /&gt;De tudo e muito um pouco&lt;br /&gt;De silêncios de surdo-mudo&lt;br /&gt;De gritar de ficar rouco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de prazer sem medo&lt;br /&gt;De andar sem objetivos&lt;br /&gt;De achar que ainda é cedo&lt;br /&gt;Sem planos falsos ou esquivos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco do eu antigo&lt;br /&gt;Que não olhava o futuro&lt;br /&gt;Da vida mais amigo&lt;br /&gt;E um pouco menos duro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Futuro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso ao velho berço&lt;br /&gt;O lugar onde nasci&lt;br /&gt;O passado está aqui&lt;br /&gt;Só não o reconheço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia voltei os ombros&lt;br /&gt;Ao que passei, vivi, senti&lt;br /&gt;Havia alegria quando parti&lt;br /&gt;Hoje existem só escombros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estará o futuro&lt;br /&gt;Dos homens mais funestos?&lt;br /&gt;Em lugar incerto e escuro&lt;br /&gt;E é feito desses restos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-7224600597386243703?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/7224600597386243703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/forca-da-poesia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7224600597386243703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/7224600597386243703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/forca-da-poesia.html' title='A força da poesia'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TZQ3Gkadfw/Sh9FdB5pe0I/AAAAAAAAAgI/JbpC_yyQK5s/s72-c/mae.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-952815423628636659.post-1519511662951595254</id><published>2009-05-28T17:56:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T17:58:01.682-07:00</updated><title type='text'>Novo endereço</title><content type='html'>&lt;em&gt;Um blog que permite também a sua participação&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de hoje, passo a escrever neste endereço. O velho site não está aposentado, mas ficou arcaico; os blogs se tornaram mais interativos e simples de editar. O aumento da audiência vinha causando congestionamento da caixa postal. Há muita coisa interessante que me escrevem e à qual os outros leitores não têm acesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo o que você já se acostumou a ver no www.thalesguaracy.com.br, no blog você encontrará uma série de facilidades. A melhor delas é a possibilidade de deixar suas idéias e comentários em todas as postagens. Os textos virão com mais ilustrações. E há um acesso muito mais fácil aos outros blogs que mantenho: “Caixa de Amor e Matar Saudade”, “Autores e Idéias” e “Menino de Apartamento”. Pelo blog, qualquer um pode se inscrever, acompanhar as atualizações e convidar amigos a também fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta página surgiu para atender aos leitores dos meus livros, que poderiam eventualmente querer saber mais sobre as obras e como foram escritas. Depois, resolvi escrever também sobre livros de outros autores, para suprir como podia a pouca cobertura que a grande imprensa dá a bons livros e lançamentos. E acrescentei pontos de vista sobre muitos assuntos relacionados à literatura, ao mundo das idéias e dos sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo aqui sempre com muito prazer. Ainda que tivesse um único leitor – talvez, até nenhum – continuaria escrevendo com a mesma satisfação. No entanto, é muito bom saber que, se existe a audiência, é porque há o interesse e a utilidade. Espero por meio do blog literalmente corresponder, atendendo a mais solicitações e conversando de maneira mais assídua com todos que têm compartilhado comigo estes momentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/952815423628636659-1519511662951595254?l=thalesguaracy.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/feeds/1519511662951595254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/novo-endereco.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1519511662951595254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/952815423628636659/posts/default/1519511662951595254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://thalesguaracy.blogspot.com/2009/05/novo-endereco.html' title='Novo endereço'/><author><name>Thales Guaracy</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12502425684150323220</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
