segunda-feira, 20 de junho de 2011

O menino e o Homem Aranha


Como muitos meninos de quatro anos, meu filho adora super heróis - essas figuras mitológicas nas quais nos espelhamos, mesmo não podendo copiar seus poderes sobre-humanos. Ou por causa disso mesmo.

Sábado, eu e meu filho fomos a uma festa, aniversario de uma coleguinha de escola, a Isabella. Lá, para animar a tarde no bufê, estavam Cinderela, Princesa do Mar, Branca de Neve, o ratinho Bernardo, a Mulher Gato. Claro, porém, que ele ficou fascinado pelo Homem Aranha.

No início, nem quis chegar perto - parecia morrer de medo. Estimulado por mim, Homem Aranha lhe estendeu a mão, de longe; meu filho tocou-lhe a ponta do dedo e puxou um pouquinho a luva, como que para se certificar da sua realidade.

Ah... Não precisou muito mais. Ficaram amigos velhos. Meu filho levava o Homem Aranha para cima e para baixo. Fez o super herói acompanhá-lo no videogame. Fez o Homem Aranha subir no labirinto suspenso e descer de bunda no tobogã. Rodopiaram juntos na xícara maluca. Homem Aranha lhe serviu suco. Por fim, era um herói dedicado e obediente como uma criança bem comportada. Vamos para lá, dizia André, já na liderança. Homem Aranha fazia estrelas, alongamentos e dava cambalhotas e o seguia como um cachorrinho. Em pouco tempo, claro, estava acabado - uma hora com meu filho faz o Homem Aranha ter saudades do Duende Verde. Pediu permissão a meu filho para dar uma descansada. "Preciso sair para uma missão, mas eu volto, ok?"

Ao chegar em casa, André contou para a mãe sobre seu novo amigo. E lhe disse, em tom confidencial:

- Mas você sabe de uma coisa? Eu sei que ele não era o Homem Aranha de verdade...

- E como você pode ter certeza? - perguntou ela.

- Porque eu vi... O zíper dele.

Meu filho é assim, de uma profunda humanidade. Mantém seu amor pelos ídolos, por um lado puro como o amor de criança, mas de outro é um pequeno sábio, a ponto de ser condescendente com adultos, disfarçando o fato de saber que eles, de certa forma, não passam de uma farsa.

Domingo, tive de comprar um boneco novo do Homem Aranha para ele. Levou-o para a escola, ainda inseparáveis. O Homem Aranha foi muito importante para ele, por lhe dar tanta atenção. O curioso, porém, é que tenho certeza de que o Peter Parker que havia embaixo da máscara também ficou feliz e agradecido por ter ali um garoto que acreditava nele, gostava dele e queria levá-lo a toda parte. Aconteceu algo especial, ali. Não esquecerá do menino tão cedo.

André tem esse carisma: fazemos tudo por ele, mas descobrimos que aquela felicidade volta para nós de tal forma, que nós é que o agradecemos no final, por tê-lo junto de nós. Com seu carinho, sua energia e sua alegria radiante, ele nos faz sentir importantes. Mesmo, ou principalmente, os adultos de araque.

Tenho certeza de que isso é da sua personalidade e o acompanhará pela vida inteira. Certamente muita gente se esforçará por fazê-lo feliz, porque não há nada melhor no mundo que ter seu sorriso luminoso como companhia.

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