domingo, 24 de julho de 2016

A Grande Depressão e o futuro do Brasil

Reportagem de hoje da Folha de S. Paulo mostra Dilma Rousseff no Alvorada, na sua rotina de andar de bicicleta, ver filmes no Netflix e, de quando em vez, conversar com seu advogado. Seu plano se resume a enviar um discurso ao Senado na véspera da votação final do impeachment para "defender sua biografia".  Mas não tem esperança de recuperar o cargo.
Foto: Orlando Brito

Dilma na prática continua atrasando o país. Depois de fazer a economia brasileira mergulhar no caos, e assistir seu governo virar um verdadeiro pantagruel da corrupção, dá sua última contribuição para a Grande Depressão que construiu como sua obra prima: faz todo mundo esperar até o último minuto pelo começo de soluções para os enormes problemas que temos. E por vaidade. Fernando Collor, que na posição dela já tinha renunciado, teve mais decência.

O presidente interino Michel Temer nada faz até que Dilma saia. Como político daquele estilo do qual estamos cansados, aguarda sem desagradar ninguém, para não perder votos. Quer ver Dilma fora para agir. Para não pagar seu preço pessoal, deixa que o Brasil continue pagando o preço coletivo. Reforma previdenciária, saneamento das contas públicas, medidas de reativação da economia e do emprego irão esperar a política pequena. Assim é o Brasil.

A Grande Depressão está aí. Os negócios estão paralisados. No último levantamento, os desempregados eram 11 milhões. As contas públicas são a origem e o retrato do desastre, com um déficit orçamentário maior que a o PIB da maioria dos países do mundo. O real sofreu uma desvalorização brutal. O Brasil passou a valer uma banana. A mendicância na rua se tornou alarmante. O centro de São Paulo, por exemplo, parece um cenário de guerra. E a falta de perspectivas lança uma sombra sinistra sobre esse cenário tumular.

Aí fica claro qual o nosso maior problema: falta grandeza ao político brasileiro. Até mesmo para renunciar. Falta vergonha. Falta honestidade. Falta iniciativa. Falta espírito público. Falta uma conduta construtiva. Falta patriotismo. Falta moral.

O Brasil é governado ainda hoje por gente do mesmo tipo que veio a este país no tempo das caravelas: saqueadores interessados apenas no butim. Teve espasmos de civilidade, de crescimento, de formação nacional, mas são ciclos temporários, porque a índole da nossa elite, incrustrada desde os primórdios, nos joga de novo na valeta da exploração barata e do desgoverno. O povo brasileiro se ilude com alguns períodos de melhoria e não trata de construir algo sólido para evitar novamente a instabilidade. Mas a história mostra como ela é certa. E dura.

Quando vemos Lula à frente nas pesquisas de intenção sobre a próxima eleição, é de se perguntar realmente se este país tem saída. Porque a falta de perspectivas, geradora dos líderes e dos movimentos messiânicos, que trazem os desastres ainda maiores, são o sinal do fracasso daqueles que procuram construir o progresso de forma concreta. O Brasil ainda é o atraso e será Terceiro Mundo por muito tempo. Talvez para sempre.

Um comentário:

  1. Thales, porque a revista vip que tem belas mulheres que não posaram nuas para a Playboy , tem que continuar?

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